Propaganda

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Sumérios e o Tempo



 Os sumérios e o tempo - uma herança que perdura há mais de 5 mil anos.

Os sumérios, uma das primeiras civilizações da história humana - aproximadamente entre 4500 e 1900 a.C., na região da Mesopotâmia, atual sul do Iraque -, foram pioneiros em observar o céu e sistematizar o tempo de forma que ainda influencia nosso dia a dia.

É curioso que dividamos as horas em 60 minutos e os minutos em 60 segundos, e os dias em 24 horas - por que não usar um sistema baseado em 10 - decimal, como nossos dedos - ou em 12? A resposta está no fato de que os inventores desse sistema não usavam base 10 ou 12, mas sim a base 60 (sexagesimal).

Para os sumérios, o número 60 era considerado "perfeito" por sua alta divisibilidade: ele pode ser dividido exatamente por 1, 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 15, 20, 30 e 60, gerando poucas frações complicadas - sem decimais repetitivos, algo problemático para eles, que não lidavam bem com frações infinitas.

Isso facilitava cálculos astronômicos, comerciais e administrativos. Uma teoria comum é que o sistema surgiu da combinação de contagens manuais: uma mão com 5 dedos (base 5) e a outra contando 12 segmentos dos dedos (3 por dedo, usando o polegar como ponteiro), resultando em 5 × 12 = 60.

Os sumérios (e depois os babilônios, que herdaram e refinaram o sistema) observavam o céu e idealizavam o ano solar com cerca de 360 dias - um número conveniente, pois 360 = 60 × 6. Isso se conecta diretamente à divisão do círculo em 360 graus, que usamos até hoje em geometria, navegação e astronomia.

Eles dividiram o dia (período de luz + escuridão) em 24 horas (12 para o dia claro e 12 para a noite), cada hora em 60 minutos e, mais tarde (influência babilônica e helenística), cada minuto em 60 segundos. Assim, o sistema sexagesimal permitiu uma precisão prática para medir o tempo e os movimentos celestes.

O império sumério original não durou muito - foi sucedido por acadianos, babilônios e outros povos a partir do final do terceiro milênio a.C. -, mas seu legado temporal persistiu por mais de 5.000 anos, atravessando gregos, romanos e chegando à era moderna sem grandes alterações.

Os sumérios são famosos por uma série de inovações que moldaram a civilização. Eles desenvolveram o primeiro sistema de escrita conhecido, o cuneiforme (por volta de 3200–3100 a.C.), feito com cunhas em tábuas de argila, antecedendo os hieróglifos egípcios em cerca de um século ou mais.

A escrita permitiu registrar leis, comércio, literatura (como partes da Epopeia de Gilgamesh), contas administrativas e conhecimento astronômico, possibilitando a transmissão geracional de informações.

Outras invenções atribuídas a eles incluem:

A roda (inicialmente para cerâmica e depois para transporte, como carroças puxadas por animais, por volta de 3500 a.C.);

A roda de oleiro para produção em massa de cerâmica;

A cerveja (uma das bebidas mais antigas documentadas, feita de cevada fermentada, com receitas em tábuas cuneiformes);

Sistemas avançados de irrigação e engenharia hidráulica para controlar as cheias dos rios Tigre e Eufrates;

Conceitos matemáticos em base 60, mas também misturando elementos de base 10;

As primeiras cidades-estados organizadas (como Uruk, Ur e Lagash), com administração complexa, tribunais, prisões, burocracia e divisão social do trabalho;

Provavelmente as primeiras formações militares organizadas e leis codificadas (precedendo o Código de Hamurabi);

Escolas (edubba) para treinar escribas em matemática, literatura e administração.

Quanto à agricultura, os sumérios foram fundamentais na domesticação em larga escala de plantas e animais no Crescente Fértil. Eles cultivaram sistematicamente variedades ancestrais de trigo (como o einkorn e o trigo farro) e cevada, selecionando sementes para plantio contínuo.

Domesticaram ovelhas (de ancestrais semelhantes à cabra-montês), cabras, gado bovino selvagem (auroques) e porcos, criando rebanhos em confinamento e procriação seletiva - uma das primeiras transições da caça-coleta para a agricultura sedentária em escala.

Na astronomia, os sumérios foram inovadores: observavam os movimentos dos astros, registravam eclipses e fases lunares, e influenciaram calendários lunissolares (12 meses lunares de cerca de 29–30 dias, com ajustes intercalares para alinhar com o ano solar).

Eles conheciam os cinco planetas visíveis a olho nu (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), além do Sol e da Lua (totalizando sete "corpos errantes"). Ideias de que representavam 12 planetas (incluindo corpos hipotéticos) ou uma visão heliocêntrica clara são populares em interpretações alternativas (como selos cilíndricos mostrando o Sol no centro), mas a maioria dos acadêmicos considera isso especulativo ou baseado em mal-entendidos - a visão predominante era geocêntrica, com foco em observações práticas.

Em resumo, os sumérios não apenas inventaram formas de medir o tempo que usamos hoje, mas lançaram as bases para a escrita, a matemática avançada, a urbanização, a agricultura organizada e muitos outros pilares da civilização.

Sua criatividade e capacidade de inovação os colocam entre as culturas mais influentes da Antiguidade e, sem dúvida, de toda a história humana.

0 Comentários: