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sexta-feira, setembro 11, 2026

Uma crise institucional que preocupa o Brasil


 

O Brasil atravessa uma crise institucional gravíssima – talvez uma das mais preocupantes que consigo recordar, mesmo olhando para períodos turbulentos de nossa história.

O que deveria representar o mais alto nível da Justiça brasileira muitas vezes parece ter se transformado em um ambiente marcado por conflitos, disputas de poder, declarações públicas e divergências que ultrapassam os limites que a sociedade espera de uma Suprema Corte.

O Supremo Tribunal Federal (STF), instituição fundamental para a democracia e para o equilíbrio entre os Poderes, precisa preservar sua autoridade, sua independência e, sobretudo, a confiança da população.

Quando ministros da mais alta Corte do país entram em confrontos públicos ou são envolvidos em controvérsias, a consequência não atinge apenas os seus integrantes: atinge a própria credibilidade das instituições.

Enquanto isso, o Poder Legislativo é frequentemente acusado pela sociedade de omissão, fisiologismo, corporativismo e envolvimento em sucessivos escândalos. O Executivo, por sua vez, também enfrenta profundas críticas relacionadas à condução política, econômica e administrativa do país.

O resultado é preocupante: Executivo, Legislativo e Judiciário, que deveriam funcionar de maneira independente e harmônica, parecem cada vez mais envolvidos em uma disputa permanente por espaço, influência e poder.

E aqui existe uma questão que não pode ser ignorada: quem fiscaliza aqueles que fiscalizam? Quem julga aqueles que julgam? E quais são os limites do poder quando as próprias instituições encarregadas de estabelecer esses limites entram em conflito?

Também é legítimo discutir politicamente as indicações para o STF. Diversos ministros foram nomeados por diferentes presidentes da República, inclusive por governos do PT e de outros partidos. Entretanto, reduzir toda a atuação da Corte à vontade de um único partido seria simplificar uma questão institucional muito mais complexa.

Da mesma forma, denúncias ou suspeitas envolvendo autoridades precisam ser investigadas com rigor e, quando comprovadas, receber as consequências previstas em lei. Acusações sem provas, porém, não podem substituir a investigação, o devido processo legal e o julgamento baseado em fatos.

O problema maior talvez esteja justamente na perda de confiança. Uma democracia não sobrevive apenas de eleições. Ela depende de instituições fortes, independentes, transparentes e capazes de respeitar seus próprios limites.

Quando a população passa a enxergar o Judiciário com desconfiança, o Legislativo com descrédito e o Executivo com desilusão, alguma coisa está profundamente errada. Não se trata simplesmente de defender esquerda ou direita. Não se trata de proteger governo, partido, ministro, deputado ou presidente. Trata-se de defender o cidadão.

O Brasil não precisa de ídolos políticos, jurídicos ou ideológicos. Precisa de instituições que funcionem, de autoridades que respeitem a Constituição e de homens públicos que compreendam que nenhum cargo é maior do que a República.

Criticar o poder não é ser contra a democracia. É uma das formas de mantê-la viva. E talvez a pergunta mais importante que deveríamos fazer neste momento seja simples:

Quem vigia o poder quando o poder começa a vigiar a si mesmo?

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