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sábado, agosto 15, 2026

Nem sempre quem se afasta é egoísta


 

Pedi desculpas mesmo quando não tinha culpa. Baixei a cabeça mesmo sabendo que tinha razão. Fiz pelos outros aquilo que, muitas vezes, eles jamais fariam por mim. Escondi minha tristeza, disfarcei minhas dores e silenciei minhas preocupações para não deixar ninguém inquieto.

Então, por favor, não diga que sou egoísta ou orgulhoso.

Talvez você não conheça as batalhas que enfrentei em silêncio. Talvez tenha visto apenas os momentos em que me calei, mas não tenha percebido quantas vezes engoli o que sentia para preservar alguém.

Já estendi a mão para pessoas que, depois, me viraram as costas. Já estive presente quando precisavam de mim e, quando fui eu quem precisou, descobri que nem todos estavam dispostos a fazer o mesmo.

Com o tempo, aprendi que ajudar não significa aceitar tudo, assim como perdoar não significa permitir que alguém continue nos ferindo. Há momentos em que precisamos nos afastar não por orgulho, mas por amor-próprio.

Precisamos aprender a dizer “não”, a estabelecer limites e a compreender que cuidar de nós mesmos também é uma forma de sobrevivência.

Não sou egoísta por escolher a minha paz. Não sou orgulhoso por deixar de insistir onde só eu me esforço. E não sou uma pessoa ruim porque, após tantas decepções, aprendi a selecionar melhor quem merece a minha presença.

No fim, quem realmente nos conhece sabe que existem silêncios que não são indiferença, afastamentos que não são desprezo e mudanças que não são frieza.

Às vezes, são apenas o resultado de alguém que passou tempo demais cuidando de todos e finalmente percebeu que também precisava cuidar de si.

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