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domingo, janeiro 25, 2026

Ele quis saber!


Não houve conversão no leito de morte - afirmou Ann Druyan. Não existiu apelo tardio a Deus, nem súplica por milagres, nem conforto buscado na promessa de uma vida após a morte.

Também não houve qualquer fingimento reconfortante de que eles, inseparáveis por vinte anos de amor, parceria intelectual e cumplicidade cotidiana, não estavam se despedindo para sempre.

Diante da pergunta inevitável - ele não quis acreditar? - Ann foi direta, quase dura, como quem defende não apenas a memória do marido, mas a dignidade de uma vida inteira pautada pela honestidade intelectual.

Carl nunca quis “acreditar”, respondeu. E então corrigiu com veemência aquilo que julgava ser um equívoco comum: “Ele quis saber.”

Essa distinção era essencial. Para Carl Sagan, acreditar sem evidências não era consolo, mas renúncia. Sua postura diante da morte foi coerente com tudo o que defendera em vida: a busca incansável pelo conhecimento, a reverência profunda pelo universo real, não por promessas invisíveis, mas pela beleza concreta da existência, ainda que finita.

Nos últimos dias, o que houve entre eles não foi negação, mas lucidez. Não foi desespero, mas aceitação. Houve amor, gratidão e uma consciência serena de que o tempo compartilhado, embora breve diante da vastidão cósmica que Carl tanto amava, havia sido extraordinário.

Eles sabiam que cada átomo que os compunha retornaria ao universo, esse mesmo universo que ele dedicara a vida a compreender e a ensinar.

Ann Druyan não relata esse momento como um vazio espiritual, mas como um testemunho de integridade. Carl Sagan morreu do mesmo modo que viveu: fiel à razão, à curiosidade e à coragem de encarar a realidade sem adornos.

Para ele, não havia necessidade de mitos finais, o assombro diante do cosmos já era, por si só, suficiente. E assim, mesmo diante da morte, permaneceu aquilo que sempre os uniu: não a fé cega, mas o amor pela verdade.

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