Propaganda

quarta-feira, março 11, 2026

Lauro Corona - Faleceu muito jovem



 O brilho breve de Lauro Corona

Lauro Corona foi daqueles rostos que parecem nascer prontos para a televisão. Dono de olhos azuis marcantes, sorriso delicado e uma presença suave, ele surgiu no final dos anos 1970 e rapidamente conquistou o público brasileiro.

Carioca da zona sul, começou a trabalhar ainda muito jovem, ajudando na butique da mãe. Mas a vida tinha outros planos. Primeiro vieram os trabalhos como modelo e as campanhas publicitárias - inclusive para marcas populares como Coca-Cola e Bob's. Não demorou para que o caminho natural o levasse ao teatro e, logo depois, à televisão.

A grande virada aconteceu quando apareceu na novela Dancin' Days, escrita por Gilberto Braga. A produção virou um fenômeno nacional e apresentou ao Brasil um novo galã - jovem, moderno e carismático - que contracenava com a também jovem Glória Pires.

Daí em diante, Lauro tornou-se presença constante nas novelas de sucesso. Em Baila Comigo, seu personagem popularizou o uso de bandana e penteado que jovens do país inteiro passaram a imitar. Vieram depois trabalhos importantes como Elas por Elas, Corpo a Corpo e Direito de Amar.

O cinema também o recebeu. Em Bete Balanço, dividiu a tela com Débora Bloch, em um filme que capturava o espírito jovem da década e tinha na trilha sonora a voz de Cazuza, com sua banda Barão Vermelho.

A semelhança física entre Lauro e Cazuza chegou a alimentar o curioso boato de que seriam parentes - o que nunca foi verdade.

Entre colegas e amigos, ele era simplesmente Laurinho. Gentil, discreto e querido nos bastidores, tornou-se um dos galãs mais populares da televisão brasileira, a ponto de ser chamado pelo público de “o galã das seis”, referência ao horário tradicional das histórias românticas.

Mas o brilho daquela carreira promissora seria interrompido cedo demais. No final dos anos 1980, enquanto atuava na novela Vida Nova, sua saúde começou a se deteriorar. Em uma época marcada pelo medo e pelo preconceito em torno da AIDS, Lauro enfrentou a doença de forma silenciosa e reservada.

A trama da novela precisou mudar o destino de seu personagem. Na última cena, um carro preto desaparece na noite chuvosa enquanto se ouve o poema “Viajar! Perder países!”, de Fernando Pessoa, declamado pelo próprio ator - uma despedida que hoje parece carregada de simbolismo.

Em 20 de julho de 1989, aos 32 anos, Lauro Corona morreu no Rio de Janeiro. O país inteiro recebeu a notícia com surpresa e tristeza. Revistas e jornais estamparam seu rosto, enquanto fãs choravam a perda precoce daquele jovem que parecia ter ainda uma longa história pela frente.

Com o tempo, seu nome se transformou em memória afetiva de uma geração. Décadas depois, o Canal Viva chegou a elegê-lo como o maior galã dos anos 80.

Talvez porque Lauro Corona tenha ficado congelado no tempo - jovem, belo e promissor - como se tivesse saído de cena no auge de sua própria história.

E é assim que muitos ainda o lembram: um rosto iluminado pela televisão, um talento interrompido cedo demais, e uma presença que o tempo não conseguiu apagar.


0 Comentários: