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segunda-feira, março 23, 2026

As cataratas de Vitória ou quedas de Vitória


As Cataratas de Vitória, ou Quedas de Vitória, são uma das mais espetaculares quedas d’água do mundo. Situam-se no rio Zambeze, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwe, e possuem cerca de 1,5 km de largura, com altura máxima de aproximadamente 128 metros.

O volume de água e a extensão da queda formam uma das maiores cortinas de água do planeta, criando uma névoa visível a quilômetros de distância. Ao despencar, o rio Zambeze mergulha em uma profunda garganta basáltica e segue por uma série de desfiladeiros estreitos, formando um conjunto impressionante de quedas e corredeiras.

O barulho da água e a névoa constante deram origem ao nome local Mosi-oa-Tunya, que significa “a fumaça que troveja”. Tanto o Parque Nacional de Mosi-ao-Tunya, na Zâmbia, quanto o Parque Nacional de Victoria Falls, no Zimbabwe, estão inscritos desde 1989 na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO.

A região também faz parte da Área de Conservação Transfronteiriça Cubango-Zambeze, uma das maiores áreas de conservação ambiental da África, protegendo fauna, flora e ecossistemas importantes.

História

Mapas antigos indicam que as cataratas já eram conhecidas por exploradores europeus muito antes do século XIX. Um mapa datado de cerca de 1750, desenhado por Jacques-Nicolas Bellin para o abade Antoine François Prévost, marca as quedas como “cataratas” e assinala uma povoação ao norte do Zambeze como sendo, na época, mortal aos portugueses.

Ainda antes, um mapa da África Austral feito por Nicolas de Fer, em 1715, já mostrava a queda na posição correta. Esses mapas também apresentam linhas pontilhadas que indicam antigas rotas comerciais, algumas das quais seriam percorridas, mais de um século depois, pelo explorador escocês David Livingstone.

Há ainda indícios de que missionários e exploradores portugueses possam ter visto as cataratas antes dele, possivelmente ainda no início do século XVII. Oficialmente, porém, David Livingstone foi o primeiro ocidental a avistá-las e descrevê-las em detalhes, em 17 de novembro de 1855.

Ele deu às cataratas o nome de Vitória, em homenagem à rainha Vitória, que governava o Reino Unido na época. Mais tarde, Livingstone afirmaria que as cataratas foram a coisa mais impressionante que viu em seus trinta anos de exploração pela África.

Em 1860, Livingstone retornou à região e realizou um estudo mais detalhado da área. Durante suas expedições, atravessou duas vezes o deserto do Kalahari, navegou o rio Zambeze de Angola até Moçambique, procurou as fontes do rio Nilo e foi um dos primeiros europeus a atravessar o Lago Tanganica.

O explorador português Serpa Pinto também visitou a região posteriormente. No entanto, a área permaneceu de difícil acesso até o início do século XX. Em 1905, com a construção da ferrovia e da ponte ferroviária das Cataratas Vitória, ligando a Zâmbia ao Zimbabwe, o local tornou-se mais acessível e passou a receber visitantes com maior frequência.

Hoje, as Cataratas de Vitória recebem centenas de milhares de visitantes por ano e são consideradas uma das grandes maravilhas naturais do mundo, impressionando não apenas pela altura ou largura, mas pela força, pelo som e pela paisagem grandiosa que as envolve.

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