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terça-feira, janeiro 06, 2026

Memória



Todas as pessoas desejam, de alguma forma, deixar vestígios para a posteridade. Um sinal mínimo de que passaram por aqui. Uma marca, ainda que discreta, que resista ao esquecimento.

Há muito se repete a velha história do livro, do filho e da árvore, o trio simbólico que, supostamente, nos garantiria uma espécie de imortalidade. Escreva um livro, plante uma árvore, tenha um filho.

Como se essas três ações fossem suficientes para driblar o tempo e assegurar permanência num mundo que insiste em apagar tudo. Mas filhos crescem e se perdem no mundo, seguindo caminhos que já não nos pertencem.

Árvores são cortadas, queimadas ou tombam silenciosamente com o avanço dos anos. Livros, mesmo os mais bem-intencionados, acabam esquecidos em prateleiras empoeiradas ou mofam em sebos, aguardando leitores que talvez nunca cheguem.

O tempo é implacável com as obras humanas. Ele corrói a matéria, dissolve os nomes e transforma feitos grandiosos em notas de rodapé. Nada do que é físico parece realmente preparado para durar.

Talvez, então, a verdadeira permanência não esteja nas coisas que deixamos, mas nas pessoas que tocamos. A única forma de imortalidade que resiste, de fato, é a memória guardada por aqueles que nos amaram. Um gesto lembrado, uma palavra que ficou, um afeto que se recusa a desaparecer.

Enquanto alguém se lembrar de nós com ternura, seguimos existindo, não nos livros, nem nas árvores, nem nos sobrenomes herdados, mas no território frágil e poderoso da lembrança. E talvez seja ali, nesse espaço invisível e humano, que a eternidade encontre seu único abrigo.

Waldyr Sant'anna - Ator e Dublador



Quem assistiu à novela Roque Santeiro, exibida pela Rede Globo entre 24 de junho de 1985 e 22 de fevereiro de 1986, certamente se lembra de Terêncio Apolinário, o fiel e temido capataz do “coronel” Sinhozinho Malta, magistralmente interpretado por Lima Duarte.

O personagem, marcado por obediência cega, rigidez moral e presença constante, ganhou força dramática graças à atuação segura e expressiva de Waldyr Sant’anna, que soube imprimir humanidade e tensão a um papel secundário, mas fundamental na engrenagem da trama.

Para muitos, esse foi o melhor papel de sua carreira na televisão. Ainda assim, Waldyr Sant’anna construiu uma trajetória muito mais ampla e diversa, consolidando-se como um artista completo, tanto diante das câmeras quanto atrás dos microfones.

Nascido no Rio de Janeiro, em 26 de novembro de 1936, Waldyr iniciou sua carreira artística em São Paulo, em 1956, como disc jockey na Rádio Excelsior. Posteriormente, trabalhou também na Rádio Nacional de São Paulo, onde desenvolveu sua voz marcante, dicção precisa e sensibilidade interpretativa, qualidades que mais tarde o tornariam um dos grandes nomes da dublagem brasileira.

Na televisão, participou de diversas telenovelas de sucesso, entre elas Água Viva, Rosa Baiana, Sol de Verão, Guerra dos Sexos, O Salvador da Pátria e Suave Veneno. Em Roque Santeiro, de Dias Gomes, eternizou o personagem Terêncio, o jagunço leal e silencioso de Sinhozinho Malta, figura emblemática da teledramaturgia nacional.

Também integrou o elenco de Baila Comigo, interpretando Jandir; da minissérie Sex Appeal, como Jonas; e da novela Corpo a Corpo, no papel de Agildo. Já em 2007, fez uma participação especial em Sete Pecados, vivendo um juiz de boxe, demonstrando, mais uma vez, sua versatilidade artística.

Paralelamente à carreira como ator, Waldyr Sant’anna tornou-se um dos mais reconhecidos dubladores do Brasil. Seu trabalho mais famoso foi dar voz a Homer Simpson, no desenho Os Simpsons, personagem com o qual ficou profundamente associado pelo público.

Também dublou Eddie Murphy em diversos filmes, além de emprestar sua voz a inúmeros personagens do cinema e da televisão. Na Globo, participou ainda de vários programas e seriados, como Linha Direta, o seriado Mulher e o infantojuvenil Sítio do Picapau Amarelo, durante a década de 1980, onde deu voz ao personagem Vidro Azul.

Realizou também narrações no seriado Juba e Lula, reforçando sua presença constante na programação da emissora. Em reconhecimento à sua contribuição para a dublagem brasileira, foi homenageado em 2006 no Prêmio Yamato de Dublagem, conhecido como o “Oscar da Dublagem”, ao lado dos dubladores Peterson Adriano e Selma Lopes, um tributo à excelência e longevidade de sua carreira.

