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quarta-feira, dezembro 03, 2025

As coisas que aprendi com a sabedoria "petralha"



Se eu não sou petista, automaticamente sou bolsonarista. Não existe meio-termo, nuance, centro, liberalismo de mercado com costumes conservadores, nada. É 8 ou 80. Binário. Preto no branco. Ou você está com o Capitão ou você é comunista disfarçado de liberal.

Se eu sou bolsonarista, então sou obrigatoriamente a favor de intervenção militar com o Exército tomando o poder e o Congresso sendo fechado “só por uns tempinhos”. Qualquer outra solução é fraqueza, conivência com o sistema ou “globalismo”. Democracia é bonito só quando ganha o meu lado. Não posso me indignar com a corrupção do PT porque:

“Teve no PSDB também” (como se isso anulasse o fato de que o PT institucionalizou o maior esquema de corrupção da história da humanidade, o Petrolão, com US$ 88 bilhões desviados só na Petrobras - valor que daria para construir 17 mil hospitais de campanha ou pagar 10 anos de Bolsa Família inteiro).

“O PT não inventou a corrupção” (verdade, mas aperfeiçoou, industrializou e exportou o modelo para Venezuela, Argentina, Bolívia, a famosa “nossa América Latina” do Foro de São Paulo).

Na real, minha verdadeira indignação não é com o rombo na Petrobras, na Eletrobras, nos Correios, no BNDES. É porque o PT ousou colocar o pobre no mesmo avião que eu. Aquela tia do Bolsa Família com criança no colo sentada na poltrona do lado me dá urticária moral. Isso sim é o fim da civilização ocidental cristã. Eu não tenho estatura moral para criticar ladrão de bilhões porque:

Já fiz câmbio paralelo em 1998

Já baixei música no LimeWire

Já colei na prova de química do colégio

Já soltei um punzinho silencioso no elevador lotado do Ed. Copan

Portanto, por coerência ética, sou obrigado a achar que Lula foi apenas um “preso político” e que a Lava Jato foi “a maior operação jurídico-midiática da história”. Eu fui para a rua em 2015-2016 com panela na mão, camisa da CBF e adesivo “Intervención Ya” no carro porque:

Sou elite branca paulista/carioca/sulista

Odeio pobre, nordestino, preto, índio, gay, feminista, criança com nome composto, gente que usa camisa de microfibra, desodorante Rexona ou chinelo de dedo com meia. Meu sonho secreto é voltar para o tempo em que empregada doméstica entrava pela porta dos fundos e chamava a patroa de “sinhá”

Eu me indigno com “censura” e “ditadura do judiciário” quando o STF manda tirar post meu do ar, mas acho lindo quando o Alexandre de Moraes bloqueia conta de deputado, censura jornal, manda prender gente sem julgamento e transforma o inquérito do fim do mundo na maior piñata jurídica da história.

Aí é “defesa da democracia”. Impeachment só é golpe quando é contra governo de esquerda. Quando foi contra Collor (direita) ou contra Dilma (esquerda), aí depende: se o presidente for de esquerda, é golpe fascista; se for de direita, é “limpeza moral da nação”.

E o melhor: aprendi com os digníssimos ministros do STF que quem vai pra rua pedir qualquer coisa depois da eleição está fazendo “terceiro turno”, é “golpista”, “antidemocrático” e, pasmem, está obcecado pelo fim do financiamento privado de campanha - porque, segundo a narrativa oficial, toda corrupção do planeta acaba se o dinheiro de empresa não puder mais entrar na política (como se Cuba, Venezuela e Coreia do Norte fossem paraísos de transparência por não terem empresa privada financiando campanha).Resumindo o aprendizado de uma década:

Se o PT rouba, é “caixa 2 de campanha” e “preso político"

Se o Bolsonaro faz rachadinha, é “costume antigo da política"

Se o Lula nomeia amigo para o STF, é “prerrogativa presidencial"

Se o Bolsonaro tenta nomear amigo para o STF, é “tentativa de golpe"

E assim seguimos, em 2025, com o mesmo circo pegando fogo, só que agora com mais pipoca transgênica, mais censura “em nome da democracia” e menos vergonha na cara de todos os lados. Porque, no fim das contas, o Brasil não tem conserto: tem torcida. E eu já escolhi a minha. E você?

terça-feira, dezembro 02, 2025

Uma história para conhecer - Władysław Szpilman


 

No dia 23 de setembro de 1939, em meio ao estrondo ensurdecedor das bombas que caiam sobre Varsóvia, Władysław Szpilman sentava-se ao piano da Polskie Radio e executava o Noturno em dó menor, de Chopin. O som das explosões era tão próximo e tão violento que ele mal conseguia distinguir suas próprias notas.

Ainda assim, continuou tocando - como se a música fosse o último fio que o ligava à civilização que desmoronava ao redor. Aquela apresentação entrou para a história como a última transmissão musical ao vivo da capital polonesa antes da escuridão absoluta imposta pela guerra.

Poucas horas depois, uma bomba alemã atingiu a sede da emissora. A rádio silenciou, e com ela calou-se uma era inteira. Szpilman, no entanto, sobreviveu, enquanto o mundo que conhecia começava a desaparecer. Sua família não teve a mesma sorte: mortos ou deportados, tornaram-se vítimas do extermínio sistemático levado a cabo pelos nazistas.

O pianista, obrigado a viver no gueto de Varsóvia, viu de perto o processo lento, cruel e burocrático de desumanização: fome, frio, doenças, execuções públicas e deportações diárias.

Trabalhou como músico em cafés clandestinos, testemunhou a degradação da comunidade judaica e enfrentou o medo constante de ser levado para Treblinka. Seus dias se transformaram em uma rotina de sobrevivência, silêncio e esperança frágil.

Após escapar por pouco da deportação, Szpilman passou meses escondido em ruínas e apartamentos abandonados. A cidade queimava, os prédios desabavam, as ruas viravam labirintos de escombros.

