Propaganda

segunda-feira, outubro 12, 2026

O mar Morto é um lago de água salgada do Oriente Médio.


 

Mar Morto: o lago que está desaparecendo

O Mar Morto é um dos lugares mais singulares do planeta. Localizado no vale do rio Jordão, entre Israel, a Jordânia e a Cisjordânia, é um lago salgado conhecido pela elevada concentração de sais minerais, pela extrema salinidade de suas águas e por estar situado no ponto mais baixo da superfície terrestre em terra firme.

Apesar do nome, o Mar Morto não é um mar, mas um lago endorreico – ou seja, um corpo de água sem saída natural para outro rio ou oceano. Suas águas recebem contribuições principalmente do rio Jordão, mas são continuamente reduzidas pela evaporação.

Por que se chama Mar Morto?

O nome está relacionado à dificuldade de sobrevivência da maioria dos organismos aquáticos em suas águas, devido à concentração extremamente elevada de sais. Enquanto a salinidade média dos oceanos é de aproximadamente 3,5%, a do Mar Morto gira em torno de 34%, embora varie conforme a região e a profundidade.

Nessas condições, peixes e outros organismos aquáticos comuns não conseguem sobreviver. Quando um peixe levado pelo rio Jordão chega às águas do lago, a mudança brusca de salinidade é fatal.

Isso não significa, porém, que não exista vida alguma ali. Certas arqueias e algas microscópicas conseguem sobreviver em condições específicas, demonstrando a capacidade de adaptação de alguns organismos a ambientes extremos.

Um lago que encolhe a cada ano

Durante o século XX, o Mar Morto sofreu uma redução significativa de sua superfície e de seu nível. Em 1930, sua área era estimada em cerca de 1.050 km². Em 2014, havia diminuído para aproximadamente 650 km².

Essa transformação está relacionada, sobretudo, ao desvio e à captação de águas do rio Jordão para abastecimento humano, agricultura e outras atividades, tanto em Israel quanto na Jordânia. Com menos água chegando ao lago, a evaporação natural – intensa naquela região árida – contribui para acelerar seu encolhimento.

Outro fator está ligado às atividades industriais que exploram os sais minerais presentes na região, especialmente os compostos de potássio. Empresas instaladas nas margens do lago utilizam processos de evaporação em grandes áreas de piscinas industriais, contribuindo para alterações locais no balanço hídrico.

A consequência é visível: o nível da água diminui, a linha da margem recua e o território ao redor passa por profundas transformações ambientais.

O lugar mais baixo da superfície terrestre

O Mar Morto ocupa uma depressão geológica formada por movimentos de placas tectônicas, ao longo do sistema de falhas que integra o vale do Jordão e se prolonga em direção ao mar Vermelho.

Sua superfície está atualmente a mais de 430 metros abaixo do nível médio do mar, embora essa profundidade relativa varie conforme o nível da água. Por isso, a região é conhecida como o ponto de menor altitude em terra firme do planeta.

A geografia local também ajuda a explicar o clima extremamente seco. As montanhas e os planaltos próximos influenciam a distribuição das chuvas, enquanto as temperaturas elevadas favorecem a evaporação. Em determinadas áreas, a precipitação anual é inferior a 100 milímetros.

Na margem sudoeste encontra-se o monte Sodoma, uma formação geológica composta predominantemente por sal, que integra a paisagem incomum da região.

Uma história geológica de milhares de anos

A formação do Mar Morto está ligada aos movimentos tectônicos que criaram uma extensa depressão entre a África e a Arábia. Ao longo de milhares de anos, mudanças climáticas, variações no abastecimento de água e a evaporação moldaram os lagos que ocuparam essa região.

Em períodos mais úmidos, corpos de água muito maiores se estenderam pelo vale. Com as mudanças climáticas e a redução das entradas de água, esses lagos recuaram, contribuindo para a configuração atual do Mar Morto.

Ao contrário de uma explicação simplificada, segundo a qual o Mediterrâneo teria secado e deixado o lago para trás, a história geológica da região é mais complexa e envolve sucessivas transformações ambientais.

Existe uma solução para salvar o Mar Morto?

Em dezembro de 2013, Israel, Jordânia e representantes palestinos anunciaram um acordo relacionado a um projeto para transferir água do Mar Vermelho para a região do Mar Morto. A proposta buscava enfrentar a diminuição do lago e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso à água na região.

Entretanto, o projeto despertou preocupações ambientais. A composição química do Mar Morto é muito diferente da dos mares abertos, e a introdução de água com características distintas poderia alterar seu equilíbrio ecológico e favorecer mudanças químicas e biológicas ainda difíceis de prever.

O desafio permanece: conciliar o abastecimento de água, as atividades econômicas e a preservação de um ambiente natural único.

O Mar Morto é mais do que uma curiosidade geográfica. É um exemplo de como a combinação entre condições naturais, mudanças climáticas e intervenção humana pode transformar uma paisagem ao longo de poucas décadas. Seu encolhimento é um alerta sobre a importância de administrar os recursos hídricos com responsabilidade antes que as consequências se tornem ainda mais difíceis de reverter.

0 Comentários: