Para você que chegou agora - justamente agora
- apenas para criticar o que já está feito: onde estava quando tudo era poeira
no chão e esboço no papel? Onde estava quando a gente segurava prego com a mão
e esperança com a outra? Onde estava quando precisávamos de ideias - não
prontas, não copiadas - mas inventadas ali, no improviso, quando ainda não
existia modelo nenhum?
É muito
confortável aparecer depois que o prédio está de pé para dizer que a cor da
parede poderia ser outra, que a porta não está perfeitamente alinhada ou que o
evento teria ficado melhor com música ao vivo.
Conveniente ser especialista quando o risco
já passou, o esforço já foi gasto e o tempo já foi consumido. Difícil mesmo é
estar lá no dia em que faltou energia no meio do processo, no dia em que um
fornecedor cancelou de última hora, no dia em que a equipe era meia dúzia, mas
o problema era do tamanho de cem.
Criticar sem
jamais ter sujado as mãos é o refúgio preferido de quem não quer assumir
responsabilidade. E responsabilidade não é sobre discurso, é sobre presença: é
estar no sábado à noite quando ninguém quer estar, é abrir mão de descanso
quando o prazo encurta, é reconhecer que talvez fique imperfeito - e fazer
mesmo assim.
Quem fez, fez
com as ferramentas que tinha, não com as que gostaria de ter. Fez com orçamento
contado, com dúvidas penduradas nos ombros e com a coragem mínima necessária
para não desistir. Fez sem manual, sem mapa e sem plateia.
Às vezes fez no escuro - literalmente - com
lanterna emprestada e café frio. Fez porque alguém precisava tomar a decisão,
assinar o documento, puxar o primeiro tijolo, sacrificar o último minuto de
energia.
E ainda assim,
sabia que você viria depois - você e o seu olhar técnico, retroativo, cirúrgico
- e apontaria falhas. Porque crítico nunca falta. É como sombra: aparece quando
o sol já brilhou e a obra já está construída.
Antes de abrir a
boca para julgar, pergunte-se: Eu teria feito melhor com o que havia disponível
naquele momento?
Eu teria feito alguma coisa, ao menos uma, se
estivesse no lugar de quem fez?
Ou teria feito aquilo que sempre faço - observar, comentar, esperar o esforço
alheio e opinar depois?
Quem critica sem
nunca ter construído nada não está colaborando: está apenas anestesiando a
própria ausência, justificando sua distância, consolando-se por não ter
participado. É a tentativa de transformar falta de ação em superioridade
intelectual.
O mundo já tem
críticos suficientes. Especialistas em defeitos, consultores da obviedade,
guardiões do “se fosse comigo”. O que falta - e falta muito - é gente que faça
apesar das incertezas, que construa com o que existe, que assuma riscos e
aceite a possibilidade de não ser aplaudida.
Assina com
carinho, com algumas cicatrizes e com um pouco de orgulho ferido,
aquele que fez - quando ninguém sabia como fazer, quando ninguém queria fazer, quando
todos esperavam que alguém começasse. E alguém começou.








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