Você muitas vezes reconhece um narcisista
pelo olhar de superioridade e pelo desdém silencioso com que observa os outros.
Há sempre, em sua expressão, a certeza de que ocupa um lugar acima dos demais,
como se a humanidade estivesse ali apenas para servi-lo, admirá-lo e
aplaudi-lo.
Ele não acredita
que precise melhorar, aprender ou se transformar. Em sua própria narrativa, já
nasceu pronto, completo, quase perfeito. Aos outros cabe segui-lo, concordar,
obedecer e, sobretudo, aceitar a própria inferioridade sem questionamentos.
O narcisista
clássico raramente possui escrúpulos quando seus interesses estão em jogo.
Pessoas são meios, não fins. Relações são úteis enquanto alimentam sua vaidade,
seu poder ou sua imagem. Quando deixam de servir, tornam-se descartáveis.
Se não alcança a
fama, o reconhecimento ou o dinheiro que acredita merecer, sente-se
injustiçado, incompreendido, perseguido pelo mundo. Nunca lhe ocorre que talvez
lhe falte talento, esforço, disciplina ou humildade. A culpa será sempre dos
outros, da sociedade, da inveja alheia ou das conspirações imaginárias contra
seu brilho.
Ele não aceita
ser questionado, muito menos corrigido. A crítica, mesmo quando construtiva, é
vista como ataque. O conselho é interpretado como afronta. O diálogo torna-se
impossível, porque ele não conversa para entender, mas para vencer.
Seus seguidores
normalmente se dividem em três grupos: os narcisistas em formação, que o veem
como modelo e desejam tornar-se como ele; os masoquistas emocionais, que
suportam humilhações e desprezo em troca de alguma atenção; e os bajuladores,
que vivem de elogios, pois aprenderam que a adulação é a moeda que garante sua
permanência ao redor do trono.
No fundo, o
narcisista precisa constantemente de plateia. Sem aplausos, sem admiração e sem
pessoas que o confirmem como extraordinário, sua grandeza começa a desmoronar.
Por isso, ele não busca pessoas livres, mas pessoas que o admirem, o temam ou
dependam dele.
O narcisista não quer amor, quer admiração. Não quer companheiros, quer seguidores. Não quer diálogo, quer concordância. E, acima de tudo, não quer a verdade - quer o espelho.









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