“A esperança que o homem
deposita na eternidade, em outro mundo, nasce do desespero que experimenta por
não poder ser eterno neste mundo em que vive.”
Alexandre Dumas
(1802-1870), célebre autor de Os Três Mosqueteiros e O Conde
de Monte Cristo, foi um escritor romântico que explorou com
frequência temas centrais da condição humana: a finitude, o sofrimento, a
injustiça, o desejo de transcendência e a luta incessante contra os limites
impostos pela existência.
Embora essa frase específica não esteja
claramente vinculada a um romance, ensaio ou correspondência conhecida, ela
sintetiza com precisão o espírito do romantismo do século XIX, marcado por uma
visão melancólica da vida e pela consciência aguda da mortalidade.
Nesse
pensamento, Dumas parece operar uma inversão psicológica da fé tradicional. A
crença na eternidade não surge como fruto da revelação divina ou da certeza
metafísica, mas como consequência direta do desespero humano diante da
impossibilidade de permanecer.
O homem não acredita no além porque possui
provas, mas porque precisa acreditar. Aceitar a ideia de que tudo se encerra no
túmulo - que amores, memórias, dores e conquistas desaparecem no nada -
revela-se, para muitos, insuportável.
Essa leitura
antecipa reflexões que seriam desenvolvidas por filósofos posteriores.
Schopenhauer, por exemplo, via a vida como uma sucessão de sofrimentos
sustentados por ilusões necessárias, entre elas a esperança, que prolonga a dor
ao prometer um sentido futuro que jamais se realiza plenamente.
Nietzsche, por sua vez, foi ainda mais
incisivo ao afirmar que a esperança pode funcionar como um anestésico moral:
algo que adia o confronto direto com a realidade e enfraquece a afirmação da
vida tal como ela é.
No contexto
histórico de Dumas, essa reflexão ganha contornos ainda mais densos. Ele viveu
em uma Europa marcada por revoluções, colapsos políticos, guerras, restaurações
monárquicas e profundas transformações sociais.
Era um tempo em que antigas certezas ruíam e
novas promessas surgiam sem garantir estabilidade. Diante desse cenário
instável e violento, muitos buscavam refúgio na religião, no espiritualismo
nascente ou em utopias políticas que prometiam um futuro redentor.
O “outro mundo” - eterno, justo e imutável -
funcionava como um antídoto simbólico contra a precariedade do mundo presente. Assim,
a esperança na eternidade torna-se um bálsamo psicológico coletivo: uma forma
de suportar a brevidade da vida, a fragilidade das conquistas humanas e a
consciência dolorosa de que tudo o que é construído pode ruir.
A promessa do além suaviza o peso da perda e
confere sentido àquilo que, de outro modo, pareceria absurdo. Em última
instância, Dumas nos oferece uma observação lúcida e, ao mesmo tempo, cruel:
nossa esperança de eternidade não nasce da certeza, mas da necessidade - da
recusa humana em aceitar o nada. Seu pensamento nos provoca a uma reflexão
incômoda, porém essencial: projetamos o paraíso futuro porque este presente nos
parece insuportável?
Ou, ao contrário, será que reconhecer
plenamente nossa fragilidade e finitude poderia nos tornar mais conscientes,
mais intensos e verdadeiramente presentes no agora?








.jpg)

0 Comentários:
Postar um comentário