A solidão era tão brutal quanto a guerra em si. Vivendo de restos de comida, febril, fraco, reduzido quase a uma sombra, ele continuou resistindo - pelo instinto e pela lembrança da música que carregava dentro de si.

Foi então, já no fim do conflito, que o improvável aconteceu. Em um prédio devastado, onde Szpilman mal conseguia ficar de pé, um capitão alemão, Wilm Hosenfeld, o encontrou. Em vez de denunciá-lo, pediu-lhe para tocar.

Diante de um piano destruído pelo frio e pelo abandono, Szpilman executou o mesmo noturno de Chopin que tocara anos antes no rádio. Aquela música - frágil, trêmula e ao mesmo tempo sublime - salvou sua vida. Hosenfeld passou a ajudá-lo secretamente, fornecendo comida, roupas e proteção até o fim da ocupação alemã.

Em O Pianista, Szpilman narra com precisão e sensibilidade suas experiências entre 1939 e 1945: o colapso abrupto de sua vida, o cotidiano sufocante do gueto, a fuga improvável, os esconderijos, a destruição total de Varsóvia e o inesperado gesto de humanidade vindo de um oficial inimigo.

Sua narrativa expõe com clareza a dualidade do ser humano - a crueldade impensável e a compaixão inesperada - vivida no coração de um dos períodos mais sombrios da história.

O testemunho de Szpilman é, ao mesmo tempo, um documento histórico e literário: um mergulho profundo no horror do Holocausto e na força do espírito humano diante da barbárie.

O livro inspirou o filme homônimo de Roman Polanski, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes e de três Oscars - Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Adaptado - tornando-se uma das obras mais impactantes já produzidas sobre a Segunda Guerra Mundial.No dia 23 de setembro de 1939, em meio ao estrondo ensurdecedor das bombas que caiam sobre Varsóvia, Władysław Szpilman sentava-se ao piano da Polskie Radio e executava o Noturno em dó menor, de Chopin. O som das explosões era tão próximo e tão violento que ele mal conseguia distinguir suas próprias notas.

Ainda assim, continuou tocando - como se a música fosse o último fio que o ligava à civilização que desmoronava ao redor. Aquela apresentação entrou para a história como a última transmissão musical ao vivo da capital polonesa antes da escuridão absoluta imposta pela guerra.

Poucas horas depois, uma bomba alemã atingiu a sede da emissora. A rádio silenciou, e com ela calou-se uma era inteira. Szpilman, no entanto, sobreviveu, enquanto o mundo que conhecia começava a desaparecer. Sua família não teve a mesma sorte: mortos ou deportados, tornaram-se vítimas do extermínio sistemático levado a cabo pelos nazistas.

O pianista, obrigado a viver no gueto de Varsóvia, viu de perto o processo lento, cruel e burocrático de desumanização: fome, frio, doenças, execuções públicas e deportações diárias.

Trabalhou como músico em cafés clandestinos, testemunhou a degradação da comunidade judaica e enfrentou o medo constante de ser levado para Treblinka. Seus dias se transformaram em uma rotina de sobrevivência, silêncio e esperança frágil.

Após escapar por pouco da deportação, Szpilman passou meses escondido em ruínas e apartamentos abandonados. A cidade queimava, os prédios desabavam, as ruas viravam labirintos de escombros.

A solidão era tão brutal quanto a guerra em si. Vivendo de restos de comida, febril, fraco, reduzido quase a uma sombra, ele continuou resistindo - pelo instinto e pela lembrança da música que carregava dentro de si.

Foi então, já no fim do conflito, que o improvável aconteceu. Em um prédio devastado, onde Szpilman mal conseguia ficar de pé, um capitão alemão, Wilm Hosenfeld, o encontrou. Em vez de denunciá-lo, pediu-lhe para tocar.

Diante de um piano destruído pelo frio e pelo abandono, Szpilman executou o mesmo noturno de Chopin que tocara anos antes no rádio. Aquela música - frágil, trêmula e ao mesmo tempo sublime - salvou sua vida. Hosenfeld passou a ajudá-lo secretamente, fornecendo comida, roupas e proteção até o fim da ocupação alemã.

Em O Pianista, Szpilman narra com precisão e sensibilidade suas experiências entre 1939 e 1945: o colapso abrupto de sua vida, o cotidiano sufocante do gueto, a fuga improvável, os esconderijos, a destruição total de Varsóvia e o inesperado gesto de humanidade vindo de um oficial inimigo.

Sua narrativa expõe com clareza a dualidade do ser humano - a crueldade impensável e a compaixão inesperada - vivida no coração de um dos períodos mais sombrios da história.

O testemunho de Szpilman é, ao mesmo tempo, um documento histórico e literário: um mergulho profundo no horror do Holocausto e na força do espírito humano diante da barbárie.

O livro inspirou o filme homônimo de Roman Polanski, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes e de três Oscars - Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Adaptado - tornando-se uma das obras mais impactantes já produzidas sobre a Segunda Guerra Mundial.

A transitoriedade da vida

    


Entre as coisas que, à primeira vista, parecem roubar o sentido da vida humana estão não apenas o sofrimento, mas também a morte e a transitoriedade. Nunca me canso de repetir: os únicos aspectos verdadeiramente transitórios da vida são as potencialidades.

No instante em que uma possibilidade é realizada, ela deixa de ser mera possibilidade e se transforma em realidade definitiva; é resgatada do fluxo do tempo e entregue ao passado, onde fica a salvo para sempre da transitoriedade.

Porque no passado nada está irremediavelmente perdido - pelo contrário, tudo está irrevogavelmente guardado. Por isso, a transitoriedade da existência não lhe retira o sentido de forma alguma. Pelo contrário, é exatamente ela que confere à vida sua seriedade e sua responsabilidade única.

Tudo depende de nós: temos de nos tornar conscientes de que as possibilidades essenciais da vida são, por natureza, fugidias. A cada momento o ser humano está diante de uma massa inesgotável de potencialidades e precisa escolher: quais delas serão condenadas ao não-ser eterno e quais serão elevadas à realidade?

