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sábado, fevereiro 21, 2026

O Cristo Velato


O Cristo Velato (em italiano, Cristo Velato ou Veiled Christ) é uma das obras-primas mais impressionantes da escultura barroca italiana. Criada em 1753 pelo artista napolitano Giuseppe Sanmartino, a escultura representa o corpo de Jesus Cristo após a crucificação, deitado em uma maca funerária e coberto por um fino sudário (véu) que parece quase transparente.

O que torna essa obra extraordinária é a habilidade técnica de Sanmartino em esculpir todo o conjunto - o corpo de Cristo e o véu - a partir de um único bloco de mármore branco.

O véu adere perfeitamente às formas do corpo, revelando com realismo impressionante os detalhes anatômicos: as feridas da crucificação, os traços de sofrimento no rosto, as veias salientes nas mãos e nos pés, e até a sutil expressão de dor e serenidade da vítima.

A gaze diáfana parece flutuar levemente sobre a pele de pedra, criando a ilusão de que estamos olhando através do tecido para contemplar a agonia e a dignidade do corpo morto de Cristo.

Esse efeito de transparência e textura é considerado um dos maiores feitos da escultura ocidental. A encomenda partiu de Raimondo di Sangro, Príncipe de Sansevero, um nobre excêntrico, inventor, maçom e figura lendária do século XVIII em Nápoles.

Inicialmente, o príncipe desejava que o veneziano Antônio Corradini (autor da escultura Modéstia, também na capela) executasse a obra, mas o trabalho acabou sendo confiado ao jovem Sanmartino, que superou as expectativas com uma interpretação mais emotiva e dramática, típica do barroco tardio napolitano.

A lenda mais famosa em torno da obra diz que o véu seria resultado de um processo alquímico secreto do príncipe, que teria ensinado ao escultor como “petrificar” ou “calcificar” um tecido real em mármore cristalino.

Essa história persistiu por mais de 250 anos, alimentada pela fama de Raimondo como alquimista e experimentador ousado. No entanto, documentos históricos (incluindo registros bancários da época) confirmam que a escultura é inteiramente esculpida em mármore, sem truques ou materiais adicionais - puro virtuosismo técnico do artista.

O renomado escultor neoclássico Antônio Canova, ao visitar Nápoles, ficou tão impressionado que tentou comprar a obra e teria declarado que daria dez anos de sua vida para ter criado algo tão perfeito.

Outros visitantes ilustres, como o Marquês de Sade, também exaltaram a finesse dos dobrados do véu e o realismo doloroso da figura. Atualmente, o Cristo Velato permanece como a peça central da Cappella Sansevero (Capela Sansevero), em Nápoles, um pequeno mas extraordinário museu barroco cheio de simbolismos, máquinas anatômicas e outras esculturas impressionantes encomendadas pelo príncipe.

A capela atrai milhares de visitantes todos os anos, muitos dos quais saem emocionados ou perplexos diante dessa “milagre de pedra” que continua a desafiar a percepção humana desde o século XVIII. É, sem dúvida, uma das esculturas mais tocantes e tecnicamente admiráveis de toda a história da arte.

Sutileza



Uma coisa que sempre me causa grande admiração é a habilidade de pessoas verdadeiramente inteligentes em desarmar, de forma diplomática e elegante, indivíduos arrogantes.

Esses seres que parecem se deleitar em macular a imagem alheia, atacando a credibilidade dos outros por puro prazer sádico, inveja ou necessidade de se afirmar.

Infelizmente, encontramos esse tipo de pessoa em praticamente todos os ambientes da vida: nos meios artísticos, políticos, literários, acadêmicos, nas profissões liberais, no ambiente corporativo e até mesmo entre amigos e familiares.

Em qualquer esfera, a atitude desses indivíduos desrespeitosos é profundamente humilhante - não para quem é atacado, mas para quem a pratica, revelando uma profunda insegurança disfarçada de superioridade.

Um exemplo clássico de truculência é gritar ou humilhar publicamente alguém - mesmo que seja um "subordinado" -, achando que isso demonstra poder ou autoridade. Na realidade, tal comportamento só expõe falta de autocontrole, baixa instrução emocional e fraqueza de caráter.

Quem precisa elevar a voz ou rebaixar o outro para se sentir grande, na verdade, está se diminuindo aos olhos de todos. Por outro lado, quando presenciamos alguém que consegue, com calma, inteligência emocional e agilidade mental, desbancar esses arrogantes sem descer ao mesmo nível, sinto um prazer genuíno e quase catártico.

É como assistir a uma lição de mestre: o agressor, que se achava invencível, fica exposto, sem argumentos, e muitas vezes sai de cena com o rabo entre as pernas, pagando um mico público.

Imagino a mente desse "ser infeliz" fervendo de frustração, percebendo tarde demais que sua tentativa de humilhar virou um tiro no próprio pé. Um dos exemplos mais famosos (e brilhantes) dessa arte vem de Winston Churchill, o lendário primeiro-ministro britânico, conhecido por suas respostas afiadas e irônicas.

Em um episódio clássico - atribuído à sua troca de farpas com a deputada Lady Nancy Astor (a primeira mulher a ocupar um assento na Câmara dos Comuns) -, ela o interrompeu furiosa e disse:

- Se o senhor fosse meu marido, eu colocaria veneno no seu café.

Churchill, sem perder o ritmo nem a compostura, respondeu de imediato:

- Minha senhora, se eu fosse seu marido, com certeza eu o tomaria o café.

Não poderia haver réplica mais perfeita! Em uma única frase, ele devolveu o golpe com humor ácido, inteligência e elegância, transformando o ataque em algo que ridicularizava a própria agressora.

Vale notar que, embora a anedota seja amplamente contada e adorada, alguns historiadores questionam se ocorreu exatamente assim ou se foi adaptada de piadas antigas -, mas o impacto permanece impecável como exemplo de como a inteligência vence a grosseria.

Churchill tinha várias respostas lendárias para desarmar arrogantes. Outro caso famoso ocorreu quando uma parlamentar o acusou de estar bêbado:

- Senhor Churchill, o senhor está bêbado!

Ele retrucou calmamente:

- Sim, madame, estou bêbado. Mas amanhã estarei sóbrio... e a senhora continuará feia.