Waldyr Sant’anna faleceu em 21 de abril de 2018. À época, surgiram especulações sobre problemas relacionados ao álcool, mas tais informações foram prontamente desmentidas por seus familiares.

Sabe-se que, em 2012, o ator havia enfrentado problemas cardíacos e passado por procedimentos clínicos, o que fragilizou sua saúde nos anos seguintes. Seu legado permanece vivo na memória afetiva do público brasileiro.

Seja no rosto severo de Terêncio Apolinário, seja na voz inconfundível de Homer Simpson, Waldyr Sant’anna deixou uma marca definitiva na história da televisão e da dublagem no Brasil, um artista discreto, consistente e profundamente talentoso.

segunda-feira, janeiro 05, 2026

ABBA - Grupo sueco de música pop formado em Estocolmo em 1972



O ABBA é um dos grupos mais emblemáticos da história da música pop mundial. Formado em Estocolmo, na Suécia, em 1972, o quarteto era composto por Agnetha Fältskog, Björn Ulvaeus, Benny Andersson e Anni-Frid Lyngstad (Frida).

O nome da banda surgiu de forma simples e direta: um acrônimo criado a partir das iniciais do primeiro nome de cada integrante, solução que acabou se tornando uma das marcas mais reconhecíveis da música popular.

A trajetória do grupo mudou definitivamente em 1974, quando o ABBA venceu o Eurovision Song Contest com a canção Waterloo, no The Dome, em Brighton, no Reino Unido.

A vitória não apenas garantiu à Suécia seu primeiro triunfo no concurso, como também projetou o grupo para o cenário internacional. Até hoje, o ABBA é considerado o participante mais bem-sucedido da história do Eurovision.

A partir desse momento, o quarteto passou a dominar as paradas musicais mundiais, especialmente entre 1974 e 1982. Suas canções eram marcadas por melodias cativantes, refrões memoráveis e letras aparentemente simples, mas emocionalmente eficazes.

O som característico do ABBA se destacava pela harmonia impecável das vozes femininas e pela produção sofisticada, fortemente influenciada pela técnica conhecida como wall of sound, popularizada pelo produtor Phil Spector, embora adaptada ao estilo pop europeu do grupo.

Paralelamente ao sucesso artístico, a vida pessoal dos integrantes também ganhava destaque. Björn Ulvaeus e Agnetha Fältskog se casaram pouco antes da consolidação do quarteto, enquanto Benny Andersson e Frida oficializaram sua união em 1978.

Durante anos, os quatro conciliaram a intensa agenda de gravações, turnês e aparições públicas com a formação de suas famílias, algo pouco comum para bandas pop daquele período.

O impacto comercial das gravações foi extraordinário. O ABBA tornou-se um dos maiores nomes da indústria fonográfica, figurando entre os artistas mais lucrativos da história e consolidando-se como um dos principais sucessos do catálogo da Universal Music Group. Na década de 1970, foi a banda que mais vendeu discos em diversos mercados.

Outro feito notável foi o fato de o ABBA se tornar o primeiro grupo pop europeu a alcançar enorme sucesso em países de língua inglesa fora da Europa, como Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Canadá e, ainda que em menor escala, os Estados Unidos - um território tradicionalmente resistente a artistas não anglófonos.

Entretanto, no auge da fama, os dois casamentos do grupo chegaram ao fim. As separações afetaram profundamente a dinâmica interna e passaram a se refletir diretamente nas letras, que se tornaram mais intimistas, melancólicas e maduras, abordando temas como perda, solidão e desilusão amorosa.

Essa mudança marcou uma nova fase musical, artisticamente mais complexa, mas comercialmente menos explosiva. Com o tempo, o grupo entrou em um declínio gradual de popularidade, o que levou à decisão de encerrar as atividades. Em dezembro de 1982, ocorreu a última aparição pública do quarteto, marcando oficialmente o fim do ABBA como grupo ativo.

Apesar disso, o legado jamais desapareceu. Na década de 1990, o lançamento de álbuns de compilação reacendeu o interesse do público e apresentou a música do ABBA a novas gerações, levando novamente o grupo ao topo das paradas internacionais.

As vendas globais de seus álbuns são estimadas em cerca de 500 milhões de cópias, consolidando o ABBA como um dos artistas mais bem-sucedidos de todos os tempos.

As canções do grupo foram reinterpretadas por inúmeros artistas ao redor do mundo e serviram de base para o musical Mamma Mia!, que se tornou um fenômeno nos palcos e no cinema.

