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terça-feira, janeiro 27, 2026

Jakobus Onnen e "O Último Judeu de Vinnytsia"


 

Jakobus Onnen nasceu em 3 de agosto de 1906. Foi um professor escolar alemão que se filiou ao Partido Nazista (NSDAP) em 1º de novembro de 1931, sob o número de filiação 723.098.

Àquela altura, o partido ainda era uma força política minoritária na República de Weimar, mas já exercia forte atração sobre setores radicalizados da sociedade alemã, incluindo professores, funcionários públicos e intelectuais que viam no nazismo uma promessa de ordem, estabilidade e redenção nacional diante da crise econômica, do desemprego e da humilhação imposta pelo Tratado de Versalhes.

Nascido na região da Frísia Oriental, provavelmente em ou nas proximidades de Tichelwarf, uma pequena localidade rural, Onnen atuava como professor primário antes da ascensão de Adolf Hitler ao poder.

Como muitos educadores de sua geração, estava inserido em um sistema escolar pressionado por mudanças ideológicas profundas, no qual a neutralidade pedagógica foi rapidamente substituída por exigências de lealdade política.

Após 1933, com a consolidação do regime nazista, o sistema educacional alemão foi progressivamente “nazificado”. Professores passaram a ser instrumentos de doutrinação, responsáveis por incutir valores raciais, nacionalistas e antissemitas nas crianças e nos jovens.

Muitos se adaptaram por medo ou conveniência; outros, como Onnen, foram além da mera conformidade administrativa.

Onnen ingressou na Schutzstaffel (SS), a organização paramilitar de elite do regime, e acabou servindo em uma unidade móvel de extermínio, as chamadas Einsatzgruppen, responsáveis por assassinatos em massa nos territórios ocupados do Leste Europeu.

Essas unidades seguiam o avanço do exército alemão, executando judeus, ciganos, comissários políticos soviéticos e outros grupos considerados “inimigos do Reich”, geralmente por meio de fuzilamentos coletivos à beira de valas comuns.

Seu nome ganhou notoriedade apenas décadas depois, em 2025, quando historiadores, com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, conseguiram identificar o executor presente em uma das fotografias mais conhecidas e perturbadoras do Holocausto: a imagem intitulada “O Último Judeu de Vinnytsia” (The Last Jew in Vinnitsa).

Tirada em 1941, na Ucrânia ocupada pelos nazistas, a fotografia mostra um soldado alemão apontando uma pistola para a cabeça de um homem judeu ajoelhado diante de uma vala repleta de cadáveres.

Por meio da análise facial, do cruzamento de registros militares e de documentos da SS, foi possível confirmar que o homem armado na imagem era Jakobus Onnen, então com cerca de 34 ou 35 anos.

A fotografia, apresentada publicamente pela primeira vez durante o julgamento de Adolf Eichmann, em 1961, tornou-se um símbolo da violência direta e cotidiana do genocídio, um lembrete de que o Holocausto não foi executado apenas por líderes distantes ou burocratas invisíveis, mas também por indivíduos comuns, muitas vezes com formação acadêmica e profissões socialmente respeitadas.

Jakobus Onnen morreu em 12 de agosto de 1943, aos 37 anos, provavelmente em combate ou em circunstâncias relacionadas à guerra. Nunca foi julgado nem responsabilizado judicialmente por sua participação nos crimes de extermínio.

Sua trajetória ilustra de forma exemplar o fenômeno dos chamados “perpetradores ordinários”: homens que não eram monstros no sentido caricatural, mas cidadãos comuns que, movidos por ideologia, ambição, obediência ou conformismo, tornaram-se agentes diretos de atrocidades em massa.

A história de Onnen permanece como um alerta inquietante sobre a facilidade com que a normalidade pode ser corrompida quando a violência é legitimada pelo Estado e a consciência moral é substituída pela obediência cega.

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