Esses exemplos mostram que o verdadeiro poder não está na agressão, mas na capacidade de manter a dignidade, usar a mente como arma e transformar veneno em algo que o agressor engole sozinho.

No fim das contas, lidar com arrogantes assim nos lembra uma lição valiosa: a calma inteligente quase sempre triunfa sobre a truculência barulhenta. E quando isso acontece, o espetáculo é inesquecível - e extremamente satisfatório.

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Lago Retba, Senegal – Mais Salgado que o Mar Morto


Lago Retba, Senegal - Mais salgado que o Mar Morto em algumas épocas

O Lago Retba, também conhecido como Lac Rose - “Lago Rosa” -, localiza-se no noroeste da África, na região de Dakar, capital do Senegal. Situado a cerca de 29-35 km a nordeste da cidade, na península de Cabo Verde, o lago fica separado do Oceano Atlântico por uma estreita faixa de dunas de areia.

Sua característica mais famosa é a cor rosa ou avermelhada intensa de suas águas, causada pela microalga halófila Dunaliella salina. Essa alga produz grandes quantidades de betacaroteno (um pigmento vermelho-alaranjado) como mecanismo de proteção contra a alta radiação solar e a salinidade extrema.

O betacaroteno ajuda a alga a absorver melhor a luz para a fotossíntese e a produzir energia na forma de ATP. A tonalidade rosa fica mais vibrante durante a estação seca (novembro a junho), quando a evaporação é intensa e a concentração de sal e algas aumenta.

Na estação chuvosa (julho a outubro), a água doce das chuvas dilui o lago, tornando a cor menos pronunciada ou até quase inexistente. Altíssimo teor de sal - Superior ao Mar Morto em períodos de seca

O Lago Retba é um dos corpos d’água mais salgados do planeta.

Durante a estação seca, a salinidade pode atingir 380-400 g/L (38-40%), superando frequentemente o Mar Morto (que varia em torno de 34-35% em média). Essa alta concentração resulta da entrada constante de água salgada do Atlântico (por infiltração através das dunas) combinada com elevada evaporação no clima quente e árido da região.

Assim como no Mar Morto, a densidade da água é tão alta que as pessoas flutuam com extrema facilidade, sem esforço, o que atrai turistas para experiências de “flutuação”.

Extração artesanal de sal e o trabalho dos garimpeiros

O lago é explorado há décadas como importante fonte de sal para o Senegal e países vizinhos da África Ocidental. Cerca de 1.000 a 3.000 trabalhadores (homens e mulheres, muitos vindos de outras regiões ou países próximos) extraem o sal manualmente.

Eles entram nas águas salgadas por 6 a 8 horas diárias, usando ferramentas simples para raspar e coletar os cristais do fundo. Para proteger a pele da agressão do sal concentrado (que causa queimaduras e feridas graves), os coletores aplicam generosamente beurre de karité (manteiga de karité), um produto natural extraído das nozes da árvore de karité.

Essa manteiga atua como emoliente e barreira protetora, sendo essencial para evitar danos graves à pele. O sal coletado é empilhado nas margens em grandes montanhas brancas impressionantes, que secam ao sol antes de ser transportado em caminhões ou barcos para distribuição.

Grande parte é usada na conservação de peixes pela indústria pesqueira local, sendo ingrediente fundamental no preparo do thieboudienne, o prato nacional senegalês à base de peixe, arroz e vegetais.

Vida no lago: adaptações extremas

Apesar da salinidade extrema, o Lago Retba abriga algumas formas de vida adaptadas. Além da Dunaliella salina, existem pequenos crustáceos como artêmias e peixes de água salgada que desenvolveram mecanismos fisiológicos para expelir o excesso de sal e manter o equilíbrio osmótico.

Esses peixes tendem a ser significativamente menores (fenômeno chamado nanismo salino) do que espécies semelhantes em ambientes menos salgados. O lago é bastante pequeno, com área aproximada de 3 km² (cerca de 3 km de comprimento por 1 km de largura em média), e sua profundidade máxima raramente ultrapassa 3 metros.

Turismo e importância atual

Nos últimos anos, o Lago Retba tornou-se um dos principais pontos turísticos do Senegal, atraindo visitantes para banhos flutuantes, fotos nas águas cor-de-rosa e observação das montanhas de sal.

Atividades como passeios de quadriciclo pelas dunas próximas e visitas às aldeias dos trabalhadores do sal também são populares. Recentemente, há preocupações com o impacto do turismo excessivo, mudanças climáticas e extração intensiva.

Em períodos de seca prolongada, o nível da água caiu bastante, e alguns anos mostraram coloração menos intensa. Organizações locais e o governo senegalês têm discutido medidas de sustentabilidade para preservar o ecossistema único e garantir que a atividade econômica continue sem esgotar o recurso.

O Lago Retba permanece um exemplo fascinante de como a natureza cria paisagens e condições extremas, transformando um pequeno lago costeiro em um fenômeno natural e econômico único na África Ocidental.


Não a Religião



Quando me libertei do conforto da religião

Fui criado por pessoas que me diziam que tudo o que acontece é por vontade de Deus - e, quando as coisas não davam certo, simplesmente era chamado de “plano de Deus”.

Essa explicação era reconfortante na superfície: oferecia respostas prontas para o sofrimento, a injustiça e o imprevisível da vida. Mas, mesmo criança, eu já carregava questionamentos profundos.

Desde o jardim de infância, a grande questão que me incomodava era a justiça. Como poderia ser justo que minha salvação eterna dependesse da religião na qual nasci por acaso?

Se eu tivesse sido criado em outra fé - muçulmana, hindu, budista ou em nenhuma -, teria a mesma chance de “ir para o céu” que um cristão? Por que um Deus amoroso e onisciente condicionaria a eternidade a uma loteria geográfica e cultural?

Essas perguntas não vinham de rebeldia, mas de uma busca genuína por coerência e equidade no mundo. Quando finalmente me desprendi daquele suposto “conforto” religioso, não vivi isso como uma perda da fé.

Pelo contrário: foi uma descoberta de mim mesmo. Percebi que não precisava de uma autoridade externa para me guiar ou me consolar. Eu tenho convicção plena de que sou capaz de enfrentar qualquer situação, de aprender com os erros, de me reerguer das quedas e de construir sentido a partir das minhas próprias escolhas.

