Paulo Gracindo - Um dos grandes nomes do rádio, do cinema e da televisão brasileira
Paulo Gracindo, nome artístico de Pelópidas
Guimarães Brandão Gracindo, nasceu no Rio de Janeiro em 16 de julho de 1911 e
faleceu na mesma cidade em 4 de setembro de 1995.
Foi um dos mais respeitados atores e
radialistas do Brasil, construindo uma carreira que atravessou o teatro, o
rádio, o cinema e a televisão durante mais de seis décadas.
Biografia
Embora tenha nascido no Rio de Janeiro, Paulo
Gracindo costumava dizer que era alagoano de coração, pois ainda bebê mudou-se
com a família para a cidade de Maceió, em Alagoas.
Desde jovem sonhava em ser ator, mas
enfrentou forte oposição do pai, que considerava a profissão pouco respeitável.
Conta-se que o pai chegou a adverti-lo: “No dia em que você subir a um palco,
saio da plateia e te arranco de lá pela gola.”
Por respeito à vontade paterna, Gracindo
adiou seu sonho até a morte do pai. Somente então decidiu seguir o caminho
artístico.
Aos vinte anos mudou-se novamente para o Rio
de Janeiro em busca de oportunidades. O início foi extremamente difícil: passou
por grandes privações, chegou a dormir nas ruas e enfrentou períodos de fome.
Determinado a ingressar no meio teatral,
aproximou-se do grupo do tradicional Teatro Ginástico Português, uma das
companhias mais prestigiadas da época. Seu nome de batismo - Pelópidas
Guimarães Brandão Gracindo - era considerado complicado para o palco.
Ele próprio contava, com humor, que muitos o
chamavam de maneiras diferentes: “Uns diziam Petrópolis, outros Pelopes… e a
empregada me chamava de Envelope.” Assim decidiu adotar o nome artístico Paulo
Gracindo, que se tornaria conhecido em todo o país.
Nos primeiros papéis no teatro, sua
participação era mínima. Em uma dessas apresentações, um crítico chegou a
comentar com ironia: “De onde veio esse rapaz que não faz nada e aparece
tanto?”
O tempo provaria o contrário: Gracindo
acabaria se tornando um dos maiores intérpretes do país, participando das
principais companhias teatrais das décadas de 1930 e 1940.
O sucesso no rádio
A verdadeira consagração nacional veio
através do rádio. Na chamada Era de Ouro do Rádio, ele se destacou na lendária Rádio
Nacional, onde apresentou o popular Programa Paulo Gracindo.
Um de seus papéis mais memoráveis foi na
radionovela O Direito de Nascer, na qual interpretou o personagem Alberto
Limonta, emocionando milhões de ouvintes em todo o Brasil e em vários países da
América Latina.
Outro enorme sucesso radiofônico foi o
humorístico Balança mas Não Cai, em que atuava ao lado de Brandão Filho no
famoso quadro do Primo Rico e Primo Pobre, uma sátira social que se tornaria
clássica.
Consagração na televisão
Quando a televisão brasileira começou a se
consolidar, Paulo Gracindo rapidamente se tornou um de seus grandes nomes.
Atuou em inúmeras produções marcantes, entre elas:
Bandeira 2 (1971) – como o personagem Tucão
Gabriela (1975) – interpretando o coronel
Ramiro Bastos
O Casarão (1976) – como João Maciel
Roque Santeiro (1985) – no papel do padre
Hipólito
Mas o personagem que o transformou
definitivamente em um ícone da televisão brasileira foi o prefeito Odorico
Paraguaçu, da novela O Bem-Amado, escrita por Dias Gomes.
A novela tornou-se histórica por ser a primeira
telenovela brasileira exibida em cores, em 1973. Odorico Paraguaçu, com seu
discurso rebuscado, cheio de palavras inventadas e frases grandiosas, tornou-se
um dos personagens mais memoráveis da dramaturgia nacional.
Anos depois, Gracindo ainda marcaria presença
em Rainha da Sucata (1990), interpretando Betinho (Alberto Figueiroa). Na
novela, popularizou o bordão “Coisas de Laurinha!”, repetido frequentemente
pelo personagem.
Cinema
Embora tenha participado de poucos filmes,
Paulo Gracindo também deixou sua marca no cinema brasileiro. Trabalhou com
importantes diretores e era admirado por cineastas ligados ao movimento do Cinema
Novo.
Um de seus trabalhos mais lembrados foi no
filme Terra em Transe, dirigido por Glauber Rocha. Mesmo assim, o ator
costumava dizer, com seu humor característico, que o cinema era complicado
demais: “Cinema é coisa de chinês.”
Últimos trabalhos
Já no final da carreira, participou da
minissérie Agosto, baseada na obra de Rubem Fonseca, interpretando o maestro
Emílio. O papel teve um tom quase de despedida e marcou o encerramento da
trajetória de um dos maiores atores da história da televisão brasileira.
Morte e legado
Paulo Gracindo faleceu em 4 de setembro de
1995, aos 84 anos, vítima de câncer de próstata. Foi sepultado no tradicional Cemitério
de São João Batista, no Rio de Janeiro, local onde repousam muitos nomes
importantes da cultura brasileira.
Seu talento artístico permaneceu na família.
Ele foi pai do ator Gracindo Júnior e avô dos atores Gabriel Gracindo, Pedro
Gracindo e Daniela Duarte, dando continuidade a uma linhagem dedicada às artes
cênicas.
Com uma carreira que atravessou teatro,
rádio, cinema e televisão, Paulo Gracindo permanece lembrado como um intérprete
versátil, carismático e profundamente brasileiro.
Seus personagens - especialmente o inesquecível Odorico Paraguaçu - continuam vivos na memória cultural do país, representando uma época de ouro da dramaturgia nacional.









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