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quinta-feira, fevereiro 19, 2026

A Queda do voo LANSA 508 - A única sobrevivente foi Juliane Koepcke



A Queda do Voo LANSA 508 - A incrível sobrevivência de Juliane Koepcke

O voo LANSA 508 foi um voo doméstico regular de passageiros operado pela companhia peruana Líneas Aéreas Nacionales Sociedad Anónima (LANSA). Ele partiu do Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima, no dia 24 de dezembro de 1971 (véspera de Natal), com destino a Iquitos, no Peru, com uma parada programada em Pucallpa.

A aeronave era um Lockheed L-188A Electra, um turboélice de quatro motores capaz de transportar até cerca de 100 pessoas. A bordo estavam 86 passageiros e 6 tripulantes, totalizando 92 ocupantes.

Entre eles, estavam a adolescente alemã-peruana Juliane Koepcke, de 17 anos, que havia acabado de se formar no ensino médio, e sua mãe, Maria Koepcke, uma ornitóloga.

Elas viajavam para se reunir com o pai de Juliane, Hans-Wilhelm Koepcke, biólogo que trabalhava em uma estação de pesquisa na Amazônia peruana. Após cerca de 25 a 40 minutos de voo, a aproximadamente 21.000 pés (cerca de 6.400 metros) de altitude, o avião entrou em uma zona de forte turbulência, trovoadas intensas e raios.

Apesar das condições meteorológicas perigosas visíveis à frente e dos alertas, a tripulação optou por continuar o voo - possivelmente pressionada pelo cronograma apertado das festas de fim de ano e pela reputação questionável da LANSA em cumprir horários.

Por volta das 12h36, um raio atingiu diretamente a asa direita da aeronave, incendiando um dos tanques de combustível. A asa se desprendeu em seguida, causando uma falha estrutural catastrófica: a fuselagem começou a se desintegrar em pleno ar.

O avião entrou em um mergulho descontrolado e caiu na densa floresta amazônica, na região de Puerto Inca, Peru. O acidente matou 91 das 92 pessoas a bordo - todos os 6 tripulantes e 85 passageiros.

Foi considerado o pior desastre aéreo causado por um raio na história da aviação. A única sobrevivente foi Juliane Koepcke. Presa ao seu assento (parte de uma fileira de três), ela caiu de uma altura de cerca de 3.000 metros (aproximadamente 10.000 pés) ainda amarrada ao banco.

Durante a queda, ela perdeu a consciência, mas o impacto foi amortecido pela copa das árvores da floresta, que funcionou como uma "rede" natural. Ao acordar no dia seguinte (Natal de 1971), ela estava sozinha no meio da selva, com ferimentos como clavícula quebrada, um corte profundo no braço direito, lesão no olho, concussão cerebral e um ligamento rompido no joelho.

Milagrosamente, suas lesões não eram fatais e permitiram que ela caminhasse. Juliane usou conhecimentos básicos de sobrevivência aprendidos com os pais (que viviam em uma estação de pesquisa na selva): seguiu o curso de um riacho (sabendo que ele levaria a civilização), evitou beber água parada.

Alimentou-se inicialmente de doces encontrados nos destroços e lidou com insetos, chuva e frio noturno vestindo apenas um vestido curto sem mangas e com um único sapato (o outro foi perdido na queda).

Sem óculos, sua visão estava prejudicada. Após 11 dias de caminhada exaustiva pela selva, sofrendo alucinações e enfraquecimento, ela encontrou uma cabana de caçadores/madeireiros.

Exausta e infectada por larvas de mosca no ferimento, foi encontrada por três lenhadores locais, que a trataram minimamente, a levaram de canoa por um rio e a entregaram a um piloto local, que a transportou de avião até um hospital em Pucallpa.

Investigações oficiais peruanas apontaram como causa principal o voo intencional em condições meteorológicas perigosas, criticando a decisão da tripulação e a manutenção questionável da companhia.

Onze dias após o acidente, a LANSA teve sua licença de operação cassada e encerrou as atividades em 1972. Curiosamente, esse não foi o primeiro grave incidente da empresa: em 9 de agosto de 1970, o voo LANSA 502 (também um Lockheed Electra) caiu logo após a decolagem de Cuzco, matando 99 das 100 pessoas a bordo (incluindo 2 em solo).

Apenas o copiloto sobreviveu, gravemente ferido. Sobre sobreviventes adicionais: Algumas fontes indicam que até 14 passageiros (incluindo a mãe de Juliane) sobreviveram inicialmente à queda, mas morreram nos dias seguintes devido a ferimentos graves, falta de socorro e condições da selva, enquanto aguardavam resgate que nunca chegou a tempo.

A história de Juliane Koepcke ganhou fama mundial. Em 1974, foi lançado o filme mexicano "Miles de Millas por la Selva" (conhecido como "Dez Dias de Agonia" ou "Ten Days of Agony" em algumas traduções).

Em 1998, o renomado diretor Werner Herzog dirigiu o documentário "Wings of Hope" ("As Asas da Esperança"), no qual acompanhou Juliane de volta ao local do acidente.

Em 2011, ela publicou suas memórias: "Als ich vom Himmel fiel" (em alemão, pela Piper Verlag), lançado em inglês como "When I Fell from the Sky" (When I Fell from the Sky). O caso também foi destaque no episódio "Clima Extremo" da série "Catástrofes Aéreas" (Air Crash Investigation) do Discovery Channel.

Juliane se formou em biologia, seguiu a carreira dos pais e hoje é uma bióloga respeitada no Peru, casada e mãe. Sua história continua sendo um dos relatos mais impressionantes de sobrevivência na história da aviação e da selva amazônica.


Juliane Koepcke unica sobrevivente

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