Há uma paz profunda - quase libertadora - na compreensão de que tenho apenas uma vida, aqui e agora. Não há ensaio, não há recompensa póstuma garantida, não há plano divino que justifique o sofrimento ou absolva a responsabilidade.

Sou o único responsável por ela: pelas minhas ações, pelas relações que cultivo, pelo impacto que deixo no mundo e pela forma como enfrento o inevitável fim. Essa perspectiva não traz desespero; traz urgência e valorização. Cada momento ganha peso real.

O amor, a empatia, a busca por justiça, a criação de beleza ou de conhecimento - tudo isso se torna mais precioso exatamente porque é finito e porque depende de nós.

Não há mais espaço para culpar um “plano maior” pelas falhas humanas ou pelas injustiças sociais; cabe a nós, humanos imperfeitos, corrigi-las. Essa ideia ecoa reflexões que Brad Pitt expressou em entrevistas ao longo dos anos.

Criado em um lar batista conservador no Missouri, ele também questionou o “plano de Deus” quando as coisas não se resolviam como esperado, e chegou a uma visão semelhante: a religião pode oferecer conforto temporário, mas a verdadeira autonomia surge quando assumimos o leme da própria existência.

No fim das contas, não se trata de rejeitar toda espiritualidade ou conexão com algo maior - muitos encontram isso na natureza, na humanidade ou na arte. Trata-se de recusar dogmas que diminuem nossa agência.

Quando paramos de esperar por respostas prontas do alto, começamos a construir as nossas próprias. E nisso reside uma das liberdades mais poderosas que um ser humano pode experimentar.

quinta-feira, fevereiro 19, 2026

A Queda do voo LANSA 508 - A única sobrevivente foi Juliane Koepcke



A Queda do Voo LANSA 508 - A incrível sobrevivência de Juliane Koepcke

O voo LANSA 508 foi um voo doméstico regular de passageiros operado pela companhia peruana Líneas Aéreas Nacionales Sociedad Anónima (LANSA). Ele partiu do Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima, no dia 24 de dezembro de 1971 (véspera de Natal), com destino a Iquitos, no Peru, com uma parada programada em Pucallpa.

A aeronave era um Lockheed L-188A Electra, um turboélice de quatro motores capaz de transportar até cerca de 100 pessoas. A bordo estavam 86 passageiros e 6 tripulantes, totalizando 92 ocupantes.

Entre eles, estavam a adolescente alemã-peruana Juliane Koepcke, de 17 anos, que havia acabado de se formar no ensino médio, e sua mãe, Maria Koepcke, uma ornitóloga.

Elas viajavam para se reunir com o pai de Juliane, Hans-Wilhelm Koepcke, biólogo que trabalhava em uma estação de pesquisa na Amazônia peruana. Após cerca de 25 a 40 minutos de voo, a aproximadamente 21.000 pés (cerca de 6.400 metros) de altitude, o avião entrou em uma zona de forte turbulência, trovoadas intensas e raios.

Apesar das condições meteorológicas perigosas visíveis à frente e dos alertas, a tripulação optou por continuar o voo - possivelmente pressionada pelo cronograma apertado das festas de fim de ano e pela reputação questionável da LANSA em cumprir horários.

Por volta das 12h36, um raio atingiu diretamente a asa direita da aeronave, incendiando um dos tanques de combustível. A asa se desprendeu em seguida, causando uma falha estrutural catastrófica: a fuselagem começou a se desintegrar em pleno ar.

O avião entrou em um mergulho descontrolado e caiu na densa floresta amazônica, na região de Puerto Inca, Peru. O acidente matou 91 das 92 pessoas a bordo - todos os 6 tripulantes e 85 passageiros.

Foi considerado o pior desastre aéreo causado por um raio na história da aviação. A única sobrevivente foi Juliane Koepcke. Presa ao seu assento (parte de uma fileira de três), ela caiu de uma altura de cerca de 3.000 metros (aproximadamente 10.000 pés) ainda amarrada ao banco.

Durante a queda, ela perdeu a consciência, mas o impacto foi amortecido pela copa das árvores da floresta, que funcionou como uma "rede" natural. Ao acordar no dia seguinte (Natal de 1971), ela estava sozinha no meio da selva, com ferimentos como clavícula quebrada, um corte profundo no braço direito, lesão no olho, concussão cerebral e um ligamento rompido no joelho.

Milagrosamente, suas lesões não eram fatais e permitiram que ela caminhasse. Juliane usou conhecimentos básicos de sobrevivência aprendidos com os pais (que viviam em uma estação de pesquisa na selva): seguiu o curso de um riacho (sabendo que ele levaria a civilização), evitou beber água parada.

Alimentou-se inicialmente de doces encontrados nos destroços e lidou com insetos, chuva e frio noturno vestindo apenas um vestido curto sem mangas e com um único sapato (o outro foi perdido na queda).

Sem óculos, sua visão estava prejudicada. Após 11 dias de caminhada exaustiva pela selva, sofrendo alucinações e enfraquecimento, ela encontrou uma cabana de caçadores/madeireiros.

Exausta e infectada por larvas de mosca no ferimento, foi encontrada por três lenhadores locais, que a trataram minimamente, a levaram de canoa por um rio e a entregaram a um piloto local, que a transportou de avião até um hospital em Pucallpa.

Investigações oficiais peruanas apontaram como causa principal o voo intencional em condições meteorológicas perigosas, criticando a decisão da tripulação e a manutenção questionável da companhia.

Onze dias após o acidente, a LANSA teve sua licença de operação cassada e encerrou as atividades em 1972. Curiosamente, esse não foi o primeiro grave incidente da empresa: em 9 de agosto de 1970, o voo LANSA 502 (também um Lockheed Electra) caiu logo após a decolagem de Cuzco, matando 99 das 100 pessoas a bordo (incluindo 2 em solo).

Apenas o copiloto sobreviveu, gravemente ferido. Sobre sobreviventes adicionais: Algumas fontes indicam que até 14 passageiros (incluindo a mãe de Juliane) sobreviveram inicialmente à queda, mas morreram nos dias seguintes devido a ferimentos graves, falta de socorro e condições da selva, enquanto aguardavam resgate que nunca chegou a tempo.