Ícone cultural na Suécia e referência fundamental na expansão do europop, o ABBA abriu caminho para diversos outros grupos do gênero e teve sua importância histórica reconhecida com a entrada no Rock and Roll Hall of Fame.

Mais do que uma banda, o ABBA permanece como um símbolo atemporal da música pop, capaz de atravessar décadas, estilos e gerações sem perder relevância.

 

Analfabeto

 


Sou biólogo e viajo com frequência pela savana do meu país. Entre trilhas de terra vermelha, rios sazonais e árvores que resistem à seca, encontro pessoas que nunca aprenderam a decifrar as letras impressas nos livros.

Não dominam o alfabeto formal, não reconhecem palavras em páginas encadernadas. Ainda assim, sabem ler - e leem com precisão admirável. Eles leem o chão, interpretando pegadas quase invisíveis; leem o vento, pressentindo mudanças no tempo; leem o silêncio dos animais e o murmúrio das folhas.

Leem o céu, reconhecendo sinais de chuva, de estiagem, de perigo e de abundância. Cada gesto, cada pausa, cada olhar carrega um significado que não se aprende em salas de aula, mas na convivência íntima com a terra e com o tempo.

Nesse universo de outros saberes, percebo o quanto minha formação acadêmica, construída entre laboratórios e livros científicos, é insuficiente. Trago diplomas, conceitos, métodos e classificações, mas tropeço diante de conhecimentos que não cabem em gráficos ou artigos.

Sou incapaz de compreender plenamente a linguagem da savana, a sabedoria transmitida de geração em geração sem jamais ser escrita.

Ali, onde a vida se organiza por sinais ancestrais, sou eu quem não sabe ler. Sou eu o analfabeto, limitado por um tipo de alfabetização que ignora outras formas de inteligência e de entendimento do mundo.

Aprendo, então, que o verdadeiro saber não se mede pela quantidade de palavras conhecidas, mas pela capacidade de escutar, observar e respeitar aquilo que existe fora dos livros.

Essa inversão de papéis me ensina humildade. Mostra que há múltiplas maneiras de ler a realidade e que nenhuma delas é superior às outras. Há mundos que se escrevem com letras, e há mundos que se escrevem com passos, gestos e silêncios. E, muitas vezes, são esses últimos que dizem mais sobre a vida.

Homenagem inspirada na obra de Mia Couto

domingo, janeiro 04, 2026

Nathan Darren Jones - Boagrius de Troy



Celebridades e seus passados improváveis: trabalhos e vidas antes da fama

Quando pensamos em celebridades, é comum imaginá-las sempre cercadas de glamour, sucesso e reconhecimento. No entanto, muitas delas trilharam caminhos surpreendentes e, em alguns casos, extremamente sombrios, antes de alcançarem a fama.

Alguns tiveram empregos comuns, outros viveram experiências excêntricas, e há aqueles cuja trajetória beira o inacreditável. Um exemplo marcante é o do ator e ex-lutador australiano Nathan Jones, cuja história está muito longe de um começo convencional.

No épico Tróia (2004), Brad Pitt, no papel de Aquiles, enfrenta logo no início do filme um guerreiro gigante, imponente e aparentemente invencível. O adversário é interpretado por Nathan Jones, cuja presença física impressiona imediatamente.

Com quase sete pés de altura - aproximadamente 2,13 metros - e mais de trezentas libras, Jones parecia feito sob medida para interpretar figuras brutais e ameaçadoras, algo que, ironicamente, refletia seu passado.

Antes de se tornar ator e atleta, Nathan Jones era conhecido nos anos 1980 como “o criminoso mais procurado da Austrália”. Apelidado de “O Colossus of Boggo Road”, em referência à famosa prisão de Brisbane, ele construiu uma reputação quase lendária.

Relatos da época descrevem sua força descomunal: Jones arrancava portas de celas das dobradiças e conseguia se livrar das algemas usando apenas as próprias mãos, tornando-se um verdadeiro pesadelo para o sistema prisional.

Ainda muito jovem, antes mesmo de completar vinte anos, Jones já era visto como um “monstro absoluto”, não apenas pelo porte físico, mas pela audácia e violência de seus crimes.

Foi condenado a 16 anos de prisão por cometer oito assaltos à mão armada, uma sentença que parecia selar definitivamente seu destino no mundo do crime. Entretanto, foi justamente na prisão que ocorreu o ponto de virada.

Durante o encarceramento, Nathan Jones passou a dedicar-se intensamente ao esporte e ao treinamento físico, encontrando na disciplina e no esforço diário uma alternativa real ao ciclo de violência.

