O brilho breve de Lauro Corona
Lauro Corona foi daqueles
rostos que parecem nascer prontos para a televisão. Dono de olhos azuis
marcantes, sorriso delicado e uma presença suave, ele surgiu no final dos anos
1970 e rapidamente conquistou o público brasileiro.
Carioca da zona sul, começou a
trabalhar ainda muito jovem, ajudando na butique da mãe. Mas a vida tinha
outros planos. Primeiro vieram os trabalhos como modelo e as campanhas
publicitárias - inclusive para marcas populares como Coca-Cola e Bob's. Não
demorou para que o caminho natural o levasse ao teatro e, logo depois, à
televisão.
A grande virada aconteceu
quando apareceu na novela Dancin' Days, escrita por Gilberto Braga. A produção
virou um fenômeno nacional e apresentou ao Brasil um novo galã - jovem, moderno
e carismático - que contracenava com a também jovem Glória Pires.
Daí em diante, Lauro tornou-se
presença constante nas novelas de sucesso. Em Baila Comigo, seu personagem
popularizou o uso de bandana e penteado que jovens do país inteiro passaram a
imitar. Vieram depois trabalhos importantes como Elas por Elas, Corpo a Corpo e
Direito de Amar.
O cinema também o recebeu. Em Bete
Balanço, dividiu a tela com Débora Bloch, em um filme que capturava o espírito
jovem da década e tinha na trilha sonora a voz de Cazuza, com sua banda Barão
Vermelho.
A semelhança física entre
Lauro e Cazuza chegou a alimentar o curioso boato de que seriam parentes - o
que nunca foi verdade.
Entre colegas e amigos, ele
era simplesmente Laurinho. Gentil, discreto e querido nos bastidores, tornou-se
um dos galãs mais populares da televisão brasileira, a ponto de ser chamado
pelo público de “o galã das seis”, referência ao horário tradicional das
histórias românticas.
Mas o brilho daquela carreira
promissora seria interrompido cedo demais. No final dos anos 1980, enquanto
atuava na novela Vida Nova, sua saúde começou a se deteriorar. Em uma época
marcada pelo medo e pelo preconceito em torno da AIDS, Lauro enfrentou a doença
de forma silenciosa e reservada.
A trama da novela precisou
mudar o destino de seu personagem. Na última cena, um carro preto desaparece na
noite chuvosa enquanto se ouve o poema “Viajar! Perder países!”, de Fernando
Pessoa, declamado pelo próprio ator - uma despedida que hoje parece carregada
de simbolismo.
Em 20 de julho de 1989, aos 32
anos, Lauro Corona morreu no Rio de Janeiro. O país inteiro recebeu a notícia
com surpresa e tristeza. Revistas e jornais estamparam seu rosto, enquanto fãs
choravam a perda precoce daquele jovem que parecia ter ainda uma longa história
pela frente.
Com o tempo, seu nome se
transformou em memória afetiva de uma geração. Décadas depois, o Canal Viva
chegou a elegê-lo como o maior galã dos anos 80.
Talvez porque Lauro Corona
tenha ficado congelado no tempo - jovem, belo e promissor - como se tivesse
saído de cena no auge de sua própria história.
E é assim que muitos ainda o
lembram: um rosto iluminado pela televisão, um talento interrompido cedo
demais, e uma presença que o tempo não conseguiu apagar.









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