A história de Juliane Koepcke ganhou fama mundial. Em 1974, foi lançado o filme mexicano "Miles de Millas por la Selva" (conhecido como "Dez Dias de Agonia" ou "Ten Days of Agony" em algumas traduções).

Em 1998, o renomado diretor Werner Herzog dirigiu o documentário "Wings of Hope" ("As Asas da Esperança"), no qual acompanhou Juliane de volta ao local do acidente.

Em 2011, ela publicou suas memórias: "Als ich vom Himmel fiel" (em alemão, pela Piper Verlag), lançado em inglês como "When I Fell from the Sky" (When I Fell from the Sky). O caso também foi destaque no episódio "Clima Extremo" da série "Catástrofes Aéreas" (Air Crash Investigation) do Discovery Channel.

Juliane se formou em biologia, seguiu a carreira dos pais e hoje é uma bióloga respeitada no Peru, casada e mãe. Sua história continua sendo um dos relatos mais impressionantes de sobrevivência na história da aviação e da selva amazônica.


Juliane Koepcke unica sobrevivente

Helena dos Santos – Compositora de Roberto Carlos



Helena dos Santos Oliveira, conhecida simplesmente como Helena dos Santos, foi uma compositora brasileira nascida em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, no dia 7 de janeiro de 1922. Ela se tornou famosa principalmente por suas composições gravadas pelo cantor Roberto Carlos, o "Rei" da música brasileira, com quem manteve uma longa e frutífera parceria artística.

Vida e superação

Helena dos Santos foi uma mulher do povo, humilde e resiliente, que enfrentou inúmeras dificuldades ao longo da vida, mas soube transformar suas dores e experiências em letras e melodias marcantes.

Filha de Francisco dos Santos e Maria Amália dos Santos, cresceu em condições precárias. Ainda criança, perdeu a mãe e passou a viver com a madrasta até os 11 anos de idade.

Aos 12 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro junto com uma irmã e o cunhado, em busca de melhores oportunidades. No Rio, começou a trabalhar cedo: primeiro em uma fábrica de tecidos e depois em uma loja de confecções masculinas na Rua Frei Caneca, onde aprendeu a costurar.

Um grave acidente de trem a deixou quase dois anos sem trabalhar, mas, recuperada, ela se empregou como doméstica. Aos 17 anos, conheceu Lauro de Oliveira, um jovem de Cabo Frio que havia trabalhado na mesma fábrica que ela.

Os dois se namoraram, casaram-se e tiveram seis filhos. Tragicamente, doze anos depois, Lauro faleceu, deixando Helena viúva e grávida do sexto filho. Em situação de extremo desamparo financeiro, ela precisou se virar sozinha para sustentar a família.

Após um período fazendo faxinas, voltou à máquina de costura e passou a confeccionar roupas sob medida para clientes de bairros nobres como Copacabana, Ipanema e Leblon, trabalhando muitas vezes até altas horas da madrugada.

Com apenas o ensino primário concluído em sua cidade natal, Helena não dominava as regras gramaticais formais, mas aprendeu noções de composição, rimas e estrutura de canções com o marido Lauro, que a incentivava artisticamente.

A entrada no mundo da música

Nos anos 1960, o rock e a Jovem Guarda dominavam a cena musical brasileira, especialmente entre os jovens. Inspirada pelo movimento, Helena decidiu compor no estilo da época. Em 1963, finalizou sua primeira música, "Na Lua Não Há", uma canção leve e romântica que questionava se haveria "um broto legal" até na Lua.

Determinada, a ex-faxineira e costureira começou uma verdadeira batalha para encontrar um intérprete. Após muita insistência, durante uma visita à Rádio Nacional, conseguiu apresentar a composição ao então iniciante Roberto Carlos.

Ele gostou imediatamente da música e decidiu gravá-la no mesmo ano, incluída em seu LP de estreia, Splish Splash (1963). Foi o início de uma parceria de sucesso e de uma amizade sincera que durou décadas.

Roberto Carlos gravou ao todo cerca de dez composições de Helena dos Santos, incluindo sucessos como: "Na Lua Não Há" (1963), "Meu Grande Bem" (1964), "Como É Bom Saber" (1965), "Sorrindo Para Mim" (1965), "Esperando Você" (1966), "Fiquei Tão Triste" (1966), "Agora Eu Sei" (1972, em parceria com Epitácio Magalhães). E outras, com três delas em coautoria com o compositor Edson Ribeiro.

Roberto considerava que Helena lhe trazia "sorte", e as músicas dela ajudaram a consolidar seu estilo romântico e jovem nos anos iniciais da carreira. Com os direitos autorais recebidos, Helena conseguiu melhorar de vida: mudou-se com os filhos para um apartamento no Horto Florestal e também morou em Bangu, no Rio de Janeiro.

Em 1970, publicou o livro O Rei e Eu, serializado em capítulos pela revista Contigo. Nele, ela relatava detalhes da amizade com Roberto Carlos, revelando momentos pessoais, confidências e o impacto que a parceria teve em sua vida.

Legado e falecimento

Helena dos Santos faleceu no Rio de Janeiro em 23 de outubro de 2005, aos 83 anos, em sua residência em Bangu. Apesar de sua trajetória inspiradora - de doméstica e costureira a compositora de hits do maior ídolo da música brasileira -, ela permanece pouco lembrada pelo grande público, o que é uma injustiça diante de sua contribuição à Jovem Guarda e ao cancioneiro popular.

Sua história é um exemplo de superação, talento nato e persistência, mostrando como uma mulher simples, sem formação acadêmica formal na música, pode deixar um legado duradouro ao transformar vivências pessoais em canções que tocaram gerações.

quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Olhar interior



 “O olhar interior transforma tudo e confere a cada coisa o complemento de beleza que lhe falta para que se torne verdadeiramente digna de nos agradar.” - Charles Baudelaire, Os Paraísos Artificiais (1860)

Essa frase surge em um contexto tão polêmico quanto fascinante. Em Os Paraísos Artificiais, Baudelaire analisa os estados alterados de consciência provocados pelo haxixe - e, em menor medida, pelo ópio - não como simples experiências recreativas, mas como fenômenos estéticos e psicológicos.