O exercício tornou-se não apenas uma válvula de escape, mas um projeto de vida, uma forma concreta de imaginar um futuro fora do crime. Após conquistar a liberdade, Jones começou a lutar profissionalmente por dinheiro, utilizando sua força e tamanho de maneira legítima.

Esse caminho o levou ao wrestling profissional, onde ganhou notoriedade internacional, incluindo uma passagem pela WWE entre 2002 e 2003. Paralelamente, seu físico imponente abriu portas no cinema, especialmente para papéis de vilões, guerreiros e figuras intimidadoras.

Com o tempo, o antigo criminoso transformou-se em atleta, ator e homem de família. Jones casou-se, teve um filho e passou a viver como um cidadão cumpridor da lei, distante do passado que um dia o definiu.

A transição é tão radical quanto simbólica: de um dos ladrões de banco mais temidos e procurados de seu país para um profissional respeitado no entretenimento e no esporte.

Essa trajetória singular faz da história de Nathan Jones uma espécie de narrativa moderna de redenção, um exemplo extremo de como escolhas, circunstâncias e oportunidades podem redefinir completamente uma vida.

Mais do que um caso curioso entre celebridades, sua história lembra que a fama, em alguns casos, nasce não apenas do talento, mas da capacidade de reconstrução pessoal.

Nathan Darren Jones, nascido em 21 de janeiro de 1970, permanece como um dos exemplos mais surpreendentes de transformação radical antes da fama, alguém cujo passado sombrio contrasta de forma quase cinematográfica com a imagem que hoje o público conhece.



 

O Teste dos sogros




Faltavam poucos dias para o casamento de Adolfo, e a ansiedade típica dos momentos que antecedem uma grande mudança já rondava seus pensamentos. Em uma tarde aparentemente comum, enquanto conversava na sala, sentado no sofá, foi surpreendido por uma situação completamente inesperada.

A mãe de sua noiva, Sônia, uma mulher de pouco mais de quarenta anos, elegante e segura de si, respirou fundo e, com certo constrangimento, iniciou uma conversa delicada:

- Adolfo, quero que você saiba que sempre te considerei um homem muito atraente - hesitou por um instante. - Estou até sem graça de continuar.

Sem imaginar o rumo que aquilo tomaria, ele respondeu, tentando manter a cordialidade:

- Pode falar, dona Sônia. Fique à vontade.

Ela então foi direta, sem rodeios, deixando-o completamente atônito:

- Antes de você se casar, eu gostaria de ficar com você.

Adolfo ficou imóvel, boquiaberto, tentando processar o que acabara de ouvir. Sônia, percebendo o choque, levantou-se e concluiu com frieza calculada:

- Vou para o quarto. Se quiser ir embora, você sabe onde fica a porta. Se decidir me acompanhar, estarei lá.

Ela saiu, deixando no ar um silêncio pesado. Adolfo permaneceu parado por um breve segundo, tempo suficiente para avaliar tudo o que estava em jogo: seu caráter, seu futuro casamento e os valores que dizia defender.

Sem hesitar mais, levantou-se, caminhou rapidamente até a porta e saiu da casa. Ao se aproximar do carro, encontrou alguém inesperado: seu sogro, encostado calmamente no veículo, com um sorriso satisfeito no rosto.

- Parabéns, Adolfo - disse ele. - Queríamos ter certeza de que você era um homem fiel, honesto e leal à minha filha. E você passou no teste.

Nesse momento, Sônia também apareceu, agora com um semblante aliviado, e cumprimentou o futuro genro, como quem encerra um experimento bem-sucedido.

A tensão se dissipou, dando lugar a um misto de alívio e aprendizado.

Moral da história:

Em certas situações da vida, é melhor estar preparado para o inesperado - e, sobretudo, manter os valores no lugar certo, mesmo quando a tentação bate à porta.

É bem melhor carregar as camisinhas no carro do que no bolso.

sábado, janeiro 03, 2026

As Mulheres


 

A noite de quarta-feira me encontrou no aeroporto, esperando por Íris. Sentei-me e fiquei olhando as mulheres que passavam. Nenhuma delas - só uma ou duas - era tão bonita quanto Íris. Havia algo errado comigo: eu pensava demais em sexo.

Cada mulher que eu via, logo a imaginava na cama ao meu lado. Era um jeito interessante de matar o tempo num aeroporto, melhor que ler jornais velhos ou ouvir anúncios idiotas pelo alto-falante.

Mulheres: eu gostava das cores de suas roupas; do jeito como andavam, com aquela mistura de graça e determinação; da crueldade em algumas faces, aquele olhar que cortava como faca.

