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segunda-feira, setembro 15, 2025

Pura sabedoria



Quando perguntaram ao Sheikh Rashid bin Saeed Al Maktoum, o visionário fundador do Dubai moderno, sobre o futuro de seu país, ele respondeu com uma reflexão profunda e profética:

"Meu avô montava camelos, meu pai montava camelos, eu dirigi uma Mercedes, meu filho dirige um Land Rover, e meu neto também dirigirá um Land Rover. Mas meu bisneto?

Ele terá que montar um camelo novamente. "Por quê? Ele explicou: "Tempos difíceis forjam homens fortes. Homens fortes constroem tempos fáceis. Tempos fáceis geram homens fracos. E homens fracos criam tempos difíceis novamente.

"Essa parábola, atribuída a Sheikh Rashid, encapsula uma visão cíclica da história e da natureza humana. Ele alertava que a prosperidade, embora desejada, pode semear as sementes de sua própria ruína se não for acompanhada de disciplina, resiliência e propósito.

A mensagem ressoa como um chamado à responsabilidade: para que uma sociedade prospere a longo prazo, é essencial cultivar "guerreiros" - indivíduos resilientes, determinados e comprometidos com valores sólidos - em vez de "parasitas", que apenas consomem os frutos do trabalho alheio sem contribuir para o bem comum.

Contexto e Relevância

Sheikh Rashid, que governou Dubai de 1958 a 1990, foi o arquiteto da transformação de um pequeno porto comercial em um centro global de comércio, turismo e inovação.

Sob sua liderança, Dubai passou de uma vila dependente da pesca de pérolas e do comércio marítimo para uma metrópole futurista, com arranha-céus, portos modernos e uma economia diversificada.

Ele investiu pesadamente em infraestrutura, como o Porto de Jebel Ali, e promoveu políticas que atraíram investidores internacionais, pavimentando o caminho para o Dubai que conhecemos hoje.

Sua metáfora do camelo reflete não apenas uma observação sobre Dubai, mas uma verdade universal. Durante sua vida, Sheikh Rashid testemunhou a ascensão de Dubai em meio a desafios como a escassez de recursos naturais e a dependência inicial do petróleo.

Ele sabia que a riqueza fácil poderia levar à complacência. A transição do camelo para a Mercedes simboliza o progresso material, mas o retorno ao camelo sugere a possibilidade de declínio se as futuras gerações não preservarem os valores de trabalho árduo, visão estratégica e adaptabilidade que ele cultivou.

A Profecia e os Acontecimentos Atuais

A citação de Sheikh Rashid ganhou nova relevância em um mundo marcado por rápidas transformações econômicas, tecnológicas e sociais. Em Dubai, a prosperidade trouxe desafios modernos: a dependência de mão de obra expatriada, a busca por sustentabilidade em uma economia pós-petróleo e a necessidade de manter a competitividade global.

O emirado tem investido em inteligência artificial, energias renováveis e turismo de luxo, mas também enfrenta questões como desigualdade social e a pressão para diversificar ainda mais sua economia.

Globalmente, a parábola ecoa em sociedades que lidam com os efeitos da automação, da polarização cultural e das crises ambientais. Tempos de abundância, como os vividos em muitas nações desenvolvidas, podem levar à fragilidade se as gerações futuras não forem educadas para enfrentar adversidades.

A mensagem de Sheikh Rashid é um lembrete de que a força de uma sociedade não está apenas em sua riqueza, mas na capacidade de seus indivíduos de se adaptarem, inovarem e perseverarem.

Um Chamado à Ação

A lição de Sheikh Rashid transcende Dubai e o contexto árabe. É um convite para que líderes, educadores e indivíduos invistam na formação de caráter, resiliência e visão de longo prazo.

"Criar guerreiros, não parasitas" significa fomentar uma mentalidade de responsabilidade, inovação e compromisso com o coletivo, em vez de ceder à complacência ou ao consumismo desenfreado.

Em um mundo onde a facilidade pode enfraquecer a determinação, a mensagem é clara: a verdadeira força de uma nação ou comunidade reside em sua capacidade de preparar as próximas gerações para os desafios inevitáveis do futuro.

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