Seu interesse não está apenas na droga em si, mas no modo como ela afeta a percepção, amplia os sentidos e desperta aquilo que ele chama de l’œil intérieur - o “olho interior”.

Sob a influência do haxixe, segundo Baudelaire, o sujeito experimenta uma espécie de transfiguração universal. Objetos triviais, paisagens comuns ou até situações desagradáveis ganham uma intensidade estética extraordinária.

As cores parecem mais vibrantes, os sons mais profundos, as ideias mais luminosas. O que antes parecia imperfeito ou feio recebe um “suplemento de beleza” imaginado pela mente exaltada. Tudo se reveste de significação. Tudo se torna digno de contemplação.

Ele chega a afirmar que, nesse estado, “tudo se torna matéria para gozo”. O indivíduo sente-se engrandecido, quase soberano em sua própria percepção, como um rei solitário em sua convicção íntima.

Há, contudo, uma ambiguidade: esse sentimento de superioridade pode ser também uma ilusão narcísica, uma exaltação temporária que dissolve os limites entre o real e o imaginado.

Essa reflexão conecta-se profundamente à estética baudelairiana como um todo, especialmente à visão apresentada em As Flores do Mal. Para Baudelaire, a beleza nunca é apenas objetiva ou puramente exterior.

Ela nasce da tensão entre o mundo e a consciência que o percebe. O poeta não é um simples observador; ele é um transfigurador. Sua função é extrair do real uma dimensão oculta, revelar correspondências invisíveis, encontrar o sublime até mesmo no decadente.

O “olhar interior” é, portanto, uma potência criadora. Ele não apenas vê - ele recria. Completa o mundo com aquilo que lhe falta: harmonia, intensidade, mistério, idealidade.

Essa capacidade não depende necessariamente de substâncias externas. Ao contrário, Baudelaire sugere que o verdadeiro artista possui naturalmente esse dom. A imaginação disciplinada, a sensibilidade cultivada e a recusa do prosaico são suficientes para despertar essa visão ampliada.

Ao mesmo tempo, Os Paraísos Artificiais não é uma apologia ingênua das drogas. Baudelaire reconhece os riscos: a dependência, o enfraquecimento da vontade, a perda da autonomia criativa. Para ele, o haxixe oferece apenas uma caricatura do gênio - uma simulação de inspiração.

O que a droga concede de forma artificial e efêmera, o artista autêntico deve conquistar por meio do esforço e da lucidez. Em sentido mais amplo, essa reflexão antecipa discussões modernas sobre subjetividade, arte e percepção.

A psicologia contemporânea, a fenomenologia e até a neurociência confirmariam, séculos depois, que a percepção não é um espelho passivo da realidade, mas uma construção ativa da mente.

O belo não está simplesmente nas coisas; ele emerge da relação entre o objeto e o olhar que o interpreta. Assim, o “olhar interior” pode ser entendido como uma metáfora poderosa para a imaginação humana.

Ele nos lembra que o mundo não é apenas aquilo que vemos, mas também aquilo que somos capazes de acrescentar a ele. A realidade pode ser árida, imperfeita ou banal - mas a consciência criadora tem o poder de insuflar sentido, profundidade e beleza onde antes havia apenas indiferença.

Talvez seja essa a grande lição de Baudelaire: não precisamos transformar o mundo exterior para que ele nos agrade; precisamos, antes, transformar o modo como o contemplamos.

Vou para casa



“Dizem que cada átomo do nosso corpo já fez parte de uma estrela. Talvez eu não vá embora - talvez eu vá para casa.”

Essa frase carrega uma das ideias mais belas e vertiginosas da ciência moderna: somos, literalmente, poeira de estrelas. Os elementos químicos que compõem o nosso corpo - carbono, oxigênio, ferro, cálcio - não surgiram na Terra. Eles foram forjados no interior de estrelas que viveram e morreram bilhões de anos antes do nascimento do Sol.

No início do universo, após o Big Bang, existiam basicamente hidrogênio e hélio. As estrelas surgiram como imensas fornalhas cósmicas, onde a fusão nuclear transformava esses elementos simples em outros mais complexos.

No coração dessas estrelas, sob temperaturas e pressões inimagináveis, nasceram os átomos que hoje formam nossos ossos, nosso sangue, nossa pele.

Quando estrelas massivas chegaram ao fim de sua vida, explodiram em espetaculares supernovas, espalhando pelo espaço os elementos que haviam criado. Essas nuvens de matéria enriqueceram o cosmos e, muito tempo depois, deram origem a novos sistemas estelares - incluindo o nosso, há cerca de 4,6 bilhões de anos.

O próprio Sol é filho de estrelas antigas. E a Terra, formada a partir da poeira cósmica que orbitava essa jovem estrela, herdou os elementos sintetizados em gerações anteriores de astros.

Assim, cada átomo de ferro em nosso sangue pode ter sido forjado no núcleo de uma estrela gigante; cada átomo de cálcio em nossos ossos pode ter viajado pelo espaço interestelar antes de se tornar parte de nós.

A famosa frase “Somos feitos de poeira das estrelas”, popularizada pelo astrônomo Carl Sagan na série Cosmos, traduz essa realidade científica com poesia. Não se trata apenas de metáfora - é fato físico.

Diante disso, a ideia de morte ganha uma dimensão diferente. Se cada átomo que nos compõe já pertenceu a estrelas antigas, e se após nossa morte esses mesmos átomos retornarão ao ciclo da matéria, então talvez “ir embora” não seja exatamente desaparecer.

 Talvez seja apenas mudar de forma. A matéria não se perde; ela se transforma. Nesse sentido, a frase “talvez eu vá para casa” sugere uma reconciliação cósmica.

A morte deixa de ser apenas ruptura e passa a ser retorno - retorno ao grande ciclo universal da matéria e da energia. O que hoje é corpo, amanhã pode ser solo, planta, ar, outro ser vivo. E, em escala ainda maior, poderá integrar novamente processos cósmicos que estão além da nossa imaginação.

Essa perspectiva não elimina o sofrimento humano diante da perda, mas oferece uma forma de consolo filosófico. Ela amplia nossa identidade: não somos apenas indivíduos isolados em um planeta remoto; somos continuação de um processo cósmico iniciado há bilhões de anos.