Qual escolha se tornará, de uma vez por todas, uma “pegada imortal nas areias do tempo”? A todo instante a pessoa decide, para o bem ou para o mal, qual será o monumento definitivo de sua existência.

Infelizmente, a maioria das pessoas só enxerga o campo queimado da transitoriedade e se esquece dos celeiros abarrotados do passado, onde já guardou, de forma indelével, seus atos, suas alegrias, seus amores - e também seus sofrimentos. Nada pode ser desfeito, nada pode ser apagado.

Eu ousaria dizer que ter sido é a forma mais segura e duradoura de ser. Foi exatamente essa visão que sustentou Viktor Frankl nos campos de concentração nazistas (Auschwitz, Kaufering, Türkheim) entre 1942 e 1945. Lá, onde tudo parecia destinado à aniquilação - a dignidade, a esperança, o próprio corpo -, ele descobriu que o passado permanecia intocável.

Mesmo quando lhe arrancavam o manuscrito de seu primeiro livro, a roupa, o cabelo, o nome (tornando-o apenas o número 119.104), o passado ninguém podia lhe tirar: as lembranças de sua esposa Tilly, as conversas com os pacientes de sua clínica psiquiátrica em Viena, os pequenos atos de solidariedade trocados com outros prisioneiros.

Esse passado, por mais modesto que fosse, era uma riqueza absoluta, um tesouro que nem o crematório podia incinerar. Por isso a logoterapia, a “terceira escola vienense de psicoterapia” fundada por Frankl, não é pessimista - é profundamente ativista.

Usando uma imagem que ele próprio gostava: o pessimista assemelha-se ao homem que, com medo e tristeza, vê o calendário na parede ficar cada dia mais fino. Já a pessoa que enfrenta a vida ativamente é como aquele que, dia após dia, destaca a folha do calendário, escreve no verso alguns apontamentos sobre o que viveu e guarda cuidadosamente todas as folhas já usadas.

Com orgulho e até alegria ele pode contemplar a pilha crescente: aí está toda a riqueza de uma vida já realizada - o trabalho concluído, o amor amado, e, sobretudo, os sofrimentos suportados com coragem.

Que lhe importa, então, estar envelhecendo? Terá ele motivo para invejar os jovens que vê pela frente ou para cair na nostalgia da juventude perdida? “Que motivos teria eu para invejá-los?”, perguntaria Frankl.

“Eles têm possibilidades abertas. Eu tenho realidades cumpridas. Em vez de um futuro cheio de ‘talvez’, eu tenho um passado cheio de ‘assim foi’. E nesse passado estão não apenas as conquistas e os momentos felizes, mas exatamente aqueles sofrimentos que enfrentei com dignidade os maiores horrores que um ser humano pode conhecer.

Esses sofrimentos corajosamente suportados são justamente aquilo de que mais me orgulho - embora sejam a última coisa que alguém invejaria.” Essa foi a descoberta que Frankl trouxe dos campos de extermínio e que transformou para sempre a psicoterapia e o pensamento existencial: o sentido da vida não está no que ainda podemos fazer amanhã, mas sobretudo no que já fizemos - irreversivelmente - com os dias de ontem, mesmo (e talvez principalmente) quando esses dias foram dias de dor indizível.

Viktor E. Frankl (1905-1997)

Psiquiatra, neurologista, fundador da logoterapia. Sobrevivente de quatro campos de concentração nazistas.

Autor de Em Busca de Sentido (1946), livro escrito em nove dias logo após sua libertação, que já vendeu mais de 12 milhões de exemplares e foi eleito um dos dez livros mais influentes dos Estados Unidos no século XX.

segunda-feira, dezembro 01, 2025

Ruivas - Temidas e demonizadas através da História


 

Ruivas: as mais temidas, desejadas e demonizadas da História

Durante milênios, poucas características físicas despertaram tanto fascínio e medo quanto os cabelos vermelhos. Em quase todas as culturas, as ruivas foram vistas como diferentes - e o diferente, quase sempre, foi tratado como perigoso.

Antiguidade e mitologia

No Antigo Egito, os ruivos eram associados ao deus Set (ou Seth), o senhor do caos, das tempestades e da violência. Sacrificar pessoas de cabelos vermelhos (ou até animais ruivos) era um ritual para aplacar a ira do deus. Há registros de que, em certas épocas, ruivos eram queimados vivos em cerimônias para “afastar o mal”.

Na Grécia antiga, acreditava-se que os ruivos se transformavam em vampiros após a morte. Aristóteles chegou a escrever que pessoas de cabelo vermelho eram emocionalmente instáveis e “de sangue quente”.

Na tradição judaica pré-cristã, Lilith - a suposta primeira esposa de Adão, que se rebelou e virou demônio - é frequentemente descrita em textos medievais como uma mulher de longos cabelos ruivos flamejantes.

Idade Média e Inquisição

Durante a Idade Média europeia, o cabelo vermelho tornou-se um dos principais “sinais” de bruxaria. Milhares de mulheres (e alguns homens) ruivos foram queimados na fogueira, sobretudo na Alemanha e na Escócia.

A Inquisição Espanhola associava os cabelos ruivos aos judeus (mesmo que muitos judeus sefarditas fossem morenos). Na arte renascentista, Judas Iscariotes quase sempre era pintado como ruivo - um estereótipo que perdurou séculos.

Em “O Mercador de Veneza” de Shakespeare, embora Shylock não seja explicitamente descrito como ruivo no texto, muitas montagens clássicas tingiam seu cabelo ou barba de vermelho para reforçar a imagem do “judeu traiçoeiro”.

Na Inglaterra elisabetana e jacobina (séculos XVI–XVII), acreditava-se que as bruxas roubavam crianças para tingir seus cabelos com sangue e ficarem ruivas - uma lenda que ajudou a alimentar caças às bruxas.

Era Moderna e o preconceito que sobreviveu

No século XIX, na Inglaterra vitoriana, ser ruivo ainda era motivo de bullying nas escolas. O termo “ginger” passou a ser usado como insulto (e ainda é em alguns lugares do Reino Unido).

