Preocupação é aquela conversa silenciosa que
travamos com nós mesmos sobre coisas que, na quase totalidade das vezes, não
dependem de nós ou simplesmente nunca vão acontecer. É um diálogo interno que
consome espaço mental, rouba energia vital e constrói castelos de ansiedade no
ar.
Passamos minutos, horas, às vezes noites
inteiras imaginando desastres que têm 0,001% de chance de se concretizar,
prevendo dores que raramente se confirmam e nos preparando para batalhas que
talvez nunca cheguemos a travar.
É impressionante como, enquanto alimentamos
esses fantasmas, a vida real segue acontecendo bem na nossa frente. O filho
cresce, o sol se põe mais lindo do que nunca, alguém que amamos está ali do
nosso lado querendo apenas um olhar presente, e nós… estamos em 2030 sofrendo
por uma conta que ainda nem chegou, ou em 2027 chorando por uma rejeição que
ainda nem foi dita.
Curiosamente, o “e se…” só funciona para o
lado negativo. Raramente paramos para perguntar: E se der certo? E se for mais
fácil do que eu penso? E se eu for mais forte do que imagino?
E se a porta que parece fechada estiver só
encostada? A ciência já comprovou o que os antigos sábios já sabiam: cerca de
85% das coisas que nos preocupam nunca acontecem (estudo clássico da
Universidade de Cincinnati, ainda citado em psicologia cognitiva). Dos 15% que
acontecem, a maioria é menos grave do que prevíamos ou nos traz algum
aprendizado valioso.
Ou seja: sofremos 100% do tempo por 15% de
realidade - e ainda distorcida. A preocupação, portanto, é o único imposto que
pagamos adiantado sobre dívidas que talvez nunca venhamos a ter. Por outro
lado, a confiança e a entrega não são ingenuidade; são estratégia de
sobrevivência emocional.
Buda ensinava que o sofrimento nasce do apego
ao que ainda não existe. Estoicos como Sêneca repetiam que “sofremos mais na
imaginação do que na realidade”.
De formas diferentes, todas as grandes
tradições chegam à mesma conclusão: o futuro não é lugar para morar, é lugar para
visitar de vez em quando, com mala leve. Viver um dia de cada vez não é
preguiça nem falta de planejamento. Planejar é prudente; sofrer antecipado é
masoquismo.
Você pode (e deve) ter metas, poupar
dinheiro, cuidar da saúde, fazer seguro, estudar para a prova. Mas fazer tudo
isso com o coração leve, sem transformar o planejamento em tormento, é o grande
segredo.
Hoje é o único dia que realmente temos nas
mãos. Ontem virou memória (e muitas vezes memória distorcida). Amanhã é
promessa (e promessa não cumprida ainda não dói). Quando conseguimos ficar
inteiros no agora, algo mágico acontece: as preocupações perdem força porque
perdem matéria-prima.
Elas só sobrevivem quando têm o futuro como
combustível. Tire o futuro do cardápio e elas morrem de inanição. Por isso,
respirar fundo, agradecer pela água que bebe agora, pelo abraço que pode dar
agora, pelo passo que pode dar agora, pelo trabalho que está na sua frente
agora, isso não é clichê romântico. É remédio comprovado contra a ansiedade.
Viver um dia de cada vez é abrir espaço para
a vida acontecer de verdade. É escolher trocar o peso do “e se der errado?”
pela leveza do “vou fazer o melhor que posso hoje”. É substituir o medo do
futuro pela confiança de que, se o amanhã chegar, a graça de hoje terá sido
suficiente para nos sustentar nele.
E quando a noite vier, que venha com a paz de quem fez o que podia, amou o que tinha e confiou o resto Àquele que segura o amanhã nas mãos. O presente é o único pedaço do tempo que podemos chamar de nosso. Então respire. Sorria. Viva hoje. O amanhã, quando chegar, já vai se chamar hoje - e você estará pronto.








.jpg)

0 Comentários:
Postar um comentário