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quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Reflita


Na época da ditadura militar (1964-1985), o porte e a posse de armas por civis eram, na prática, muito menos restritos do que hoje. Armas eram vendidas abertamente em lojas, anúncios circulavam em jornais e revistas, e o porte ilegal era tratado apenas como contravenção penal - pena leve, muitas vezes convertida em multa.

O regime, embora autoritário e repressivo, não via na população armada uma ameaça geral, seu medo era específico: que as armas chegassem às mãos dos “subversivos” de esquerda.

Com o fim da ditadura e a redemocratização, especialmente após o Estatuto do Desarmamento de 2003, sancionado no primeiro governo Lula, o cenário mudou radicalmente. Leis e decretos posteriores criminalizaram com mais rigor a posse e o porte por cidadãos comuns, exigindo cursos, testes psicológicos, laudos, taxas elevadas e renovação periódica.

O argumento oficial sempre foi o combate à violência armada. Na prática, porém, o cidadão honesto que quer se defender legalmente enfrenta uma burocracia pesada, enquanto o crime organizado circula armado com fuzis e pistolas de uso restrito.

Durante a ditadura, grupos de esquerda - muitos deles inspirados em ideias leninistas e marxistas - optaram pela luta armada. Organizações como ALN (Aliança Libertadora Nacional), MR-8, VPR, VAR-Palmares e o PCdoB (na Guerrilha do Araguaia) realizaram assaltos a bancos, sequestros de embaixadores, atentados e ações de guerrilha rural entre 1968 e 1974.

Eles justificavam essas ações como resistência a um regime que havia derrubado um presidente eleito e imposto censura, tortura e morte. O regime respondeu com o AI-5 (1968), com a Lei de Segurança Nacional endurecida, com centros de tortura como o DOI-CODI e com operações militares que resultaram em centenas de mortos e desaparecidos.

Hoje, esses mesmos setores - ou seus herdeiros políticos - ocupam o poder e defendem que o cidadão de bem não precisa de arma para se defender.

Enquanto isso, a grande mídia muitas vezes reforça a narrativa de que “reagir é pior” ou que “a polícia resolve”, mesmo diante de uma realidade em que o Estado é incapaz de garantir a segurança da população que paga impostos e trabalha honestamente.

O resultado é um país onde o criminoso age com impunidade e o trabalhador honesto é transformado em presa fácil - exatamente como gado indo para o matadouro.

Reflita sobre isso: se aqueles que pegaram em armas nos anos 1970 diziam estar lutando “pela democracia”, por que agora, quando a democracia formal existe, o mesmo direito de autodefesa é negado ao cidadão comum?

Se a história ensina que regimes autoritários (de qualquer lado) sempre desarmam a população para manter o controle, talvez seja hora de lembrar que a liberdade também se defende com responsabilidade e preparo - e não apenas com discursos.

O debate sobre armas não é simples, mas ignorar a diferença entre o cidadão armado legalmente e o bandido armado ilegalmente é ignorar a realidade brasileira atual.

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