Durante o nazismo, embora os nazistas exaltassem o “tipo ariano loiro”, os ruivos eram vistos com desconfiança: o gene MC1R era considerado uma “degeneração” da pureza racial nórdica. Alguns cientistas da época sugeriram esterilizar ruivos.

A ciência por trás do fogo

Os cabelos ruivos são causados por variantes do gene MC1R, localizado no cromossomo 16. Esse gene controla a produção de feomelanina (pigmento avermelhado) em vez de eumelanina (castanho/preto). Para alguém ser ruivo natural, precisa herdar duas cópias da variante recessiva - uma do pai e uma da mãe.

Curiosidades biológicas:

Ruivos têm maior tolerância a anestésicos (precisam de cerca de 20% mais anestesia geral). Sentem mais frio e mais calor, e produzem vitamina D com mais eficiência (vantagem evolutiva em regiões nubladas do norte da Europa).

Têm menos cabelos na cabeça que a média (cerca de 90 mil fios, contra 140 mil de loiros e 110 mil de morenos).

Onde estão os ruivos hoje?

Escócia: 13% da população tem cabelos ruivos; 40% carrega o gene (maior concentração do mundo).

Irlanda: 10% ruivos, 46% portadores do gene.

Na pequena ilha de Udmúrtia (Rússia), há um festival anual chamado “Dia do Cabelo Vermelho”, que reúne milhares de ruivos de todo o país - um dos poucos lugares onde ser ruivo é motivo de orgulho coletivo.

Vão desaparecer?

Em 2007, uma falsa notícia (originada numa matéria mal interpretada da revista National Geographic) espalhou que “os ruivos vão desaparecer em 2060”. Não é verdade. O gene é recessivo, mas enquanto houver humanos, haverá casais que podem gerar ruivos.

A porcentagem pode diminuir com a miscigenação global, mas a extinção é biologicamente impossível sem uma catástrofe que elimine o gene MC1R por completo.

E os neandertais?

Estudos genéticos de 2007 e 2017 (publicados na Science e na Nature) confirmaram que algumas populações de neandertais possuíam variantes do MC1R idênticas às dos ruivos modernos. Ou seja: o cabelo vermelho existe há pelo menos 50-100 mil anos - muito antes do Homo sapiens chegar à Europa.

Hoje: do estigma ao fetiche

No século XXI, o jogo virou. Depois de milênios sendo queimadas, temidas e ridicularizadas, as ruivas viraram símbolo de beleza rara e sensualidade. Campanhas publicitárias, filmes, séries (pense em Jessica Chastain, Karen Gillan, Sophie Turner como Sansa Stark) e até bancos de esperma na Dinamarca relatam maior procura por doadores ruivos.

Do demônio na fogueira à musa desejada: poucas características humanas passaram por uma reversão tão radical de imagem. E, no fim das contas, tudo isso por causa de uma pequena mutação num único gene.

Se você conhece uma ruiva, lembre-se: ela carrega nas veias o mesmo fogo que aterrorizou impérios, queimou bruxas, desafiou deuses e, ainda hoje, faz o mundo parar para olhar duas vezes.

Porque, como dizia o escritor francês Jean-Paul Richter: “Os ruivos são como o pôr do sol: raros, intensos, e quem os vê nunca esquece.”

Paternalismo




Durante uma aula numa universidade brasileira, no meio de uma explicação aparentemente comum, um aluno levantou a mão e perguntou ao professor, com voz firme: - Professor, o senhor sabe como se capturam porcos selvagens?

O docente sorriu, imaginando uma piada, uma metáfora divertida ou apenas uma tentativa de descontrair o ambiente. Mas o jovem continuou, sério: - Não é brincadeira. É exatamente assim que se faz. A sala ficou em silêncio enquanto ele explicava:

“Você encontra um lugar na floresta por onde os porcos selvagens costumam passar. Todos os dias, no mesmo horário, coloca um punhado de milho no chão. Só isso. No começo, eles estranham, cheiram de longe, fogem. São desconfiados por natureza.

Mas depois de alguns dias, voltam. Chegam mais perto. Comem rápido e desaparecem. Quando a rotina está estabelecida, você constrói a primeira lateral de uma cerca - apenas um lado.

Os porcos hesitam, mas o milho está ali, fácil, abundante. Então voltam no dia seguinte. O milho continua sendo mais importante que aquela madeira estranha.” Ele fez uma breve pausa e prosseguiu:

“Depois você coloca a segunda lateral. Demoram um pouco mais, mas retornam. Construímos o terceiro lado, depois o quarto. E assim, pouco a pouco, os animais vão entrando em um quadrado que eles nem percebem existir.

Quando já não há mais motivo para desconfiança, você instala a porta na abertura final. Deixa aberta. Eles entram sozinhos, confiantes, acostumados ao milho farto e fácil. E é nesse exato momento que você fecha o portão.

Os porcos correm em círculos, batem nas tábuas, gritam. Mas é tarde. A liberdade escapou no mesmo ritmo lento com que o milho era oferecido.” Os alunos olhavam fascinados enquanto o jovem concluía:

“Em poucos dias, eles param de tentar fugir. O milho continua caindo. A vida dentro da cerca é mais cômoda do que correr pela mata atrás de raízes e frutos. Engordam. Acomodam-se. Esquecem como era ser livre.

E o mais impressionante: passam a lamber a mão do homem que os alimenta… sem perceber que é a mesma mão que, meses depois, conduzirá a faca no matadouro.” O estudante então fitou o professor e a turma: - É exatamente isso que está acontecendo com o nosso povo.

“Não de uma vez só. Não com tanques nas ruas. Não com decretos de ditadura. É devagar. Com paciência. Com milho.” E começou a enumerar:

Primeiro veio o dinheiro ‘no bolso’, sem contrapartida de trabalho. Depois os programas sociais transformados em moeda de troca por votos. Vieram as bolsas, os auxílios, os cartões, as cestas, os tickets, os vales - todos com nomes carinhosos: Brasil Carinhoso, Minha Casa Minha Vida, Fome Zero, Luz para Todos, Farmácia Popular

Sempre acompanhados da foto sorridente de um político. Cada benefício era mais um lado da cerca. Cada “direito adquirido” era mais um prego.
Cada eleição em que o povo trocou liberdade por conforto imediato foi mais um punhado de milho jogado no chão.