Cada respiração que damos contém átomos que já circularam por oceanos primordiais, por florestas ancestrais, talvez até pelo interior de criaturas extintas. Nosso corpo é uma reunião temporária de partículas antigas, organizadas de maneira única e consciente por um breve instante do universo.

Assim, quando alguém diz: “Talvez eu não vá embora - talvez eu vá para casa”, há nisso uma serenidade profunda. Não se trata de fuga nem de negação da realidade, mas de reconhecimento: pertencemos ao cosmos. Viemos dele. Somos feitos dele. E, inevitavelmente, retornaremos a ele.

Talvez a verdadeira grandeza dessa ideia esteja em perceber que o universo não está lá fora, distante e indiferente. Ele pulsa dentro de nós - em cada célula, em cada átomo, em cada batida do coração.

terça-feira, fevereiro 17, 2026

Morte de Sharon Tate


 

No dia 8 de agosto de 1969, Sharon Tate, atriz de 26 anos conhecida por filmes como O Vale das Bonecas, estava a cerca de duas semanas do parto - grávida de oito meses e meio de seu primeiro filho com o diretor Roman Polanski.

Ela passou a tarde em casa, no número 10050 de Cielo Drive, em Benedict Canyon (Los Angeles), almoçando com duas amigas e desabafando sobre o desapontamento: Polanski, que estava em Londres trabalhando no filme O Dia do Golfinho, havia adiado por alguns dias seu retorno.

À tarde, ele telefonou para ela, assim como as irmãs de Sharon, Debra e Patti, que pediram para passar a noite na casa - pedido que Sharon recusou gentilmente, preferindo descansar.

À noite, Sharon saiu para jantar com amigos no restaurante El Coyote, um lugar mexicano simples e favorito dela em Hollywood. O grupo - composto por Jay Sebring (seu cabeleireiro e ex-namorado), Abigail Folger (herdeira da fortuna do café Folgers) e Wojciech Frykowski (amigo de Polanski e namorado de Folger) - retornou à residência por volta das 22h30.

Na propriedade também estavam o caseiro William Garretson, que morava em uma casa de hóspedes menor e afastada, e seu amigo Steven Parent, um estudante de 18 anos que visitava Garretson.

Nas primeiras horas da madrugada de 9 de agosto, por ordem de Charles Manson - líder de um grupo sectário conhecido como “Família Manson” -, quatro de seus seguidores (todos jovens entre 20 e 23 anos) invadiram a casa: Charles “Tex” Watson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Linda Kasabian (esta última atuando como vigia).

O ataque foi brutal e aleatório em aparência, mas motivado pela obsessão de Manson com uma suposta guerra racial apocalíptica (“Helter Skelter”, inspirada em uma música dos Beatles) e ressentimentos pessoais.

Steven Parent foi o primeiro a morrer: ao tentar sair de carro da propriedade, deparou-se com o grupo e foi baleado quatro vezes por Watson com um revólver .22.

Dentro da casa, os invasores reuniram os moradores na sala de estar. Tate e Sebring foram amarrados pelo pescoço com uma corda jogada sobre uma viga; Sebring foi baleado e esfaqueado sete vezes.

Frykowski tentou fugir pela porta dos fundos, mas foi perseguido, baleado duas vezes, golpeado na cabeça e esfaqueado 51 vezes. Folger também escapou brevemente, mas foi alcançada e esfaqueada 28 vezes.

Sharon Tate, implorando pela vida do bebê, foi esfaqueada 16 vezes (muitas no peito, abdômen e costas), causando hemorragia massiva que matou tanto ela quanto o feto (postumamente chamado Paul Richard Polanski). Susan Atkins usou o sangue de Tate para escrever “PIG” (porco) na porta da frente - um detalhe que chocou a todos.

No total, os cinco corpos apresentaram 102 ferimentos de faca. Na noite seguinte (9 para 10 de agosto), o mesmo grupo, agora com Manson presente e acrescido de Leslie Van Houten e Steve Grogan, invadiu a casa de Leno e Rosemary LaBianca, um casal de donos de mercearia.

Manson amarrou o casal, roubou-os e saiu; os seguidores restantes os esfaquearam repetidamente (Leno sofreu 26 ferimentos, incluindo marcas de garfo; Rosemary, 41), deixando mensagens sangrentas como “DEATH TO PIGS” e “RISE” nas paredes.

As investigações iniciais foram lentas e confusas, mas em outubro de 1969, após a prisão de Manson e parte do grupo por outros crimes (como o assassinato de Gary Hinman), Susan Atkins confessou detalhes em conversas com detentas, levando à identificação dos culpados.

O julgamento de 1970-1971 foi um dos mais midiáticos da história americana, com Manson e seguidoras exibindo comportamentos teatrais (cabeças raspadas, interrupções). Todos foram condenados à morte em 1971.

A revelação de que os crimes foram aleatórios (Manson queria imitar um assassinato anterior e culpar os Panteras Negras) gerou pânico generalizado em Los Angeles. Celebridades e ricos temiam ser alvos; muitos abandonaram a cidade temporariamente, instalaram alarmes sofisticados, contrataram guarda-costas armados e enviaram filhos para fora da Califórnia.

O ator Christopher Jones, amigo próximo de Tate e estrela de A Filha de Ryan, sofreu colapso psicológico e precisou ser dublado por David Lean no filme. Steve McQueen compareceu armado ao funeral de Jay Sebring.

O jornalista Dominick Dunne descreveu o clima: uma “convulsão social” em que paranoia e medo se multiplicaram, alterando permanentemente a vida social de Hollywood - menos festas, mais desconfiança.

Sharon Tate foi sepultada em 13 de agosto de 1969 no Holy Cross Cemetery, em Culver City, com o filho natimorto em seus braços. Anos depois, sua mãe Doris e irmã Patti foram enterradas no mesmo local, compartilhando a lápide.

Em 1972, a Suprema Corte da Califórnia declarou a pena de morte inconstitucional temporariamente, comutando as sentenças para prisão perpétua. Linda Kasabian, que não matou ninguém e atuou como vigia, recebeu imunidade e foi a principal testemunha da acusação, liderada pelo promotor Vincent Bugliosi.

