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quarta-feira, dezembro 17, 2025

No velório...


Precisamos aprender a usar melhor as ferramentas de comunicação que são as inúmeras redes sociais: X (antigo Twitter), Facebook, Instagram, Telegram, entre outras. Essas plataformas revolucionaram a forma como nos conectamos, aproximando pessoas distantes geograficamente e permitindo trocas instantâneas de informações, fotos e experiências.

No entanto, paradoxalmente, elas também afastam aquelas que estão fisicamente próximas. Estudos e observações cotidianas mostram que o uso excessivo de redes sociais pode levar ao isolamento social, mesmo em ambientes compartilhados, como lares ou espaços públicos.

Um exemplo claro disso é o que acontece nas refeições familiares: no café da manhã, almoço ou jantar, especialmente entre os jovens, é comum ver pessoas comendo e teclando ao mesmo tempo. O diálogo, que antes era natural à mesa, praticamente desapareceu em muitas casas.

Não há mais aquela interação rica de sentar no sofá para assistir a um filme, ao noticiário ou à novela em família, comentando e compartilhando emoções. Esse comportamento, conhecido como phubbing (uma combinação de "phone" e "snubbing", ou seja, ignorar alguém em favor do celular), tem sido amplamente estudado e associado a uma redução na qualidade das relações interpessoais.

Pesquisas indicam que ele gera sentimentos de exclusão, diminui a satisfação nos relacionamentos e pode contribuir para problemas como ansiedade e depressão. Nas ruas, no ônibus, no metrô ou até dentro de carros, as pessoas raramente se olham nos olhos ou interagem de forma espontânea.

Em vez disso, estão imersas nas telas, rolando feeds infinitos. Essa perda de atenção ao entorno não é inofensiva: ela aumenta riscos reais, como não perceber perigos iminentes. Há relatos e estudos que apontam para um crescimento em incidentes de furtos de celulares e bolsas em transportes públicos, justamente porque as vítimas estão distraídas.

Embora a distração por celular seja mais documentada em acidentes de trânsito (com milhares de mortes anuais associadas globalmente), o mesmo princípio de "cegueira por desatenção" se aplica a situações cotidianas, onde não se nota a aproximação de um assaltante ou outros riscos.

A ilustração reflete uma realidade preocupante: estamos perdendo o discernimento em momentos cruciais. O uso excessivo de redes sociais fragmenta a atenção, reduz a capacidade de concentração profunda e pode alterar até mesmo estruturas cerebrais, especialmente em jovens, segundo pesquisas recentes.

Isso leva a uma maior vulnerabilidade emocional, com aumento de comparações sociais negativas, baixa autoestima e sensação de solidão, mesmo estando "conectados" o tempo todo.

Para contrabalançar esses efeitos, é essencial cultivar hábitos conscientes: estabelecer zonas livres de celular durante refeições ou encontros familiares, priorizar interações presenciais e limitar o tempo diário nas redes (especialistas sugerem não exceder 3 horas para evitar riscos maiores à saúde mental).

As redes sociais são ferramentas poderosas quando usadas com moderação, mas, sem equilíbrio, elas podem transformar conexões reais em superficialidade digital. Aprender a desligar a tela é, hoje, uma forma de reconectar com o mundo ao nosso redor e com as pessoas que realmente importam.

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