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segunda-feira, outubro 20, 2025

A NASA


 

No início dos anos 1960, durante os preparativos intensos para o Projeto Apollo, a NASA escolheu locais remotos e inóspitos para treinar seus astronautas, simulando as condições desafiadoras da superfície lunar.

Um desses locais foi a vasta e árida reserva indígena Navajo, no sudoeste dos Estados Unidos, cujas paisagens rochosas e isoladas lembravam o terreno lunar.

Os astronautas, vestidos com seus trajes espaciais volumosos e equipados com ferramentas para exploração, realizavam exercícios exaustivos sob o sol escaldante, testando equipamentos e procedimentos que os levariam à Lua.

Em uma manhã tranquila, enquanto o vento soprava suavemente pelo deserto, um ancião Navajo e seu jovem neto pastoreavam suas ovelhas pelas colinas da reserva.

O velho, de rosto marcado pelo tempo e olhos que carregavam a sabedoria de gerações, avistou ao longe um grupo de figuras estranhas. Homens em trajes brancos e brilhantes, com capacetes que refletiam o sol, moviam-se desajeitadamente, carregando escadas e equipamentos desconhecidos.

Intrigado, o ancião, que falava apenas a língua Navajo, virou-se para o neto e perguntou: “Quem são esses homens? O que estão fazendo em nossas terras?”

O neto, fluente em inglês e acostumado a intermediar conversas entre a comunidade Navajo e o mundo exterior, aproximou-se dos astronautas para esclarecer a situação.

Um dos membros da tripulação, com um sorriso amigável, explicou que eles eram astronautas da NASA, treinando para uma missão histórica: viajar até a Lua, o corpo celeste que, para os Navajo, era uma entidade sagrada, parte das histórias e cosmologias que guiavam sua cultura.

A notícia deixou o velho Navajo visivelmente animado. Seus olhos brilharam com uma mistura de curiosidade e humor. Ele pediu ao neto que perguntasse se seria possível enviar uma mensagem à Lua, para que ela fosse ouvida naquele lugar distante e misterioso.

Os astronautas, intrigados pela ideia e respeitando a conexão espiritual dos Navajo com o cosmos, aceitaram o pedido. Um deles entregou ao ancião um gravador portátil, um dispositivo moderno que contrastava com a simplicidade da vida no deserto.

Com cuidado e solenidade, o velho segurou o gravador e, em sua língua nativa, gravou uma mensagem. Sua voz era firme, carregada de intenção, como se estivesse falando diretamente com a própria Lua.

Quando terminou, devolveu o gravador aos astronautas, que, curiosos, pediram ao neto que traduzisse o que seu avô havia dito. Para surpresa deles, o menino apenas sorriu e balançou a cabeça, recusando-se a traduzir.

“É uma mensagem para a Lua”, disse ele, enigmático, antes de voltar ao lado do avô. Determinados a entender o conteúdo, os astronautas levaram a fita de áudio à sede da reserva Navajo, onde compartilharam a gravação com outros membros da comunidade.

Ao ouvir a mensagem, os Navajo reunidos começaram a rir, trocando olhares cúmplices. Quando a equipe da NASA pediu uma tradução, a resposta foi a mesma: risadas e uma recusa educada, mas firme.

A mensagem, ao que parecia, era um segredo guardado pela tribo. Frustrada, mas ainda mais curiosa, a equipe da NASA decidiu recorrer a um tradutor oficial do governo, especializado na língua Navajo.

Após ouvir a gravação, o tradutor não pôde conter um leve sorriso antes de revelar o conteúdo da mensagem do ancião:

“Ó Luna, cuidado com esses mocassins! Eles virão roubar suas terras, assim como fizeram com as nossas!”

A mensagem era ao mesmo tempo uma brincadeira e um comentário mordaz, enraizado na história de colonização e perda sofrida pelo povo Navajo. O velho, com sua sabedoria e humor, usou a oportunidade para lembrar ao mundo - e à Lua - das injustiças enfrentadas por sua gente, enquanto lançava um olhar irônico sobre a ambição humana de conquistar novos territórios, mesmo além da Terra.

A história da mensagem do ancião Navajo espalhou-se entre os funcionários da NASA, tornando-se uma anedota lendária que misturava humor, crítica social e a profunda conexão espiritual dos Navajo com o cosmos.

Ela serviu como um lembrete de que, mesmo em meio à corrida espacial, as vozes dos povos nativos continuavam a ecoar, trazendo perspectivas únicas e poderosas sobre a relação da humanidade com o universo.

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