Carlos Alexandre - O Homem da Feiticeira
Pedro Soares Bezerra, mais
conhecido pelo nome artístico Carlos Alexandre, nasceu em 1º de junho de 1957,
em Santa Fé, distrito de Jundiá (RN), embora algumas fontes mencionem Nova Cruz
como local associado à sua infância.
Filho de Gennaro Bezerra Martins
e Antonieta Feconstinny Bezerra, teve uma origem humilde e uma infância marcada
por dificuldades, incluindo separação precoce dos pais e trabalhos desde cedo,
como em uma padaria.
Sua carreira na música começou
em 1975, ainda adolescente, quando adotou o apelido "Pedrinho". O
radialista Carlos Alberto de Sousa o descobriu e o levou para a gravadora RGE,
em São Paulo.
Lá, gravou seu primeiro compacto
simples com as músicas "Arma de Vingança" e "Canção do
Paralítico", que alcançou impressionantes 100 mil cópias vendidas - um
grande sucesso para um artista iniciante.
O verdadeiro estouro veio em
1978 com a canção "Feiticeira", que deu título ao seu primeiro LP e
vendeu cerca de 250 mil cópias, rendendo disco de ouro e consagrando-o
nacionalmente. O álbum foi gravado também em castelhano, ampliando seu alcance
para o mercado latino-americano.
Carlos Alexandre tornou-se
conhecido como o "Homem da Feiticeira" e integrou a onda da música
brega/romântica popular nos anos 1970 e 1980, com letras que falavam de amor
sofrido, traição, saudade e paixão.
Em janeiro de 1978, viajou para
São Paulo ao lado de outros artistas potiguares, como Gilliard e Edson
Oliveira, para gravar seus discos. Sua carreira foi meteórica: em apenas 11
anos (1975–1989), lançou diversos compactos e LPs pela RGE, conquistando 15
discos de ouro e um de platina, com mais de 2 milhões de discos vendidos no
total. Sua discografia inclui títulos como:
Feiticeira (1978), Voltei (1979),
Já Troquei Você Por Outra (1980), Mulher de Muitos (1981), Revelação de Um
Sonho (1982). E outros, como Nosso Quarto É Testemunha (1987) e Sei, Sei
(lançado pouco antes de sua morte, em 1988/1989).
Entre seus maiores sucessos
estão "Feiticeira", "A Ciganinha", "Cartão
Postal", "Sertaneja", "Vá Pra Cadeia", "Toque Em
Mim", "Timidez" e "Por Que Você Não Responde".
Ele excursionava intensamente
pelo Brasil, especialmente pelo Nordeste, e em algumas viagens era acompanhado
pela esposa Solange, com quem se casou em fevereiro de 1978. Segundo relatos da
época, Solange ia sempre que ele gravava em São Paulo, mas Carlos Alexandre
retornava à Natal para "gastar o que ganhava fora", considerando a
capital potiguar seu lugar de descanso e lazer. Morava no bairro Cidade da
Esperança, na Zona Oeste de Natal.
O trágico acidente
No dia 30 de janeiro de 1989,
aos 31 anos, Carlos Alexandre faleceu em um grave acidente automobilístico na
estrada estadual RN-093, que liga os municípios de Tangará e São José do
Campestre, na região da Borborema potiguar (divisa entre Agreste e Trairi, no
Rio Grande do Norte).
Ele voltava de um show realizado
em Pesqueira (PE) e seguia para casa, em Natal, quando o veículo saiu da pista.
O cantor estava sem cinto de segurança, e relatos da época indicam que o corpo
foi arremessado para fora do carro, com a cabeça chocando-se violentamente.
O acidente ocorreu por volta das
13h, e ele morreu no local. Pouco antes, havia lançado o disco Sei, Sei, que
ainda estava em divulgação. A tragédia interrompeu uma carreira em ascensão e
chocou o público nordestino e brasileiro.
O velório foi realizado no
ginásio de esportes do bairro Cidade da Esperança, em Natal, e o enterro, no
dia 31 de janeiro, no Cemitério de Bom Pastor, reuniu milhares de fãs
emocionados.
Segundo matérias jornalísticas
da época, o sepultamento foi marcado por um momento tocante: a multidão cantou
em coro a música "Feiticeira" enquanto o caixão era baixado à
sepultura.
Carlos Alexandre deixou um
legado duradouro na música brega romântica, com composições que continuam sendo
regravadas e lembradas até hoje. Sua história inspira documentários, livros
(como uma biografia lançada em 2015) e homenagens, provando que, apesar da
carreira curta, ele marcou profundamente a cultura popular potiguar e
nordestina.








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