De vez em quando, surgia um rosto de beleza quase pura, total e completamente feminina, que me fazia parar e pensar no quanto a vida era uma merda desigual. Elas levavam vantagem sobre nós: planejavam melhor as coisas, eram mais organizadas, mais frias quando precisavam ser.

Enquanto os homens assistiam a futebol, tomavam cerveja ou jogavam boliche, elas, as mulheres, pensavam em nós - concentradas, estudiosas, decididas a nos aceitar, nos descartar, nos trocar, nos matar ou simplesmente nos abandonar.

No fim das contas, pouco importava o que decidissem. Seja lá o que fosse, a gente acabava mesmo na solidão e na loucura, bebendo sozinho à noite, olhando para o teto e imaginando por que tudo sempre dava errado.

Era assim que o mundo girava: sexo, poder, ilusão. E eu, ali no aeroporto, só esperando a próxima dose de caos.

Mulheres, de Charles Bukowski

Esse trecho é do romance Mulheres (Women, 1978), um dos mais famosos de Charles Bukowski. O narrador é Henry Chinaski, o alter ego semi-autobiográfico do autor: um escritor alcoólatra na casa dos 50 anos, cínico, obcecado por sexo, álcool e corridas de cavalos, que vive uma vida marginal em Los Angeles.

No livro todo, Chinaski, após anos de "seca" sexual, começa a atrair dezenas de mulheres - muitas jovens e admiradoras de sua poesia - graças ao sucesso tardio como escritor.

Elas o procuram por cartas, telefonemas ou viagens, fascinadas pelo homem por trás dos textos crus. Ele as recebe, transa com elas, bebe excessivamente, briga, reconcilia e, no fim, as relações sempre desmoronam em ciúmes, violência ou tédio.

Especificamente sobre Íris - uma das muitas amantes no livro -: ela é uma mulher que Chinaski encontra em uma de suas fases de excessos. Ele vai buscá-la no aeroporto após ela viajar, e o encontro leva a mais sexo intenso, bebedeiras e conversas tagarelas (no original, Íris é descrita como falante, o que irrita um pouco Chinaski).

Logo após essa cena, eles vão para casa dele, bebem, transam, e o padrão se repete: atração inicial explosiva seguida de desgaste. Íris não é uma das relações mais longas (como Lydia ou Sara), mas ilustra o ciclo vicioso do livro - mulheres vindo e indo, sempre deixando Chinaski mais vazio, apesar do prazer momentâneo.

O romance é uma confissão brutal sobre desejo masculino, medo de compromisso, alcoolismo e a impossibilidade de conexões reais. Bukowski escreveu isso em uma fase de fama crescente, refletindo sua própria vida cheia de amantes, brigas e ressacas.

Muitos leitores veem misógino à primeira vista, mas outros interpretam como uma crítica honesta à fragilidade humana (de ambos os sexos).

Fogo Santo: A Inquisição e a Arte de Matar sem Sangue



A utilização das fogueiras como forma de execução dos condenados entregues ao braço secular pela Inquisição tornou-se o método mais emblemático da pena capital associada aos tribunais inquisitoriais, embora não tenha sido o único.

Prisão perpétua, confisco de bens, degredo e penitências públicas também figuravam entre as sanções aplicadas. Ainda assim, o fogo consolidou-se como o símbolo máximo do castigo imposto aos considerados hereges, apóstatas ou inimigos da fé.

O significado da fogueira era essencialmente religioso e simbólico. Em uma sociedade profundamente marcada pela religiosidade, que permeava não apenas a população em geral, mas também monarcas, clérigos e senhores feudais, o fogo representava a purificação espiritual.

Queimar o corpo do condenado expressava a ideia de expurgar o pecado, ilustrando a desobediência a Deus e evocando, de forma pedagógica e aterradora, a imagem do Inferno.

O suplício tinha, portanto, uma função moralizante: não se destinava apenas a punir o indivíduo, mas a servir de advertência coletiva. O historiador Brian Innes sustenta que a lógica subjacente a esse castigo extremo baseava-se na crença de que a alma eterna do herege poderia, em última instância, ser preservada.

Segundo essa visão, ao destruir o corpo e a mente considerados corrompidos pelo erro doutrinário, libertava-se a alma para que, purificada, pudesse escapar de punições ainda mais severas na vida após a morte. Assim, paradoxalmente, a violência era apresentada como um ato de misericórdia espiritual.

Já Jennifer Deane destaca o aspecto jurídico-teológico da escolha do fogo como meio de execução. De acordo com as determinações do Concílio de Verona, em 1184, o corpo do condenado deveria ser aniquilado de tal forma que não pudesse ser ressuscitado, eliminando qualquer possibilidade simbólica de retorno ou redenção terrena.

