James Warren “Jim” Jones nasceu em 13 de maio
de 1931, no condado de Randolph, estado de Indiana, Estados Unidos. Tornou-se
conhecido como fundador e líder da seita religiosa Templo dos Povos (Peoples
Temple), responsável por um dos episódios mais chocantes do século XX: o assassinato-suicídio
em massa ocorrido em novembro de 1978, na comunidade de Jonestown, na Guiana,
que resultou na morte de 918 pessoas, entre elas mais de 300 crianças.
O episódio incluiu ainda o assassinato do
congressista norte-americano Leo Ryan e de outras quatro pessoas, em Port
Kaituma, Georgetown. A maioria das vítimas morreu por envenenamento com cianeto,
administrado de forma coercitiva.
Jim Jones foi encontrado morto com um ferimento
de bala na cabeça; embora não tenha havido testemunhas diretas, a versão mais
aceita é a de suicídio.
Jim Jones nasceu em Creta, uma pequena cidade
rural de Indiana. Era filho de James Thurman Jones (1887-1951), veterano da
Primeira Guerra Mundial, e de Lynetta Putnam Jones (1902-1977), uma mulher
profundamente religiosa que acreditava ter dado à luz alguém destinado a uma
missão especial.
Jones afirmava ter ascendência indígena
cherokee por parte materna, mas essa alegação jamais foi comprovada. Sua
infância transcorreu durante a Grande Depressão, em um ambiente de pobreza e
instabilidade familiar.
Em 1934, a família mudou-se para a região de
Lynn, e, após a separação dos pais, Jim passou a viver com a mãe em Richmond,
onde concluiu seus estudos em 1948.
Desde cedo, Jones demonstrou interesse
intenso por religião, política e liderança social. Ainda jovem, leu avidamente
obras sobre marxismo, socialismo e direitos civis. Admirava figuras como Paul
Robeson, ativista negro e artista engajado, e apoiou a candidatura progressista
de Henry A. Wallace à presidência dos Estados Unidos, em 1948.
Em 1949, casou-se com Marceline Baldwin,
enfermeira que o acompanharia durante a ascensão do Templo dos Povos. O casal
mudou-se para Indianápolis em 1951. Jones ingressou em um seminário metodista
em 1952, mas foi afastado por defender abertamente a integração racial. Em
seguida, teve contato com outros grupos religiosos, buscando uma síntese entre
fé cristã e ação política.
Criação do Templo dos Povos
Em 1954, Jones fundou sua própria igreja em
uma área racialmente integrada de Indianápolis. Após diversas mudanças de nome,
a organização passou a chamar-se oficialmente Peoples Temple Christian Church
Full Gospel, em 1959.
Nos primeiros anos, o Templo ganhou reconhecimento
por sua atuação contra a segregação racial. Jones organizou campanhas para
integrar restaurantes, hospitais e serviços públicos, o que lhe rendeu apoio
político e atenção da imprensa local.
Em 1960, foi nomeado pelo prefeito Charles
Boswell como diretor da Comissão de Direitos Humanos da cidade. Apesar disso,
conflitos surgiram rapidamente. Jones passou a ser visto como uma figura
controversa, acusado tanto de radicalismo político quanto de autoritarismo
interno.
A “Família Arco-Íris”
Jim e Marceline Jones promoveram a adoção
inter-racial como símbolo de igualdade e justiça social. Em 1954, adotaram Agnes,
uma menina nativa americana. Nos anos seguintes, o casal adotou órfãos de
guerra coreanos, uma criança afro-americana, a primeira a ser legalmente
adotada por um casal branco em Indiana, e uma criança branca. O único filho
biológico do casal foi Stephen Gandhi Jones.
Essa chamada “Família Arco-Íris” tornou-se
uma vitrine pública do Templo, reforçando a imagem progressista de Jones. No
entanto, ex-membros mais tarde relataram que muitas dessas ações eram
utilizadas como instrumentos de propaganda e controle emocional.
Passagem pelo Brasil
A obsessão de Jones com a possibilidade de
uma guerra nuclear marcou profundamente suas decisões. Em 1961, após discursos
apocalípticos e a publicação de um artigo na revista Esquire que citava Belo
Horizonte como um possível refúgio seguro, Jones decidiu viajar ao Brasil com a
família.
Entre 1962 e 1963, viveu em Belo Horizonte e,
posteriormente, no Rio de Janeiro, onde teve contato com comunidades pobres e
explorou o sincretismo religioso local. Embora simpatizante do socialismo,
Jones evitava se apresentar como comunista, preferindo falar em “vida
comunitária apostólica”.
A experiência brasileira foi marcada por
dificuldades financeiras, barreiras linguísticas e crescente instabilidade
emocional. Ao saber que o Templo nos Estados Unidos corria risco de colapso sem
sua presença, Jones retornou ao país.
Expansão na Califórnia
Em 1965, Jones iniciou a transferência da
comunidade para Ukiah, na Califórnia. Na década seguinte, o Templo estabeleceu
sedes em San Francisco e Los Angeles, tornando-se uma organização de grande
visibilidade política e social.
Na primeira metade dos anos 1970, o Templo
chegou a reunir cerca de 3 mil membros, majoritariamente afro-americanos de
baixa renda. Jones construiu alianças com políticos, sindicatos e líderes
comunitários. Paralelamente, aumentavam os relatos de abusos internos, controle
psicológico e punições públicas.
Jonestown e o colapso final
Em 1974, o Templo arrendou terras na Guiana,
próximo a Port Kaituma, onde criou o chamado Projeto Agrícola, conhecido como Jonestown.
A comunidade começou a ser ocupada em 1977 e rapidamente tornou-se
superpovoada, com condições precárias de alimentação, trabalho forçado,
vigilância constante e isolamento total.
Jones passou a adotar um discurso cada vez
mais paranoico, descrevendo o governo dos Estados Unidos como fascista e
inimigo mortal da comunidade. Simulações de suicídio coletivo, chamadas de white
nights, tornaram-se frequentes.
Após denúncias de ex-integrantes, o
congressista Leo Ryan visitou Jonestown em novembro de 1978. Ao tentar deixar o
local com desertores, Ryan e outras quatro pessoas foram assassinados por
membros do Templo.
Poucas horas depois, Jones ordenou o
envenenamento coletivo. 909 pessoas morreram em Jonestown, incluindo 304 crianças.
O episódio foi registrado em uma gravação de áudio de 45 minutos,
posteriormente recuperada pelo FBI.
Legado e significado histórico
A tragédia de Jonestown representou, até
2001, o maior número de civis norte-americanos mortos em um único ato
deliberado. O caso tornou-se um marco no estudo de seitas, liderança
carismática, manipulação psicológica e obediência extrema.
Jim Jones permanece como um símbolo sombrio de como discursos de justiça social, quando associados ao autoritarismo, à paranoia e ao culto à personalidade, podem resultar em violência extrema e destruição coletiva.








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