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sábado, fevereiro 07, 2026

Carlos Alexandre - Faleceu em um acidente de carro


Carlos Alexandre - O Homem da Feiticeira

Pedro Soares Bezerra, mais conhecido pelo nome artístico Carlos Alexandre, nasceu em 1º de junho de 1957, em Santa Fé, distrito de Jundiá (RN), embora algumas fontes mencionem Nova Cruz como local associado à sua infância.

Filho de Gennaro Bezerra Martins e Antonieta Feconstinny Bezerra, teve uma origem humilde e uma infância marcada por dificuldades, incluindo separação precoce dos pais e trabalhos desde cedo, como em uma padaria.

Sua carreira na música começou em 1975, ainda adolescente, quando adotou o apelido "Pedrinho". O radialista Carlos Alberto de Sousa o descobriu e o levou para a gravadora RGE, em São Paulo.

Lá, gravou seu primeiro compacto simples com as músicas "Arma de Vingança" e "Canção do Paralítico", que alcançou impressionantes 100 mil cópias vendidas - um grande sucesso para um artista iniciante.

O verdadeiro estouro veio em 1978 com a canção "Feiticeira", que deu título ao seu primeiro LP e vendeu cerca de 250 mil cópias, rendendo disco de ouro e consagrando-o nacionalmente. O álbum foi gravado também em castelhano, ampliando seu alcance para o mercado latino-americano.

Carlos Alexandre tornou-se conhecido como o "Homem da Feiticeira" e integrou a onda da música brega/romântica popular nos anos 1970 e 1980, com letras que falavam de amor sofrido, traição, saudade e paixão.

Em janeiro de 1978, viajou para São Paulo ao lado de outros artistas potiguares, como Gilliard e Edson Oliveira, para gravar seus discos. Sua carreira foi meteórica: em apenas 11 anos (1975–1989), lançou diversos compactos e LPs pela RGE, conquistando 15 discos de ouro e um de platina, com mais de 2 milhões de discos vendidos no total. Sua discografia inclui títulos como:

Feiticeira (1978), Voltei (1979), Já Troquei Você Por Outra (1980), Mulher de Muitos (1981), Revelação de Um Sonho (1982). E outros, como Nosso Quarto É Testemunha (1987) e Sei, Sei (lançado pouco antes de sua morte, em 1988/1989).

Entre seus maiores sucessos estão "Feiticeira", "A Ciganinha", "Cartão Postal", "Sertaneja", "Vá Pra Cadeia", "Toque Em Mim", "Timidez" e "Por Que Você Não Responde".

Ele excursionava intensamente pelo Brasil, especialmente pelo Nordeste, e em algumas viagens era acompanhado pela esposa Solange, com quem se casou em fevereiro de 1978. Segundo relatos da época, Solange ia sempre que ele gravava em São Paulo, mas Carlos Alexandre retornava à Natal para "gastar o que ganhava fora", considerando a capital potiguar seu lugar de descanso e lazer. Morava no bairro Cidade da Esperança, na Zona Oeste de Natal.

O trágico acidente

No dia 30 de janeiro de 1989, aos 31 anos, Carlos Alexandre faleceu em um grave acidente automobilístico na estrada estadual RN-093, que liga os municípios de Tangará e São José do Campestre, na região da Borborema potiguar (divisa entre Agreste e Trairi, no Rio Grande do Norte).

Ele voltava de um show realizado em Pesqueira (PE) e seguia para casa, em Natal, quando o veículo saiu da pista. O cantor estava sem cinto de segurança, e relatos da época indicam que o corpo foi arremessado para fora do carro, com a cabeça chocando-se violentamente.

O acidente ocorreu por volta das 13h, e ele morreu no local. Pouco antes, havia lançado o disco Sei, Sei, que ainda estava em divulgação. A tragédia interrompeu uma carreira em ascensão e chocou o público nordestino e brasileiro.

O velório foi realizado no ginásio de esportes do bairro Cidade da Esperança, em Natal, e o enterro, no dia 31 de janeiro, no Cemitério de Bom Pastor, reuniu milhares de fãs emocionados.

Segundo matérias jornalísticas da época, o sepultamento foi marcado por um momento tocante: a multidão cantou em coro a música "Feiticeira" enquanto o caixão era baixado à sepultura.

Carlos Alexandre deixou um legado duradouro na música brega romântica, com composições que continuam sendo regravadas e lembradas até hoje. Sua história inspira documentários, livros (como uma biografia lançada em 2015) e homenagens, provando que, apesar da carreira curta, ele marcou profundamente a cultura popular potiguar e nordestina.



Caetão Postal

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