Jakobus Onnen nasceu em 3 de agosto de 1906.
Foi um professor escolar alemão que se filiou ao Partido Nazista (NSDAP) em 1º
de novembro de 1931, sob o número de filiação 723.098.
Àquela altura, o partido ainda era uma força
política minoritária na República de Weimar, mas já exercia forte atração sobre
setores radicalizados da sociedade alemã, incluindo professores, funcionários
públicos e intelectuais que viam no nazismo uma promessa de ordem, estabilidade
e redenção nacional diante da crise econômica, do desemprego e da humilhação
imposta pelo Tratado de Versalhes.
Nascido na
região da Frísia Oriental, provavelmente em ou nas proximidades de Tichelwarf,
uma pequena localidade rural, Onnen atuava como professor primário antes da
ascensão de Adolf Hitler ao poder.
Como muitos educadores de sua geração, estava
inserido em um sistema escolar pressionado por mudanças ideológicas profundas,
no qual a neutralidade pedagógica foi rapidamente substituída por exigências de
lealdade política.
Após 1933, com a
consolidação do regime nazista, o sistema educacional alemão foi
progressivamente “nazificado”. Professores passaram a ser instrumentos de
doutrinação, responsáveis por incutir valores raciais, nacionalistas e
antissemitas nas crianças e nos jovens.
Muitos se adaptaram por medo ou conveniência;
outros, como Onnen, foram além da mera conformidade administrativa.
Onnen ingressou
na Schutzstaffel (SS), a organização paramilitar de elite do regime, e acabou
servindo em uma unidade móvel de extermínio, as chamadas Einsatzgruppen,
responsáveis por assassinatos em massa nos territórios ocupados do Leste
Europeu.
Essas unidades seguiam o avanço do exército
alemão, executando judeus, ciganos, comissários políticos soviéticos e outros
grupos considerados “inimigos do Reich”, geralmente por meio de fuzilamentos
coletivos à beira de valas comuns.
Seu nome ganhou
notoriedade apenas décadas depois, em 2025, quando historiadores, com o auxílio
de ferramentas de inteligência artificial, conseguiram identificar o executor
presente em uma das fotografias mais conhecidas e perturbadoras do Holocausto:
a imagem intitulada “O Último Judeu de Vinnytsia” (The Last Jew in
Vinnitsa).
Tirada em 1941, na Ucrânia ocupada pelos nazistas,
a fotografia mostra um soldado alemão apontando uma pistola para a cabeça de um
homem judeu ajoelhado diante de uma vala repleta de cadáveres.
Por meio da
análise facial, do cruzamento de registros militares e de documentos da SS, foi
possível confirmar que o homem armado na imagem era Jakobus Onnen, então com
cerca de 34 ou 35 anos.
A fotografia, apresentada publicamente pela
primeira vez durante o julgamento de Adolf Eichmann, em 1961, tornou-se um
símbolo da violência direta e cotidiana do genocídio, um lembrete de que o
Holocausto não foi executado apenas por líderes distantes ou burocratas
invisíveis, mas também por indivíduos comuns, muitas vezes com formação
acadêmica e profissões socialmente respeitadas.
Jakobus Onnen
morreu em 12 de agosto de 1943, aos 37 anos, provavelmente em combate ou em
circunstâncias relacionadas à guerra. Nunca foi julgado nem responsabilizado
judicialmente por sua participação nos crimes de extermínio.
Sua trajetória
ilustra de forma exemplar o fenômeno dos chamados “perpetradores ordinários”:
homens que não eram monstros no sentido caricatural, mas cidadãos comuns que,
movidos por ideologia, ambição, obediência ou conformismo, tornaram-se agentes
diretos de atrocidades em massa.
A história de Onnen permanece como um alerta inquietante sobre a facilidade com que a normalidade pode ser corrompida quando a violência é legitimada pelo Estado e a consciência moral é substituída pela obediência cega.








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