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terça-feira, novembro 03, 2026

Insensibilidade


A Estranha Insensibilidade Humana Diante da Eternidade.

Nada parece mais importante para o ser humano do que a própria existência. Entretanto, poucas coisas despertam tanto temor quanto a possibilidade de uma eternidade de sofrimento. A passagem é de Blaise Pascal, filósofo, matemático e pensador francês.

Diante disso, causa espanto perceber como tantas pessoas parecem indiferentes à própria condição, à finitude da vida e ao destino que, segundo determinadas crenças, as aguardaria depois da morte.

O comportamento humano revela uma contradição curiosa. Conseguimos passar dias e noites consumidos pela preocupação, pela raiva e pelo desespero diante da perda de um emprego, de um cargo, de uma posição social ou de uma ofensa, muitas vezes imaginária, à nossa honra.

Sofremos por coisas passageiras, preocupamo-nos com problemas pequenos e dedicamos enorme energia àquilo que, cedo ou tarde, perderá toda a importância.

Entretanto, diante da morte, que representa o fim inevitável da existência terrena, muitos permanecem indiferentes. Sabem que um dia perderão tudo aquilo que possuem, abandonarão seus projetos, seus afetos, suas conquistas e até mesmo a identidade que construíram ao longo da vida.

Ainda assim, demonstram raramente a mesma inquietação que sentiriam diante de uma perda material ou de uma contrariedade cotidiana.

É essa contradição que Pascal coloca diante de nós: como podemos ser tão sensíveis às pequenas perdas e tão indiferentes às questões que consideramos fundamentais para a nossa existência?

Talvez porque seja mais fácil enfrentar as preocupações imediatas do que refletir sobre os grandes mistérios da vida. A morte é uma realidade incontornável, mas pensar nela exige confrontar nossas incertezas, nossas crenças e o próprio sentido de estarmos aqui.

No fundo, a reflexão permanece: por que dedicamos tanta atenção ao que inevitavelmente perderemos e tão pouca atenção àquilo que acreditamos ser o destino definitivo da nossa existência?

Uma pergunta incômoda, mas que merece ser feita.

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