E, quando alguém ousava alertar - “cuidado, isso é armadilha!” - surgia o coro automático: Invejoso! Elite! Coração de pedra! Você não quer que os pobres comam? Porque o porco, quando já está gordo dentro da cerca, não quer ouvir quem ainda corre livre na floresta.

Hoje, uma parcela imensa da população brasileira depende do governo para comer, morar, estudar, se tratar, se transportar. Dependência total. E quem depende não questiona. Quem depende aplaude. Quem depende vota no dono do milho.

Assim, sem tiros, sem gritos, sem botas na rua, construiu-se o maior curral político da história da América Latina. A porta foi fechada. Alguns ainda correm em círculos, batem a cabeça nas tábuas, gritam “fora, comunista!”, “fora, fascista!”, sem notar que tanto faz quem está segurando a chave. O problema é que a chave não está mais com eles.

Outros simplesmente se acomodaram. Lambem a mão. Agradecem. Sorrirem. Votam felizes. Caminham ao matadouro sem perceber. O pior: ensinaram os filhos a fazer o mesmo.

Isso não é sobre esquerda ou direita. É sobre liberdade. É sobre um povo que aceitou trocar a dureza selvagem da floresta pela falsa facilidade do curral - e agora acredita que a cerca é proteção, que o portão é segurança e que milho de graça é conquista.

Mas se você ainda consegue olhar além da madeira, verá que a floresta continua lá. E enquanto houver ao menos um que se lembre de como é correr livre, ainda existirá esperança de derrubar o curral.

A liberdade nunca desaparece de verdade - apenas adormece no coração dos que esquecem que um dia foram selvagens.



sábado, novembro 29, 2025

Enquanto há tempo



O amor deve saber dizer palavras que só existem no “tempo da delicadeza” - esse intervalo secreto em que o coração fala baixo, mas diz tudo. “Prometo te querer até o amor cair doente, doente”, escreveu Rubem Alves, revelando que até o amor, tão forte e resistente, pode adoecer quando é descuidado.

É por isso que, nesse tempo misterioso e frágil, é preciso amar com cuidado: amar com o olhar que acolhe, com os ouvidos que escutam o que o outro não consegue dizer, com as mãos que tateiam o mundo e o corpo amado como quem segura uma asa prestes a se partir.

O amor não vive de grandes discursos, mas de pequenos gestos que evitam feridas:
a paciência que não exige, a presença que não sufoca, a palavra certa que chega antes da dor, o silêncio cúmplice que protege e aproxima.

O “tempo da delicadeza” não é eterno. Ele passa, ele se esconde, ele se perde na pressa, no automatismo, na rudeza do cotidiano. Por isso é urgente cuidar enquanto ainda há tempo - antes que a rotina adoeça o afeto, antes que o excesso de razão asfixie a poesia, antes que as mãos se acostumem à ausência.

Amar, no fundo, é um trabalho de artesão: lapida-se o gesto, aparar-se a palavra, cultiva-se o toque. É um exercício diário de atenção para que o amor não se torne apenas memória do que poderia ter sido.

Que cada encontro seja tratado como um milagre raro, que cada amanhecer ao lado seja entendido como privilégio, que cada fragilidade do outro seja acolhida como parte sagrada da experiência humana.

Porque, quando o amor adoece, quase sempre é de descuido. Mas quando floresce, é porque alguém escolheu ser delicadeza em um mundo que desaprendeu a sentir.O amor deve saber dizer palavras que só existem no “tempo da delicadeza” - esse intervalo secreto em que o coração fala baixo, mas diz tudo. “Prometo te querer até o amor cair doente, doente”, escreveu Rubem Alves, revelando que até o amor, tão forte e resistente, pode adoecer quando é descuidado.

É por isso que, nesse tempo misterioso e frágil, é preciso amar com cuidado: amar com o olhar que acolhe, com os ouvidos que escutam o que o outro não consegue dizer, com as mãos que tateiam o mundo e o corpo amado como quem segura uma asa prestes a se partir.

O amor não vive de grandes discursos, mas de pequenos gestos que evitam feridas:
a paciência que não exige, a presença que não sufoca, a palavra certa que chega antes da dor, o silêncio cúmplice que protege e aproxima.

O “tempo da delicadeza” não é eterno. Ele passa, ele se esconde, ele se perde na pressa, no automatismo, na rudeza do cotidiano. Por isso é urgente cuidar enquanto ainda há tempo - antes que a rotina adoeça o afeto, antes que o excesso de razão asfixie a poesia, antes que as mãos se acostumem à ausência.

Amar, no fundo, é um trabalho de artesão: lapida-se o gesto, aparar-se a palavra, cultiva-se o toque. É um exercício diário de atenção para que o amor não se torne apenas memória do que poderia ter sido.

Que cada encontro seja tratado como um milagre raro, que cada amanhecer ao lado seja entendido como privilégio, que cada fragilidade do outro seja acolhida como parte sagrada da experiência humana.

Porque, quando o amor adoece, quase sempre é de descuido. Mas quando floresce, é porque alguém escolheu ser delicadeza em um mundo que desaprendeu a sentir.

Robert Hichens - Titanic

 

Robert Hichens – O Polêmico Timoneiro do Titanic

Robert Hichens nasceu em 16 de setembro de 1882, na Cornualha, e faleceu em 23 de setembro de 1940. Era um experiente marinheiro britânico e servia como quartel-mestre a bordo do RMS Titanic durante a viagem inaugural do navio.

Na noite de 15 de abril de 1912, quando o Titanic colidiu com o iceberg que levaria ao seu naufrágio, Hichens estava no leme, um dos postos mais importantes do convés.

