Pedi desculpas
mesmo quando não tinha culpa. Baixei a cabeça mesmo sabendo que tinha razão.
Fiz pelos outros aquilo que, muitas vezes, eles jamais fariam por mim. Escondi
minha tristeza, disfarcei minhas dores e silenciei minhas preocupações para não
deixar ninguém inquieto.
Então, por
favor, não diga que sou egoísta ou orgulhoso.
Talvez você não
conheça as batalhas que enfrentei em silêncio. Talvez tenha visto apenas os
momentos em que me calei, mas não tenha percebido quantas vezes engoli o que
sentia para preservar alguém.
Já estendi a mão
para pessoas que, depois, me viraram as costas. Já estive presente quando
precisavam de mim e, quando fui eu quem precisou, descobri que nem todos
estavam dispostos a fazer o mesmo.
Com o tempo,
aprendi que ajudar não significa aceitar tudo, assim como perdoar não significa
permitir que alguém continue nos ferindo. Há momentos em que precisamos nos
afastar não por orgulho, mas por amor-próprio.
Precisamos
aprender a dizer “não”, a estabelecer limites e a compreender que cuidar de nós
mesmos também é uma forma de sobrevivência.
Não sou egoísta
por escolher a minha paz. Não sou orgulhoso por deixar de insistir onde só eu
me esforço. E não sou uma pessoa ruim porque, após tantas decepções,
aprendi a selecionar melhor quem merece a minha presença.
No fim, quem
realmente nos conhece sabe que existem silêncios que não são indiferença,
afastamentos que não são desprezo e mudanças que não são frieza.
Às vezes, são apenas o resultado de alguém
que passou tempo demais cuidando de todos e finalmente percebeu que também
precisava cuidar de si.









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