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sexta-feira, janeiro 30, 2026

As Religiões são superstições elaboradas


As religiões como superstições elaboradas e seu impacto histórico

As religiões podem ser vistas como formas altamente elaboradas de superstição. Ao longo dos séculos, elas desenvolveram estruturas complexas - livros sagrados, literatura teológica, doutrinas sistematizadas, rituais, hierarquias e até culturas inteiras -, o que lhes conferiu uma aparência de respeitabilidade e legitimidade social.

Essa sofisticação as diferenciou de crenças populares mais simples, permitindo que se enraizassem profundamente nas sociedades. No entanto, as crenças religiosas frequentemente se sustentam em mecanismos de autoengano, medo da morte, do desconhecido e do castigo divino.

Esses elementos emocionais foram reforçados por tradições culturais, educação desde a infância, doutrinação sistemática e, sobretudo, interesses de poder. Líderes políticos e religiosos historicamente usaram a fé como ferramenta de controle social, justificando hierarquias, obediência e até violência.

Ao longo da história, dogmas religiosos absolutistas contribuíram para incontáveis conflitos e massacres. Embora nem todos os historiadores concordem que a religião seja a causa principal (muitos conflitos misturam fatores políticos, econômicos e étnicos), guerras e perseguições com forte motivação religiosa causaram milhões de mortes. Exemplos notórios incluem:

As Cruzadas (1095-1291): Uma série de campanhas militares cristãs para reconquistar terras sagradas, resultando em estimativas de 1 a 3 milhões de mortes (alguns estudos sugerem até 5-6 milhões ao considerar fome, doenças e massacres mútuos), incluindo civis muçulmanos, judeus e até cristãos orientais.

A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648): Conflito europeu inicialmente religioso (católicos vs. protestantes), que se transformou em luta pelo poder, devastando o centro da Europa e causando entre 4 e 8 milhões de mortes (muitas por fome e epidemias).

A Inquisição (principalmente a espanhola, 1478-1834): Tribunal eclesiástico que perseguiu hereges, judeus convertidos e muçulmanos. Estimativas modernas indicam cerca de 3.000 a 5.000 execuções diretas (principalmente na fase inicial), com dezenas de milhares processados e punidos de outras formas (prisão, confisco de bens, tortura).

A Noite de São Bartolomeu (1572): Massacre de huguenotes (protestantes franceses) em Paris e províncias, ordenado ou tolerado pela coroa católica, com estimativas de 5.000 a 30.000 mortos em poucas semanas.

Conflitos xiitas vs. sunitas: Desde o século VII, disputas sectárias no Islã geraram violência recorrente, com milhares de mortes anuais em períodos recentes (como no Iraque, Síria e Iêmen pós-2003).

Outros episódios incluem as guerras religiosas na França (século XVI), a perseguição aos cátaros (Cruzada Albigense) e massacres em nome de várias fés. Estudos quantitativos (como a Encyclopedia of Wars) mostram que apenas cerca de 7% das guerras registradas na história tiveram motivação primariamente religiosa, representando menos de 2% das mortes totais em conflitos armados - o que indica que guerras seculares, nacionalistas ou ideológicas (como as do século XX) causaram muito mais vítimas.

Ainda assim, quando a religião entra como fator, a violência muitas vezes ganha caráter de "guerra santa", justificando crueldades extremas. As religiões, em sua forma institucionalizada, funcionaram historicamente como "exércitos do mal" em muitos contextos: não só por promoverem divisões e intolerância, mas por servirem de pretexto para dominação, extorsão e controle.

Líderes - papas, pastores, imãs ou gurus - frequentemente exploram o medo do inferno, da danação eterna ou da exclusão comunitária para manter fiéis obedientes e doadores generosos.

Isso afeta especialmente populações com menor acesso à educação crítica, mais suscetíveis à manipulação emocional e à lavagem cerebral coletiva. Hoje, muitos líderes religiosos e políticos continuam usando a fé para fins de poder: controle social, justificativa de desigualdades, mobilização eleitoral ou até violência (como em extremismos islâmicos, hindus nacionalistas ou cristãos evangélicos radicais).

Os fiéis, aterrorizados pela ideia de punição eterna, seguem rigorosamente pregações, doam fortunas e aceitam restrições à liberdade - mesmo quando isso beneficia elites corruptas.

Em resumo, as religiões não são apenas crenças pessoais; quando institucionalizadas e dogmáticas, tornaram-se ferramentas poderosas de opressão ao longo da história.

Embora também tenham inspirado caridade, arte e ética em muitos indivíduos, seu saldo negativo em termos de violência, intolerância e exploração continua evidente. A humanidade talvez avance mais quando priorizar razão, empatia e evidências em vez de dogmas absolutos.


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