A colisão e os primeiros momentos do desastre

Como um dos seis quartéis-mestres, Hichens tinha grande responsabilidade pela navegação. Ele estava de serviço quando o oficial William Murdoch ordenou a manobra de desvio do iceberg. Apesar de décadas depois surgirem teorias de erro humano ligadas ao timão, os inquéritos oficiais da época confirmaram que a ordem foi executada corretamente.

O Sexto Oficial, James Moody, estava imediatamente atrás de Hichens, supervisionando seus movimentos, e declarou que o comando foi obedecido sem erro. Com o impacto e o início do caos a bordo, Hichens foi designado para comandar o Bote Salva-Vidas nº 6, um dos primeiros a serem lançados ao mar.

A polêmica no Bote 6

Foi no Bote 6 que Robert Hichens ganhou notoriedade - e uma reputação controversa. Diversos passageiros relataram que sua postura era: fria, cínica, pessimista, e, por vezes, agressiva.

Entre as acusações feitas posteriormente: Que teria se recusado a retornar ao local do naufrágio para resgatar sobreviventes; Que teria chamado as vítimas na água de “rígidos”; Que teria criticado constantemente os passageiros que tentavam remar; Que mantinha uma postura derrotista, afirmando que ficariam à deriva por dias antes do resgate.

Hichens negou boa parte dessas acusações perante o inquérito americano, alegando nunca ter usado o termo “rígidos” e afirmando que apenas seguia ordens diretas do Capitão Edward Smith e do Segundo Oficial Charles Lightoller: afastar-se do local da sucção e seguir em direção à luz de um suposto navio no horizonte.

Confronto com Molly Brown

A passageira mais famosa do bote era Margaret Brown, posteriormente conhecida como “The Unsinkable Molly Brown”. Relatos dos sobreviventes descrevem intensa tensão entre ela e Hichens.

Brown insistia em remar, tanto para aquecer as mulheres quanto para se aproximar da possível luz de resgate. Hichens, porém, afirmava ser inútil e ria das tentativas das passageiras.

O confronto escalou a ponto de Brown ameaçar jogar Hichens no mar caso ele continuasse tentando impedir os demais. Esse episódio foi eternizado na cultura popular, especialmente em adaptações teatrais e cinematográficas.

A chegada do RMS Carpathia

Quando o navio Carpathia finalmente apareceu no horizonte, Hichens teria afirmado que ele “não vinha resgatar ninguém, mas recolher corpos”, o que aumentou ainda mais a revolta dos sobreviventes no bote.

Após o resgate, Hichens prestou depoimentos nos inquéritos americanos e britânicos. Afirmou que: temia a sucção do Titanic; estava a cerca de uma milha do naufrágio, sem bússola e na escuridão total; não tinha condições reais de retornar ao local. Mesmo assim, sua reputação permaneceu marcada pelo episódio do Bote 6.

A acusação de Louise Patten (2010)

Em 2010, a neta do oficial Lightoller, Louise Patten, reviveu a polêmica ao alegar que Hichens teria virado o leme na direção errada, causando a colisão.

No entanto: Os inquéritos da época não sustentam essa versão; Tripulantes como Moody testemunharam que ele executou corretamente a manobra; A bisneta de Hichens, Sally Nilsson, contestou publicamente a acusação, afirmando que ele era um marinheiro altamente treinado e experiente.

Nilsson publicaria, em 2011, uma biografia detalhada buscando restaurar a imagem do quartel-mestre.

Representações na cultura popular

A figura de Hichens apareceu em diversas obras: Filme Titanic (1997). Interpretado por Paul Brightwell, ele é mostrado como um homem rude, magro e com sotaque londrino - todas representações imprecisas.

Inclusive, a famosa frase “shut that hole in your face” atribuída a ele nas cenas com Molly Brown não foi dita por Hichens na vida real.

Minissérie Titanic (1996): Mostra um retrato mais fiel à tensão no Bote 6, com a voz de comando de Molly Brown enfrentando sua postura pessimista.

Romance Titanic: The Long Night (1998): Dramatiza o conflito entre Hichens e Molly Brown sob o ponto de vista de uma passageira fictícia.

Peça Iceberg - Right Ahead! (2012): Apresenta Hichens como personagem importante na reconstituição dramática da tragédia.

Últimos anos e morte

Robert Hichens continuou trabalhando no mar após o desastre, embora marcado pelas controvérsias. Faleceu em 23 de setembro de 1940, aos 58 anos, vítima de ataque cardíaco a bordo do navio SS English Trader, ancorado próximo à costa de Aberdeen, na Escócia. Foi sepultado no Trinity Cemetery, Seção 10, Cova 244.

sexta-feira, novembro 28, 2025

Tanquinho? Que nada



Tanquinho? Que nada! – A Tribo onde a Beleza Está na Barriga

Na região de Bodi, no sudoeste da Etiópia, vive a tribo Me’en - um povo cujo ideal de beleza contrasta radicalmente com os padrões modernos ocidentais. Lá, o homem mais desejado, admirado e respeitado é justamente aquele que tem a maior barriga.

Isso mesmo: quanto mais volumoso o abdômen, mais prestígio e status ele conquista dentro da comunidade. Mostre isso para qualquer amigo que critique seu shape - talvez você só esteja vivendo na tribo errada!

O Culto ao Corpo “Grande”: Um Padrão de Beleza Único

Para os Me’en, o abdômen avantajado simboliza: força e fertilidade; abundância e prosperidade; a capacidade de suportar desafios físicos; qualidade de provedor; bênçãos espirituais e orgulho familiar. A valorização do corpo volumoso não está ligada à estética pela estética, mas a uma profunda visão simbólica de bem-estar, riqueza e poder.

O Ritual Ka’el: A Competição dos Homens Barrigudos

Todos os anos, sempre no mês de junho, acontece a grande cerimônia chamada Ka’el, um dos rituais mais importantes e sagrados da tribo. Ele celebra a identidade Me’en e escolhe o homem considerado o mais forte e favorecido pelos espíritos, representado por sua enorme barriga.