Além disso, as proibições canônicas contra o derramamento de sangue, reafirmadas no Quarto Concílio de Latrão, em 1215, influenciaram diretamente essa prática. Como a Inquisição se apresentava formalmente como um tribunal eclesiástico, evitava-se a execução direta, transferindo-se o condenado à autoridade secular, que aplicava a pena capital sem “manchar” a Igreja com o sangue do réu.

No contexto português, o historiador A. J. Saraiva, ao estudar a Inquisição de Lisboa, descreve os autos de fé como eventos públicos cuidadosamente encenados. Os condenados à fogueira eram amarrados à estaca em posição elevada, em locais abertos e frequentemente sujeitos ao vento.

O objetivo era prolongar o espetáculo, transformando o sofrimento em um ritual coletivo assistido por multidões. Esses eventos reuniam fiéis, autoridades e curiosos, criando uma atmosfera de excitação e fervor religioso que reforçava o poder do tribunal inquisitorial e a ideia de ordem divina.

A destruição pelo fogo não se limitava às pessoas. Livros considerados heréticos ou perigosos à fé também eram queimados em praças públicas, como símbolos materiais do pecado e da desobediência intelectual.

Um registro de maio de 1624 relata que, ao final de um auto de fé, foi lida a sentença contra livros proibidos, determinando-se a queima de três canastras inteiras dessas obras. A eliminação do texto equivalia à tentativa de apagar ideias, memórias e questionamentos.

Um caso emblemático é o do Cavaleiro de Oliveira, condenado por sua obra Discours pathétique au sujet des calamités, publicada em Londres em 1756. Considerado herege convicto, foi relaxado à justiça secular e simbolicamente queimado em estátua durante o auto de fé realizado em Lisboa, em 1761, com o livro suspenso ao pescoço.

O gesto evidenciava que, mesmo quando o corpo físico estava ausente, a Inquisição buscava aniquilar publicamente a reputação, a obra e o pensamento do acusado.

Assim, o uso do fogo na Inquisição ultrapassava a mera execução penal. Tratava-se de um instrumento de controle social, religioso e intelectual, destinado a reforçar a autoridade da Igreja, suprimir a dissidência e moldar consciências por meio do medo e da ritualização da punição.

O lema implícito de “matar sem derramar sangue” revelava uma tentativa de conciliar violência extrema com justificativas teológicas, deixando marcas profundas na história da intolerância religiosa no Ocidente.

sexta-feira, janeiro 02, 2026

A Desconhecida do Sena

 

A Mulher Desconhecida do Sena foi uma jovem jamais identificada cuja máscara mortuária atravessou o tempo e se tornou um dos objetos mais enigmáticos e fascinantes da cultura europeia moderna.

A partir do início do século XX, sua imagem passou a adornar as paredes de ateliês, salões e residências de artistas, escritores e intelectuais, transformando-se em um ícone silencioso da melancolia e do mistério.

Nos Estados Unidos, a máscara ficou conhecida como La Belle Italienne, um nome que reforça o caráter idealizado e quase mítico atribuído à jovem. Seu rosto inspirou inúmeras obras literárias, poemas, ensaios e reflexões filosóficas, tornando-se um símbolo que ultrapassa a própria história do corpo que lhe deu origem.

Segundo um relato amplamente difundido, o corpo da jovem teria sido retirado do rio Sena, no Quai du Louvre, em Paris, por volta do final da década de 1880. Não havia sinais aparentes de violência, o que levou à suspeita de suicídio, uma hipótese que, desde então, passou a acompanhar sua imagem como uma sombra inevitável.

A ausência de documentos, testemunhas ou identificação oficial contribuiu para que o caso permanecesse envolto em especulações. Conta-se que um patologista do necrotério de Paris ficou tão impressionado com a serenidade e a beleza do rosto da jovem que decidiu moldar uma máscara mortuária em gesso e cera, um gesto incomum, mas não totalmente raro à época.

No entanto, desde cedo surgiram dúvidas: muitos questionaram se aquela expressão tranquila, quase sorridente, poderia realmente pertencer a alguém que teria morrido afogada. O rosto não exibia os sinais habituais de distorção ou sofrimento associados a esse tipo de morte.

O desenhista Georges Villa afirmou ter recebido de seu mestre, o pintor Jules Joseph Lefebvre, uma versão alternativa da história: segundo ele, a máscara teria sido feita a partir do rosto de uma jovem modelo que morreu de tuberculose por volta de 1875.

O molde original, contudo, teria se perdido, impossibilitando qualquer verificação definitiva. Outros relatos ainda sugerem que o rosto seria o da filha de um fabricante de máscaras na Alemanha, usada apenas como modelo para reprodução comercial.

