“Quando volto o olhar para o passado, uma
tristeza inevitável me invade ao compreender quanto tempo deixei escapar em
vão. Quantas horas se perderam em equívocos repetidos, em erros que poderiam
ter sido evitados, na ociosidade que entorpece a alma e na dificuldade de viver
com verdadeira presença.
Quantas vezes falhei em apreciar o valor do
momento presente, traindo, assim, o que há de mais sagrado dentro de mim: meu
coração e minha alma. Essa consciência tardia faz meu peito sangrar em um
arrependimento quieto, mas cortante.”
Dostoiévski, mestre insuperável na exploração
das profundezas humanas, conhecia bem esse peso. Em uma carta escrita ao seu
irmão Mikhail, ainda jovem e marcado pelas adversidades da vida na Rússia
czarista - incluindo a experiência traumática do simulacro de execução e os
anos de exílio na Sibéria -, ele expressou essa visão urgente sobre a
existência.
Para ele, a vida não era mero passar dos
dias, mas uma oportunidade constante de redenção e deleite, mesmo em meio ao
sofrimento. A vida é uma dádiva preciosa, um milagre que se renova a cada
respiração.
Ela é, por natureza, felicidade - ou, pelo
menos, carrega em si o potencial infinito de sê-lo. Cada minuto pode se
expandir em uma eternidade de alegria, bastando que escolhamos vivê-lo com
consciência, coragem e gratidão, em vez de deixá-lo escorrer entre os dedos da
distração e do remorso.
Essa reflexão, que circula há anos em redes
sociais, blogs e sites literários brasileiros como o Portal da Literatura, Da
Mãe Rússia e diversas páginas dedicadas à filosofia e à literatura russa,
continua ecoando porque toca em uma verdade universal: o arrependimento pelo
tempo perdido é um dos sofrimentos mais humanos que existem.
Dostoiévski nos lembra, com sua intensidade
característica, que ainda há tempo - enquanto respiramos - para transformar o
remorso em ação, o passado em lição e o presente em uma celebração constante da
existência.
Ler suas cartas e romances (como O Idiota ou Crime e Castigo) nos ajuda a internalizar essa lição: a vida não espera. Ela nos convida, a todo instante, a escolher a plenitude em vez da indiferença.









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Verdade
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