Em 1974, Bugliosi publicou Helter Skelter, relato detalhado do caso que se tornou o livro de true crime mais vendido da história, com mais de 7 milhões de cópias.

Susan Atkins morreu na prisão em 2009 (de câncer). Charles Manson faleceu em 2017 (aos 83 anos). Os demais condenados principais - Tex Watson, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten - tiveram pedidos de liberdade condicional negados por décadas.

Van Houten foi libertada em 2023 após 53 anos presa. Krenwinkel, a mais antiga presa feminina da Califórnia, teve recomendações de liberdade em 2022 e 2025, mas o governador Gavin Newsom vetou ambas, alegando risco à sociedade.

Watson permanece preso. O caso Tate-LaBianca marcou o fim simbólico da era hippie dos anos 1960, revelando as sombras da contracultura e deixando um legado de trauma em Hollywood e na psique americana.

Além do mais


Além disso, assim como o país mais feliz e autossuficiente é aquele que precisa de pouca ou nenhuma importação - pois depende minimamente de fatores externos imprevisíveis -, também o homem mais feliz e verdadeiramente afortunado é aquele cuja riqueza interior lhe basta plenamente e que requer, para seu entretenimento, prazer e sentido na vida, muito pouco ou quase nada do mundo exterior.

Pois semelhante “importação” - ou seja, a busca incessante por estímulos, validações, bens, companhia ou distrações alheias - costuma ser cara demais: cobra alto preço em tempo, energia e tranquilidade; gera dependência de circunstâncias volúveis; expõe a perigos constantes (decepções, traições, perdas, inveja alheia).

Provoca desgosto frequente quando o suprimento externo falha ou se revela inferior ao esperado; e, no fundo, oferece apenas um pobre e instável substituto para aquilo que o próprio “solo” interior poderia produzir em abundância e com autenticidade. Do exterior, dos outros, da sociedade em geral, nunca se pode esperar muito - e, na maioria das vezes, esperar pouco já é prudente.

Os acontecimentos da vida cotidiana confirmam isso de forma implacável: amizades se desfazem por motivos mesquinhos, amores se transformam em indiferença ou rancor, reputações são construídas com esforço e destruídas num instante por fofocas ou mal-entendidos, honrarias e aplausos vêm e vão como modas passageiras, e até as maiores conquistas materiais se mostram insuficientes quando a saúde fraqueja ou o tédio se instala.

A sucessão de eventos - promoções que não trazem paz, viagens que logo se esquecem, festas que deixam vazio maior no dia seguinte - revela sempre a mesma lição: o que vem de fora é transitório, incerto e, em última análise, incapaz de preencher o vazio essencial do ser.

O que alguém pode ser verdadeiramente para outrem tem limites bastante estreitos. Podemos oferecer companhia, apoio temporário, palavras de consolo, risos compartilhados, até mesmo amor - mas nunca podemos habitar a consciência alheia, nem curar suas angústias mais profundas, nem a livrar do confronto inevitável consigo mesma.

No final das contas, cada um permanece só. E então se trata precisamente disso: saber quem está só. Se nessa solidão inevitável encontramos um companheiro interessante, culto, sereno e capaz de se entreter com seus próprios pensamentos, leituras, memórias e criações, então a solidão se torna um refúgio privilegiado.

Se, ao contrário, nela só encontramos tédio, inquietação, remorsos ou um vazio insuportável, então a solidão se transforma em castigo - e é exatamente aí que reside a diferença decisiva entre o homem sábio e o homem comum. Cultivar essa riqueza interior - por meio da reflexão, do estudo, da arte, da observação lúcida da própria mente, do cultivo de um temperamento equilibrado e de uma imaginação fecunda - é, portanto, o maior investimento que se pode fazer.

Ele nos torna menos vulneráveis aos caprichos do destino, menos dependentes das flutuações do mundo social e mais capazes de atravessar, com dignidade e até com uma certa alegria discreta, as inevitáveis tormentas e calmarias da existência.

Essa ideia, tão cara a Schopenhauer, não é um convite ao isolamento misantropo, mas a uma independência serena: saber que o centro da vida está dentro de nós mesmos, e que tudo o mais - por mais atraente que pareça - é, em última instância, acessório.

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Essenciais

 

Primeiro, só serviços essenciais. Depois, só produtos essenciais. Logo, só pessoas "essenciais". Quando você perceber que não está entre os "essenciais" do sistema, não poderá fazer mais nada.

Eliot Ness

Durante a pandemia de COVID-19, que começou em 2020 e se estendeu por anos, governos do mundo inteiro - incluindo o Brasil - adotaram o conceito de "serviços essenciais" e "trabalhadores essenciais" como base para as regras de lockdown e quarentena.

Supermercados, farmácias, hospitais, transporte público, bancos e indústrias de alimentos continuaram funcionando, enquanto bares, academias, salões de beleza, escolas e grande parte do comércio foram fechados por meses.

Milhões de pessoas foram obrigadas a ficar em casa, exceto quem exercia funções consideradas "essenciais" pelo poder público. No Brasil, decretos federais, estaduais e municipais definiram listas de atividades permitidas. Governadores e prefeitos decidiam o que era ou não essencial - muitas vezes de forma arbitrária ou influenciada por pressões econômicas e políticas.

Trabalhadores de aplicativos de entrega, motoristas de ônibus, funcionários de supermercados, médicos, enfermeiros e policiais foram classificados como "essenciais" e tiveram que continuar trabalhando, expostos ao risco de contaminação, sem muitas opções de proteção ou remuneração extra.

Enquanto isso, donos de pequenos negócios, autônomos, artistas, professores particulares e milhões de informais foram impedidos de exercer suas atividades, levando a desemprego em massa, endividamento e aumento da pobreza.

O termo "essencial" ganhou um significado quase orwelliano: quem era "essencial" podia circular, trabalhar e sobreviver economicamente; quem não era, ficava confinado, dependendo de auxílios emergenciais (como o auxílio emergencial de 2020-2021) que, embora ajudaram muita gente, eram temporários e insuficientes para muitos.

