A fase de querer “pegar todas(os)” vai passar
A fase de querer
“pegar todas(os)” quase sempre passa. Ela costuma ser apenas uma etapa - uma
mistura de curiosidade, vaidade, necessidade de validação, adrenalina e, muitas
vezes, uma tentativa silenciosa de fugir de si mesmo.
É comum na juventude, quando o ego está
inflado, o coração é impaciente e o futuro parece uma linha distante no
horizonte. Nesse período, tudo parece intenso e urgente: as noites são longas,
as promessas são rápidas e os encontros se multiplicam como se fossem
infinitos.
Há sempre mais uma festa, mais uma conversa
superficial, mais um rosto que, por algumas horas, parece preencher um vazio
que ninguém ousa admitir. Mas o tempo não negocia com ilusões.
Ele passa -
silencioso, constante, implacável. E enquanto passa, vai transformando tudo: os
desejos, as prioridades, o corpo, os sonhos. Quer você queira ou não, a vida
acaba cobrando maturidade. E aquilo que você planta hoje - superficialidade,
relações descartáveis, noites vazias de significado - é exatamente o que corre
o risco de colher amanhã.
Pense bem: muitas das pessoas que encontramos
nas madrugadas barulhentas, nos encontros rápidos, na empolgação das baladas e
na pressa das paixões momentâneas dificilmente estarão por perto quando a festa
da vida terminar.
Porque a festa
termina. Ela termina quando o corpo já não responde com a mesma energia. Quando
a beleza física perde o brilho da juventude. Quando as prioridades mudam e a
solidão começa a fazer perguntas que antes eram abafadas pela música alta.
É nesse momento
que muita gente percebe algo doloroso: não se constrói um lar, uma família ou
um companheirismo verdadeiro sobre encontros passageiros e promessas feitas
entre um gole e outro.
O que permanece
de verdade são outras coisas. São as relações construídas com paciência. São os
vínculos que nascem do respeito. São as conversas que atravessam a madrugada
não por desejo momentâneo, mas por afinidade de alma.
São os laços que
sobrevivem às discussões, às crises financeiras, às frustrações inevitáveis da
vida. São as pessoas que permanecem não por impulso ou conveniência, mas por
escolha consciente - renovada dia após dia.
O amor real não
é feito de fogos de artifício. Ele se parece mais com uma chama tranquila que
continua acesa mesmo quando o vento sopra forte. Por isso, vale a pena refletir
enquanto ainda há tempo. O que você está semeando hoje?
Momentos
passageiros que deixam apenas lembranças vagas e um vazio maior no dia seguinte?
Ou sementes de algo mais profundo - confiança, lealdade, parceria, crescimento
mútuo?
Porque a velhice
chega para todos. E quando ela chega, não traz filtros de redes sociais, nem
trilhas sonoras para esconder o silêncio da casa. Ela traz apenas duas coisas:
memória e consequência.
Memória das
escolhas feitas. E consequência de tudo aquilo que decidimos priorizar ao longo
do caminho. Por isso, colha com sabedoria.
Às vezes,
amadurecer não significa abrir mão da alegria ou da liberdade. Significa apenas
entender que a verdadeira liberdade está em escolher com consciência aquilo que
realmente vale a pena.
E, se possível, mudar de fase antes que a própria vida se encarregue de fazer isso - de um jeito muito mais duro.









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