Não chore, minha pequena. A noite também passará.
Sei que a
ferida dói hoje. Sei que há dias em que até respirar parece difícil, e que
algumas tristezas se tornam tão profundas que parecem não ter fim. Mas nenhuma
noite é eterna.
Mesmo quando não
conseguimos enxergar, a manhã continua a se aproximar, silenciosamente,
trazendo consigo a possibilidade de um pouco de calma.
Seus olhos
guardam histórias que talvez ninguém tenha sabido compreender. Há dores
escondidas atrás de alguns silêncios, lembranças que você carrega sozinha e
sonhos que, por algum motivo, ficaram pelo caminho.
Mas existe, no
fundo da sua alma, uma força que a tristeza ainda não conseguiu destruir: a
capacidade de amar, de sentir, de acreditar e, sobretudo, de recomeçar.
Quero velar
pelos seus passos, não para escolher o caminho por você, mas para saber que
não precisa atravessar todos os seus dias sentindo-se sozinha. Quero ajudá-la a
encontrar um motivo para seguir em frente e, quem sabe, recolher com você os
pedaços daquele sonho que a vida deixou espalhados pelo chão.
Venha.
Aqui existe um
abraço sincero, sem promessas vazias e sem palavras bonitas ditas apenas para
aliviar uma dor momentânea. Existe apenas afeto verdadeiro – aquele que não
exige, não aprisiona e não cobra.
Um carinho que
nasce do coração e que entende que, às vezes, tudo o que precisamos é de alguém
disposto a permanecer por perto enquanto encontramos novamente o nosso próprio
caminho.
Não chore, minha
pequena. Você não nasceu para permanecer caída.
Você pode cair.
Todos nós podemos. Há momentos em que a vida nos derruba de maneiras que jamais
imaginamos. Mas cair não significa fracassar, assim como sentir dor não
significa ser fraca. Às vezes, é justamente depois das maiores tempestades que
descobrimos uma força que nunca imaginamos possuir.
Após tanta
tristeza, talvez também seja hora de renascer.
Não precisa ter
pressa. Não precisa fingir que está bem. Cure-se no seu próprio tempo.
Reaprenda a sorrir quando o sorriso voltar naturalmente. Permita-se chorar
quando as lágrimas precisarem sair. E, quando chegar o momento, levante-se
devagar, respire fundo e perceba que ainda existe vida esperando por você.
Se um dia
decidir me dar a sua mão, caminharei ao seu lado.
Não prometo que
poderei apagar suas dores, porque ninguém tem esse poder. Mas posso oferecer
presença, escuta, respeito e sinceridade. Posso caminhar com você enquanto
houver espaço para os nossos passos compartilharem a mesma estrada.
E, se preferir
seguir o seu próprio caminho, também respeitarei sua escolha. Ainda assim,
desejarei vê-la feliz. Porque amar alguém também é compreender que essa pessoa
não nos pertence. É desejar sua felicidade mesmo quando o caminho dela não
coincide com o nosso. É oferecer a mão sem transformar o gesto em uma corrente.
Então, não chore
para sempre, minha pequena. A noite passará.
E quando a manhã
chegar, talvez você descubra que não precisava voltar a ser quem era antes da
dor. Talvez precisasse apenas descobrir quem poderia se tornar depois dela.
E talvez, no primeiro raio de sol, perceba
que ainda há sonhos para reconstruir, caminhos para percorrer e uma vida
inteira esperando para ser vivida.









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