A frase "fique em casa" soava nobre para uns, mas para outros significava perda de renda, isolamento forçado e dependência total do Estado ou de familiares. Com o tempo, a distinção se aprofundou: vacinas foram priorizadas para grupos "essenciais" (profissionais de saúde, idosos, forças de segurança), enquanto outros esperavam meses.

Medidas de controle, como passaportes vacinais em alguns lugares, reforçaram a ideia de que certos direitos (trabalhar, viajar, entrar em espaços públicos) dependiam de cumprir critérios impostos pelo sistema.

Quem não se enquadrava - por escolha, desconfiança ou barreiras de acesso - era marginalizado. Essa lógica de "essencialidade" revelou algo mais profundo: em momentos de crise, o sistema decide quem importa e quem pode ser descartado ou controlado.

Trabalhadores de baixa renda, muitas vezes negros, pobres ou periféricos, foram os mais expostos e os que mais morreram proporcionalmente, enquanto elites podiam se isolar em casas confortáveis ou trabalhar remotamente.

A pandemia acelerou uma tendência que já existia: a concentração de poder nas mãos de quem define o que é "essencial" - governos, grandes corporações e instituições internacionais.

Quando o próximo evento de controle global chegar (seja outra pandemia, crise climática, ciberataque ou instabilidade econômica), a pergunta será a mesma: você estará na lista dos "essenciais"?

Ou será daqueles que, sem permissão oficial, não poderão fazer mais nada - nem trabalhar, nem se locomover livremente, nem exercer direitos básicos? A frase atribuída a Eliot Ness (o famoso agente que combateu Al Capone na era da Lei Seca nos EUA) serve como alerta: em tempos de restrição, o que começa como medida de "proteção" pode evoluir para um mecanismo de exclusão e dominação.

A pandemia nos mostrou na prática como isso funciona. Cabe a cada um refletir: quem define o essencial? E o que acontece quando você deixa de ser?

Bill Gates: Antivírus ou vírus?

 

Depois da pandemia de COVID-19, o mundo nunca mais será o mesmo. Esse vírus, que para muitos parece ter origens questionáveis e possivelmente manipuladas em laboratório, tem sido usado politicamente por aqueles que buscam maior controle sobre as populações comuns do planeta.

Em 2015, durante uma famosa palestra no TED em Vancouver (Canadá), Bill Gates alertou o mundo sobre os riscos de uma grande pandemia. Ele disse: "Se alguma coisa for capaz de matar mais de 10 milhões de pessoas nas próximas décadas, é provável que seja um vírus altamente infeccioso, e não uma guerra".

Gates enfatizou que não eram mísseis, mas micróbios que representavam o maior risco de catástrofe global, e criticou a falta de preparação mundial, comparando-a à ausência de um sistema equivalente aos exercícios militares para pandemias.

Ele mencionou lições da epidemia de Ebola (2014-2016) e defendeu investimentos em pesquisa de vacinas, simulações e treinamento de profissionais de saúde.

Em outra ocasião, em 2018, Gates expressou preocupação com o rápido crescimento populacional em países pobres da África, segundo relatório da sua fundação e entrevistas (como à Reuters e ao Financial Times).

Ele destacou que o aumento demográfico poderia ameaçar os avanços na redução da pobreza e na saúde global, defendendo investimentos em saúde, educação e acesso a métodos de planejamento familiar para equilibrar esse crescimento.

Será mera coincidência que, poucos anos depois, em 2019-2020, o mundo enfrentasse a pandemia de SARS-CoV-2 (o coronavírus causador da COVID-19)?

O vírus se espalhou rapidamente, causando milhões de mortes (mais de 7 milhões confirmadas globalmente até agora, com estimativas maiores considerando excessos de mortalidade), lockdowns em massa, crises econômicas e mudanças profundas nos hábitos sociais e políticos.

Bill Gates é visto por muitos como um grande filantropo, através da Bill & Melinda Gates Foundation, que investe bilhões em saúde global, erradicação de doenças e vacinas.

No entanto, críticos e teorias da conspiração o acusam de promover agendas de despovoamento mundial, especialmente por causa de investimentos em empresas farmacêuticas e apoio a programas de vacinação em massa.

Uma fala dele em 2010 (em outro TED Talk sobre mudanças climáticas) foi frequentemente tirada de contexto: ele mencionou que avanços em vacinas, saúde e serviços reprodutivos poderiam ajudar a reduzir o crescimento populacional em até 10-15% (por meio da queda na mortalidade infantil, levando famílias a terem menos filhos), mas não defendeu redução forçada ou eliminação de pessoas.

A pandemia trouxe à tona muitas questões "esquisitas": restrições de liberdade, vigilância digital, aceleração de tecnologias como vacinas de mRNA, e um foco intenso em medidas de controle populacional.

Para alguns, o vírus serve como cortina de fumaça para agendas maiores de controle global, incluindo a chamada "Grande Reinicialização" ou transformações econômicas e sociais.

No Brasil, a situação da saúde pública sempre foi precária. Décadas de governos deixaram hospitais sucateados, com falta crônica de leitos de UTI, equipamentos, medicamentos e profissionais qualificados. O SUS, apesar de ser um sistema admirado internacionalmente por sua abrangência, sofria com subfinanciamento e má gestão.

Quando a pandemia chegou, em 2020, governadores e prefeitos de repente passaram a priorizar "salvar vidas" acima de tudo: decretaram lockdowns, fecharam comércios, suspenderam aulas e investiram bilhões em hospitais de campanha e compra de insumos.

Muitos questionam se essa repentina preocupação foi genuína ou se serviu para justificar medidas autoritárias, endividamento público e transferência de recursos.

A pandemia no Brasil foi especialmente trágica: o país registrou mais de 700 mil mortes oficiais por COVID-19 (um dos maiores números absolutos do mundo), com colapso de sistemas de saúde em cidades como Manaus (2021), atrasos na vacinação inicial e intensos debates políticos sobre tratamentos, máscaras e isolamento.

Não sei exatamente onde tudo isso vai parar, mas parece claro que estamos em um período de grandes transformações - e muitas delas não parecem apontar para algo positivo para as pessoas comuns.

O que vem a seguir pode envolver mais controle, menos liberdades individuais e uma redefinição profunda da sociedade. Cabe a cada um refletir e questionar o que está por trás dessas mudanças.