A identidade da jovem nunca foi esclarecida. A historiadora Claire Forestier estimou que a modelo não teria mais de 16 anos, com base na firmeza da pele e na delicadeza das feições, o que apenas reforça o impacto emocional causado por sua imagem.

Nos anos seguintes, inúmeras cópias da máscara foram produzidas e rapidamente se tornaram um objeto de moda na sociedade boêmia parisiense. Apesar do caráter mórbido, a máscara era vista como uma espécie de ideal estético, uma celebração silenciosa da beleza efêmera e da morte romantizada, temas recorrentes na sensibilidade artística da época.

Albert Camus comparou o sorriso enigmático da Desconhecida ao da Mona Lisa, observando que aquela expressão serena e ambígua parecia conter pistas indecifráveis sobre sua vida, sua morte e seu lugar na sociedade. O sorriso, ao mesmo tempo doce e distante, alimentou interpretações que oscilaram entre o trágico e o sublime.

A popularidade da figura também é relevante para a história da reprodução artística e da mídia visual. O molde original foi fotografado, e novos moldes passaram a ser criados a partir dos negativos, permitindo uma disseminação em larga escala.

Curiosamente, essas reproduções exibiam detalhes faciais que normalmente se perdem em corpos retirados da água, o que paradoxalmente reforçou, para muitos, a crença em sua autenticidade.

O crítico Al Alvarez, em seu livro The Savage God, dedicado ao tema do suicídio, escreveu: “Disseram-me que toda uma geração de garotas alemãs modelou sua aparência nela”. Segundo o historiador Hans Hesse, da Universidade de Sussex, citado por Alvarez, “a Inconnue tornou-se o ideal erótico de seu tempo, assim como Brigitte Bardot seria para os anos 1950”.

Ele acredita que atrizes alemãs, como Elisabeth Bergner, tenham se inspirado em suas feições, até que esse ideal fosse finalmente substituído por outro ícone: Greta Garbo.

Assim, a Desconhecida do Sena permanece como um rosto sem nome, um corpo sem história oficial, mas com um legado cultural profundo. Seu silêncio atravessa décadas, transformando-a não apenas em um mistério histórico, mas em um espelho no qual sucessivas gerações projetaram seus desejos, angústias e fascínio pela beleza que resiste à morte.

O beijo da vida!


O Beijo da Vida: a extraordinária história da fotografia que conquistou o Pulitzer em 1968

O trabalho de um fotógrafo vai muito além do domínio das técnicas, dos equipamentos e da composição visual. Exige sensibilidade, atenção constante e, por vezes, uma dose inesperada de acaso, aquele instante irrepetível em que a realidade se impõe diante da lente.

Foi exatamente essa combinação que marcou a carreira do fotógrafo nova-iorquino Rocco Morabito, responsável por uma das imagens mais impactantes do fotojornalismo do século XX.

Há mais de meio século, Morabito conquistou o Prêmio Pulitzer de Fotografia graças a uma imagem captada de forma absolutamente fortuita, em julho de 1967. Naquele dia, ele seguia de carro para cobrir um evento para o Jacksonville Journal, na Flórida, quando avistou uma manifestação de ferroviários à beira da estrada. Como bom repórter visual, decidiu parar para registrar o protesto.

Enquanto realizava as fotografias, um acontecimento inesperado desviou completamente sua atenção. Próximo dali, dois funcionários da companhia elétrica - J.D. Thompson e Randall Champion - realizavam trabalhos de manutenção em linhas de alta tensão.

Em um momento crítico, Champion sofreu um forte choque elétrico, perdeu a consciência e ficou pendurado de cabeça para baixo, sustentado apenas pelo cinturão de segurança preso ao poste.

O choque da cena provocou um alvoroço imediato. Morabito, alertado pelos gritos e pela movimentação, ergueu os olhos e se deparou com uma imagem angustiante: Thompson, visivelmente desesperado, tentava salvar o colega, equilibrando-se com dificuldade enquanto buscava reanimá-lo.

Sem hesitar, o fotógrafo acionou uma ambulância pelo rádio de seu carro e, em seguida, passou a registrar cada segundo daquele dramático esforço pela vida. Foi nesse instante que ocorreu o gesto que eternizaria a cena.

Suspenso no ar, sem qualquer apoio adequado, J.D. Thompson realizou respiração boca a boca em Champion, ainda desacordado e pendurado no poste. Morabito captou o exato momento em que o socorro humano se sobrepôs ao perigo, transformando um ato de emergência em uma imagem de força simbólica avassaladora.

