Hoover Dam: a tragédia que uniu pai e filho na história de uma grande obra
Treze anos separam duas mortes
marcadas pela mesma data. A primeira vítima foi o pai; a última, seu próprio
filho.
A construção da Hoover Dam,
uma das principais obras de engenharia dos Estados Unidos, deixou um legado
impressionante de progresso, mas também uma história de perdas humanas e uma
coincidência que atravessou gerações.
Localizada no rio Colorado, na
fronteira entre os estados de Nevada e Arizona, a represa foi construída para
controlar as cheias, armazenar água, fornecer recursos para irrigação e gerar
energia elétrica.
Sua construção começou em 1931
e se tornou um dos grandes desafios da engenharia norte-americana durante a
Grande Depressão. Entre os números associados ao empreendimento, um chama a
atenção: 112 mortes foram relacionadas ao projeto, segundo registros históricos
do governo norte-americano.
Esse total, porém, inclui
ocorrências anteriores ao início efetivo da construção, além de mortes por
diferentes causas. O número oficial de mortes por acidentes industriais no
local da obra foi de 96.
É nesse contexto que surge a
história de John Gregory Tierney, conhecido como J. G. Tierney. Em 20 de
dezembro de 1922, enquanto participava de trabalhos de levantamento geológico
no rio Colorado, ele morreu afogado durante uma enchente repentina.
Treze anos depois, em 20 de
dezembro de 1935, seu filho, Patrick W. Tierney, que trabalhava como ajudante
de eletricista, também morreu durante as atividades relacionadas ao projeto.
Ele caiu de uma das torres de captação de água da represa.
A coincidência é impressionante:
pai e filho morreram no mesmo dia do calendário, separados por exatamente treze
anos. Patrick ficou conhecido como a última fatalidade registrada na relação
histórica de mortes associadas ao projeto da Hoover Dam.
A história também exige uma
ressalva: J. G. Tierney é frequentemente citado como a primeira vítima da
construção, mas os registros históricos identificam Harold Connelly, morto em
15 de maio de 1921 durante trabalhos de levantamento no rio, como a primeira
morte associada ao projeto. Tierney foi a segunda.
A Hoover Dam permanece como um
marco da engenharia moderna. Sua imponência, entretanto, não deve apagar a
memória daqueles que morreram em atividades ligadas à sua realização.
Por trás de toneladas de concreto, máquinas gigantescas e cálculos de engenharia, existiam pessoas, famílias e histórias interrompidas. E, entre tantas tragédias, a de J. G. Tierney e Patrick Tierney continua a chamar a atenção pela coincidência dolorosa que marcou a história dessa obra monumental.









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