Seis meses antes da cerimônia, cada família indica um homem solteiro para competir. A partir desse momento, sua rotina muda completamente.

Seis Meses de Engorda: Dieta de Sangue e Leite

Os escolhidos iniciam um período de reclusão: passam a viver isolados em pequenas cabanas, sem realizar nenhum esforço físico. O objetivo é simples: engordar o máximo possível.

A dieta tradicional consiste em grandes quantidades de: sangue de vaca fresco, leite cru e integral. A mistura é preparada diariamente, quente e extremamente calórica.

Os competidores chegam a beber vários litros por dia. Segundo a crença local, essa combinação fortalece o corpo, traz energia vital e favorece a conexão espiritual com a força do gado - animal sagrado para o povo Me’en.

O Grande Dia: Danças, Cores e Barrigas em Festa

No dia do Ka’el, os homens finalmente deixam o isolamento. Suas barrigas enormes e pesadas mal lhes permitem caminhar sem esforço - e esse é justamente o ponto: quanto mais difícil se mover, mais impressionante é o resultado.

Vestidos com: ornamentos de búzios, plumas de avestruz, colares coloridos, pinturas corporais, eles desfilam diante da comunidade. Cantam e dançam com movimentos lentos, enquanto celebram a bravura e a identidade do seu clã.

O vencedor se torna um herói local. Seu nome é lembrado por anos. Mesmo que ele nunca se torne um grande guerreiro, será tratado com honra e será o orgulho de sua família.

O Sacrifício Sagrado e a Leitura do Futuro

A cerimônia termina com o sacrifício ritual de uma vaca - animal central na cultura Me’en. Os anciãos examinam cuidadosamente: a gordura, o estômago, e o sangue do animal, buscando sinais espirituais para prever se o futuro da tribo será próspero ou desafiador. O ritual é considerado um diálogo direto entre a comunidade e as forças da natureza.

Retorno à Vida Normal

Após o Ka’el, os competidores retornam à rotina habitual, abandonam a dieta extrema e, com o tempo, perdem naturalmente o peso acumulado. A barriga desaparece - mas o prestígio permanece.

China e a Extração órgãos de pessoa viva


Durante décadas, diversas organizações de direitos humanos, pesquisadores independentes e testemunhos individuais têm denunciado que o sistema médico-militar chinês utilizou - e ainda utiliza - órgãos de prisioneiros executados para transplantes.

Em muitos desses relatos, há suspeitas de que a extração teria ocorrido enquanto as vítimas ainda estavam vivas, a fim de garantir que os órgãos tivessem a melhor qualidade possível para o transplante.

O testemunho abaixo, atribuído ao Sr. Wang e concedido ao jornal Epoch Times, é um dos relatos mais detalhados sobre o funcionamento dessas operações clandestinas. O conteúdo foi editado para maior clareza e dividido em seções temáticas.

Recrutamento em “missão militar”

O episódio ocorreu na década de 1990. Eu era um jovem estagiário de urologia no Hospital Geral Militar de Shenyang, província de Liaoning. Em um dia comum, o hospital recebeu um telefonema urgente da Região Militar de Shenyang, requisitando imediatamente uma equipe médica para uma missão classificada como “sigilosa” e de natureza militar.

À tarde, o diretor da divisão médica convocou seis profissionais: dois enfermeiros, três médicos e eu. Fomos instruídos a não manter nenhum tipo de contato com o mundo exterior até que a missão estivesse concluída. Nem mesmo telefonemas a familiares eram permitidos.

Fomos colocados em uma van modificada, escoltada por veículos militares. As janelas estavam cobertas por panos azuis, impedindo que víssemos o caminho ou o destino.

Após várias horas, chegamos a uma área montanhosa fortemente vigiada por soldados armados. Um oficial nos informou que estávamos em uma prisão militar nas proximidades da cidade de Dalian. Nada mais foi explicado.

A extração de um rim de uma pessoa viva

Na manhã seguinte, uma das enfermeiras retirou amostras de sangue de um prisioneiro, sempre acompanhada por soldados. Em seguida, fomos novamente levados à van. No local onde paramos, soldados armados cercaram o veículo para impedir qualquer observação externa.

Quatro soldados então trouxeram um homem e o deitaram sobre um grande saco plástico preto. Seu corpo estava rigidamente amarrado por um fio extremamente fino e resistente, preso aos tornozelos, pulsos e pescoço, apertado a ponto de provocar sangramento. O método era claramente projetado para impedir qualquer movimento.

Ao tocar suas pernas, percebi que estavam quentes. Os médicos rapidamente vestiram aventais cirúrgicos. Minha função seria cortar a artéria, a veia e o ureter durante a remoção do rim. A enfermeira cortou sua camisa e aplicou desinfetante no peito e no abdômen. Em seguida, o médico fez uma incisão do subxifoide até o umbigo.

As pernas daquele homem tremeram.

Ele não podia emitir sons - a forma como estava amarrado impedia qualquer vocalização adequada. Quando a incisão foi feita, o sangue jorrou com força, indicando claramente que ele estava vivo, com o coração em pleno funcionamento.

Os rins foram removidos rapidamente e colocados em uma caixa termostática para transporte imediato. Quando olhei para o rosto dele, vi seus olhos tremendo. A expressão era de puro terror. Tive a sensação de que ele tentava me olhar diretamente.

A lembrança de uma conversa ouvida na noite anterior me golpeou: um militar comentando com o cirurgião responsável que o prisioneiro “não tinha nem 18 anos”. Era “jovem, saudável, cheio de vida”. Só então percebi: realmente estávamos extraindo órgãos de alguém consciente e vivo. Fiquei paralisado de horror.

Disse ao médico que não poderia continuar. Outro médico veio então e, com brutalidade, arrancou os globos oculares da vítima com um fórceps. Meu corpo inteiro tremia. Suava sem parar. Não conseguia reagir.

O descarte do corpo

Após o procedimento, o médico bateu na lateral da van - o sinal para os soldados. Eles se comunicaram por rádio. Em poucos minutos, quatro militares envolveram o corpo ainda quente no saco plástico e o colocaram em um caminhão militar como se fosse lixo.