A fotografia recebeu o título de “O Beijo da Vida” (The Kiss of Life) e rapidamente ganhou destaque internacional. A ação rápida e corajosa de Thompson foi decisiva. Randall Champion recuperou a consciência ainda no local, sobreviveu ao acidente e pôde retomar sua vida.

Viveu por mais 34 anos após aquele dia, falecendo em 2002, aos 64 anos, vítima de um ataque cardíaco - um desfecho natural, distante do risco extremo que quase o levou prematuramente.

A fotografia de Morabito não apenas lhe rendeu o Pulitzer em 1968, como também se tornou um ícone do fotojornalismo, frequentemente citada como exemplo máximo do poder da imagem em narrar histórias humanas reais, cruas e profundamente emocionantes.

O fotógrafo aposentou-se em 1982 e faleceu em 2009, aos 88 anos, deixando um legado marcado por esse instante decisivo congelado no tempo. Dos três protagonistas daquela cena dramática, J.D. Thompson, o então novato que salvou a vida do colega com coragem e sangue-frio, é o único ainda vivo.

Seu gesto permanece eternizado não apenas na memória da fotografia, mas como um símbolo universal de solidariedade, bravura e do valor inestimável da vida humana.

quinta-feira, janeiro 01, 2026

Calças caídas e o significado

Se você acha que andar com as calças caídas abaixo da cintura é super estiloso e moderno, talvez valha a pena conhecer a história por trás dessa tendência e, separar fato de lenda urbana.

A moda de "sagging", como é chamada em inglês, realmente tem ligação com o sistema prisional dos Estados Unidos, mas não do jeito que muitos contam. O que aconteceu foi o seguinte: nas prisões americanas, os uniformes são padronizados e muitas vezes grandes demais para os detentos, pois não há opções de tamanhos personalizados.

Além disso, cintos são proibidos por razões de segurança, eles poderiam ser usados como arma ou para suicídio. Sem cinto para segurar as calças, elas naturalmente caíam, ficando baixas na cintura.

Quando ex-detentos saíam da prisão, alguns continuavam usando as calças assim, seja por hábito ou como uma forma de exibir "credibilidade de rua", mostrando que já tinham passado pelo sistema.

Nos anos 1990, essa estética foi adotada e popularizada pela cultura hip-hop. Artistas como Ice-T, Too Short, Kriss Kross e Tupac usavam calças largas e caídas como símbolo de rebeldia, autenticidade e conexão com a vida nas ruas.

A tendência explodiu entre os jovens, especialmente na comunidade negra urbana, e se espalhou globalmente, influenciando moda skate, rap e até o mainstream.

O mito do “sinal sexual”

Uma história que circula há décadas e, que aparece muito em correntes de e-mail, posts no Facebook e conversas de pais preocupados, diz que os detentos usavam calças caídas para sinalizar que estavam "disponíveis" para relações sexuais com outros presos, mostrando parte das nádegas como um código discreto para não alertar os guardas.

Segundo essa versão, quem usava assim na rua estaria, sem saber, copiando esse sinal. Mas isso é falso. Sites de checagem de fatos como Snopes, historiadores de moda e até relatos de ex-detentos confirmam que não há evidências históricas ou documentadas de que isso fosse um código intencional nas prisões.

É uma lenda urbana, muitas vezes espalhada com tom homofóbico para assustar jovens e desencorajá-los a usar a moda associando-a a algo negativo como prisão ou homossexualidade. Na realidade, as calças caíam simplesmente porque não tinham como ficar no lugar.

Polêmicas e acontecimentos ao longo dos anos

Essa tendência gerou muita controvérsia: Nos anos 2000, várias cidades americanas, como Dallas, Brooklyn e Wildwood, lançaram campanhas públicas contra o "sagging", com cartazes e até multas em praias ou transporte público. Escolas proibiram o estilo no uniforme, e até companhias aéreas recusaram passageiros por causa dele.

Em 2008, Barack Obama comentou o assunto, dizendo que leis contra calças caídas eram "perda de tempo", mas que "os irmãos deveriam puxar as calças para cima" por respeito próprio.

Em 2010, uma música viral chamada "Pants on the Ground", de um participante do American Idol, virou hit zoando a moda, comparando quem usa calças caídas a "pinguim andando".

Hoje, a tendência diminuiu bastante, jeans skinny e cortes mais ajustados dominam, mas ainda aparece em alguns estilos streetwear. No fim das contas, moda é expressão cultural e rebeldia juvenil.

Se alguém usa calças caídas, provavelmente é só por achar cool, influenciado pelo hip-hop, e não por nenhum "código secreto" da prisão. Se a gurizada soubesse a história real, talvez rissem do mito em vez de se preocupar.