Precisamos aprender a usar melhor as
ferramentas de comunicação que são as inúmeras redes sociais: X (antigo
Twitter), Facebook, Instagram, Telegram, entre outras. Essas plataformas
revolucionaram a forma como nos conectamos, aproximando pessoas distantes geograficamente
e permitindo trocas instantâneas de informações, fotos e experiências.
No entanto, paradoxalmente, elas também
afastam aquelas que estão fisicamente próximas. Estudos e observações
cotidianas mostram que o uso excessivo de redes sociais pode levar ao
isolamento social, mesmo em ambientes compartilhados, como lares ou espaços
públicos.
Um exemplo claro disso é o que acontece nas
refeições familiares: no café da manhã, almoço ou jantar, especialmente entre
os jovens, é comum ver pessoas comendo e teclando ao mesmo tempo. O diálogo,
que antes era natural à mesa, praticamente desapareceu em muitas casas.
Não há mais aquela interação rica de sentar
no sofá para assistir a um filme, ao noticiário ou à novela em família,
comentando e compartilhando emoções. Esse comportamento, conhecido como
phubbing (uma combinação de "phone" e "snubbing", ou seja,
ignorar alguém em favor do celular), tem sido amplamente estudado e associado a
uma redução na qualidade das relações interpessoais.
Pesquisas indicam que ele gera sentimentos de
exclusão, diminui a satisfação nos relacionamentos e pode contribuir para
problemas como ansiedade e depressão. Nas ruas, no ônibus, no metrô ou até
dentro de carros, as pessoas raramente se olham nos olhos ou interagem de forma
espontânea.
Em vez disso, estão imersas nas telas,
rolando feeds infinitos. Essa perda de atenção ao entorno não é inofensiva: ela
aumenta riscos reais, como não perceber perigos iminentes. Há relatos e estudos
que apontam para um crescimento em incidentes de furtos de celulares e bolsas
em transportes públicos, justamente porque as vítimas estão distraídas.
Embora a distração por celular seja mais
documentada em acidentes de trânsito (com milhares de mortes anuais associadas
globalmente), o mesmo princípio de "cegueira por desatenção" se
aplica a situações cotidianas, onde não se nota a aproximação de um assaltante
ou outros riscos.
A ilustração reflete uma realidade
preocupante: estamos perdendo o discernimento em momentos cruciais. O uso
excessivo de redes sociais fragmenta a atenção, reduz a capacidade de
concentração profunda e pode alterar até mesmo estruturas cerebrais,
especialmente em jovens, segundo pesquisas recentes.
Isso leva a uma maior vulnerabilidade emocional,
com aumento de comparações sociais negativas, baixa autoestima e sensação de
solidão, mesmo estando "conectados" o tempo todo.
Para contrabalançar esses efeitos, é
essencial cultivar hábitos conscientes: estabelecer zonas livres de celular
durante refeições ou encontros familiares, priorizar interações presenciais e
limitar o tempo diário nas redes (especialistas sugerem não exceder 3 horas
para evitar riscos maiores à saúde mental).
As redes sociais são ferramentas poderosas
quando usadas com moderação, mas, sem equilíbrio, elas podem transformar
conexões reais em superficialidade digital. Aprender a desligar a tela é, hoje,
uma forma de reconectar com o mundo ao nosso redor e com as pessoas que
realmente importam.








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