Voltamos imediatamente ao hospital militar. Os órgãos foram entregues a outra equipe cirúrgica, já preparada para realizar o transplante em algum paciente - possivelmente um oficial do Partido ou alguém de alto escalão.

Colapso emocional

Quando cheguei em casa, entrei em febre intensa, tremendo de horror. Não consegui contar a ninguém. Até hoje, nenhum membro da minha família sabe o que aconteceu. Logo após o episódio, pedi demissão e deixei o Hospital Geral Militar de Shenyang.

Mas o terror não terminou ali. Por meses - talvez anos - eu via constantemente o rosto daquele jovem. De olhos arregalados, tentando me olhar, pedindo socorro sem poder emitir qualquer som. Vivo ou acordado, ele aparecia para mim. Eu acordava gritando. Eu não queria mais existir.

Confirmando o que outros denunciavam

Em 2006, quando a mídia internacional começou a denunciar casos de extração forçada de órgãos de praticantes do Falun Gong, soube imediatamente que tudo aquilo era verdade.

O que eu testemunhara não era um caso isolado, mas parte de uma estrutura já existente dentro do sistema militar chinês. A perseguição ao Falun Gong - um movimento espiritual que o Partido Comunista classificou como “ameaça ideológica” - apenas ampliou enormemente o fornecimento de prisioneiros saudáveis, aptos a fornecer órgãos sob demanda.

Contexto histórico e internacional ampliado

Pesquisadores como David Kilgour, David Matas e Ethan Gutmann passaram anos investigando denúncias de extração forçada de órgãos na China, especialmente a partir dos anos 2000. Relatórios internacionais estimam dezenas de milhares de transplantes de origem não explicada, muito acima da capacidade oficial de doadores voluntários no país.

Diversos parlamentos e instituições ocidentais realizaram audiências e condenações formais do suposto sistema, que incluiria: Prisioneiros de consciência (especialmente praticantes do Falun Gong), Uigures detidos em campos na região de Xinjiang, Cristãos de igrejas clandestinas e Presos políticos diversos

Embora o governo chinês negue sistematicamente essas acusações, a combinação de testemunhos, discrepâncias estatísticas, investigações independentes e relatos de desertores continua alimentando forte preocupação internacional.

quinta-feira, novembro 27, 2025

John Kennedy Jr. - Morreu num acidente de avião



John F. Kennedy Jr. – Vida, legado e o trágico acidente que chocou os Estados Unidos

John Fitzgerald Kennedy Jr., nascido em 25 de novembro de 1960, rapidamente se tornou uma das figuras mais observadas da vida pública norte-americana. Conhecido como John F. Kennedy Jr., JFK Jr., John-John ou simplesmente John, ele foi advogado, jornalista e editor, além de herdeiro de um dos sobrenomes mais emblemáticos da política dos Estados Unidos.

Era filho do presidente John F. Kennedy e da primeira-dama Jacqueline Kennedy, e irmão mais novo de Caroline Kennedy Schlossberg. Seu nascimento ocorreu apenas 17 dias após seu pai vencer as eleições presidenciais.

Assim, os primeiros anos da infância de John transcorreram dentro da Casa Branca, onde sua imagem - especialmente a famosa fotografia do pequeno menino cumprimentando militares durante o funeral do pai - marcaria para sempre a memória do país.

A vida de John mudaria drasticamente quando seu pai foi assassinado em Dallas, em 22 de novembro de 1963, apenas três dias antes de seu terceiro aniversário. O funeral de Estado, realizado justamente no dia em que completava três anos, tornou-se um dos eventos mais simbólicos da história moderna norte-americana, refletindo não apenas o luto nacional, mas a perda pessoal sofrida por uma criança que cresceu diante das câmeras.

Após a tragédia, Jacqueline Kennedy buscou proteger os filhos da intensa exposição pública. Alguns anos mais tarde, em 1968, ela se casou com o magnata grego Aristóteles Onassis, união que garantiu maior privacidade e segurança à família. O casamento duraria até a morte de Onassis, em 1975.

Durante a adolescência, John estudou na prestigiada Collegiate School, em Nova Iorque, onde teve como colega de classe o futuro ator David Duchovny. Fotografias de ambos aos 14 anos aparecem no anuário de 1975, mostrando um período pouco conhecido da vida de JFK Jr., longe dos holofotes políticos.

Brilhante, carismático e frequentemente apontado como um possível herdeiro político da família Kennedy, John trilhou caminhos variados. Formou-se em Direito e trabalhou como promotor-adjunto em Manhattan.

Em 1995, demonstrando seu interesse por mídia e pela interseção entre política e cultura, fundou a revista George, um projeto inovador que combinava política com elementos do entretenimento e da vida social dos EUA.

Em 21 de setembro de 1996, John se casou com Carolyn Bessette, uma ex-assessora de moda da Calvin Klein. O casamento, extremamente discreto e celebrado em uma pequena capela na Geórgia, foi cercado de curiosidade e fascínio pela imprensa.

Entretanto, o destino da família Kennedy voltaria a ser marcado por tragédia. Em 16 de julho de 1999, John pilotava seu pequeno avião Piper Saratoga II, levando Carolyn e sua cunhada, Lauren Bessette, para o casamento de sua prima, Rory Kennedy, em Hyannis Port, Massachusetts. A aeronave caiu no Oceano Atlântico, próximo à ilha de Martha’s Vineyard, após JFK Jr. perder o controle em condições de baixa visibilidade. Todos morreram instantaneamente.

John Kennedy Jr. tinha apenas 38 anos. Seus restos mortais e os das duas passageiras foram cremados e suas cinzas lançadas ao mar, em uma cerimônia privada conduzida pela família.

A morte de JFK Jr. revitalizou o debate sobre a chamada “maldição dos Kennedy”, e até hoje permanece como um dos acontecimentos mais marcantes da década de 1990, encerrando precocemente a trajetória de alguém que parecia destinado a ocupar um lugar ainda maior na história norte-americana.