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terça-feira, janeiro 27, 2026

Jim Jones


 

James Warren “Jim” Jones nasceu em 13 de maio de 1931, no condado de Randolph, estado de Indiana, Estados Unidos. Tornou-se conhecido como fundador e líder da seita religiosa Templo dos Povos (Peoples Temple), responsável por um dos episódios mais chocantes do século XX: o assassinato-suicídio em massa ocorrido em novembro de 1978, na comunidade de Jonestown, na Guiana, que resultou na morte de 918 pessoas, entre elas mais de 300 crianças.

O episódio incluiu ainda o assassinato do congressista norte-americano Leo Ryan e de outras quatro pessoas, em Port Kaituma, Georgetown. A maioria das vítimas morreu por envenenamento com cianeto, administrado de forma coercitiva.

Jim Jones foi encontrado morto com um ferimento de bala na cabeça; embora não tenha havido testemunhas diretas, a versão mais aceita é a de suicídio.

Jim Jones nasceu em Creta, uma pequena cidade rural de Indiana. Era filho de James Thurman Jones (1887-1951), veterano da Primeira Guerra Mundial, e de Lynetta Putnam Jones (1902-1977), uma mulher profundamente religiosa que acreditava ter dado à luz alguém destinado a uma missão especial.

Jones afirmava ter ascendência indígena cherokee por parte materna, mas essa alegação jamais foi comprovada. Sua infância transcorreu durante a Grande Depressão, em um ambiente de pobreza e instabilidade familiar.

Em 1934, a família mudou-se para a região de Lynn, e, após a separação dos pais, Jim passou a viver com a mãe em Richmond, onde concluiu seus estudos em 1948.

Desde cedo, Jones demonstrou interesse intenso por religião, política e liderança social. Ainda jovem, leu avidamente obras sobre marxismo, socialismo e direitos civis. Admirava figuras como Paul Robeson, ativista negro e artista engajado, e apoiou a candidatura progressista de Henry A. Wallace à presidência dos Estados Unidos, em 1948.

Em 1949, casou-se com Marceline Baldwin, enfermeira que o acompanharia durante a ascensão do Templo dos Povos. O casal mudou-se para Indianápolis em 1951. Jones ingressou em um seminário metodista em 1952, mas foi afastado por defender abertamente a integração racial. Em seguida, teve contato com outros grupos religiosos, buscando uma síntese entre fé cristã e ação política.

Criação do Templo dos Povos

Em 1954, Jones fundou sua própria igreja em uma área racialmente integrada de Indianápolis. Após diversas mudanças de nome, a organização passou a chamar-se oficialmente Peoples Temple Christian Church Full Gospel, em 1959.

Nos primeiros anos, o Templo ganhou reconhecimento por sua atuação contra a segregação racial. Jones organizou campanhas para integrar restaurantes, hospitais e serviços públicos, o que lhe rendeu apoio político e atenção da imprensa local.

Em 1960, foi nomeado pelo prefeito Charles Boswell como diretor da Comissão de Direitos Humanos da cidade. Apesar disso, conflitos surgiram rapidamente. Jones passou a ser visto como uma figura controversa, acusado tanto de radicalismo político quanto de autoritarismo interno.

A “Família Arco-Íris”

Jim e Marceline Jones promoveram a adoção inter-racial como símbolo de igualdade e justiça social. Em 1954, adotaram Agnes, uma menina nativa americana. Nos anos seguintes, o casal adotou órfãos de guerra coreanos, uma criança afro-americana, a primeira a ser legalmente adotada por um casal branco em Indiana, e uma criança branca. O único filho biológico do casal foi Stephen Gandhi Jones.

Essa chamada “Família Arco-Íris” tornou-se uma vitrine pública do Templo, reforçando a imagem progressista de Jones. No entanto, ex-membros mais tarde relataram que muitas dessas ações eram utilizadas como instrumentos de propaganda e controle emocional.

Passagem pelo Brasil

A obsessão de Jones com a possibilidade de uma guerra nuclear marcou profundamente suas decisões. Em 1961, após discursos apocalípticos e a publicação de um artigo na revista Esquire que citava Belo Horizonte como um possível refúgio seguro, Jones decidiu viajar ao Brasil com a família.

Entre 1962 e 1963, viveu em Belo Horizonte e, posteriormente, no Rio de Janeiro, onde teve contato com comunidades pobres e explorou o sincretismo religioso local. Embora simpatizante do socialismo, Jones evitava se apresentar como comunista, preferindo falar em “vida comunitária apostólica”.

A experiência brasileira foi marcada por dificuldades financeiras, barreiras linguísticas e crescente instabilidade emocional. Ao saber que o Templo nos Estados Unidos corria risco de colapso sem sua presença, Jones retornou ao país.

Expansão na Califórnia

Em 1965, Jones iniciou a transferência da comunidade para Ukiah, na Califórnia. Na década seguinte, o Templo estabeleceu sedes em San Francisco e Los Angeles, tornando-se uma organização de grande visibilidade política e social.

Na primeira metade dos anos 1970, o Templo chegou a reunir cerca de 3 mil membros, majoritariamente afro-americanos de baixa renda. Jones construiu alianças com políticos, sindicatos e líderes comunitários. Paralelamente, aumentavam os relatos de abusos internos, controle psicológico e punições públicas.

Jonestown e o colapso final

Em 1974, o Templo arrendou terras na Guiana, próximo a Port Kaituma, onde criou o chamado Projeto Agrícola, conhecido como Jonestown. A comunidade começou a ser ocupada em 1977 e rapidamente tornou-se superpovoada, com condições precárias de alimentação, trabalho forçado, vigilância constante e isolamento total.

Jones passou a adotar um discurso cada vez mais paranoico, descrevendo o governo dos Estados Unidos como fascista e inimigo mortal da comunidade. Simulações de suicídio coletivo, chamadas de white nights, tornaram-se frequentes.

Após denúncias de ex-integrantes, o congressista Leo Ryan visitou Jonestown em novembro de 1978. Ao tentar deixar o local com desertores, Ryan e outras quatro pessoas foram assassinados por membros do Templo.

Poucas horas depois, Jones ordenou o envenenamento coletivo. 909 pessoas morreram em Jonestown, incluindo 304 crianças. O episódio foi registrado em uma gravação de áudio de 45 minutos, posteriormente recuperada pelo FBI.

Legado e significado histórico

A tragédia de Jonestown representou, até 2001, o maior número de civis norte-americanos mortos em um único ato deliberado. O caso tornou-se um marco no estudo de seitas, liderança carismática, manipulação psicológica e obediência extrema.

Jim Jones permanece como um símbolo sombrio de como discursos de justiça social, quando associados ao autoritarismo, à paranoia e ao culto à personalidade, podem resultar em violência extrema e destruição coletiva.

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