A vida é a única coisa que recebemos sem pedir e
perdemos sem querer. Chegamos ao mundo com o primeiro choro, sem saber quanto
tempo teremos pela frente. E, desde então, cada instante que passa nos
aproxima, silenciosamente, do último suspiro.
É curioso pensar que passamos grande parte da
existência preocupados em acumular dinheiro, bens, títulos, reconhecimento e
tantas outras coisas que, no fim, não podem comprar sequer um minuto a mais de
vida.
Porque, na verdade, estamos pagando pela vida
todos os dias. Não com dinheiro, mas com tempo. E o tempo é a moeda mais cara que existe.
Cada manhã que amanhece, cada conversa que temos,
cada abraço que damos, cada pessoa que amamos, cada viagem, cada silêncio, cada
lágrima e cada sorriso são momentos que jamais voltarão exatamente da mesma
maneira.
O dinheiro pode ser perdido e recuperado. Uma
casa pode ser reconstruída. Um objeto pode ser comprado novamente. Até mesmo
algumas oportunidades podem reaparecer. O tempo, não.
O minuto que passou não retorna. O dia de ontem
não pode ser vivido novamente. E aquilo que deixamos para depois, muitas vezes,
encontra no amanhã uma porta que já não existe.
Talvez por isso a vida nos ensine, quase sempre
tarde demais, que não deveríamos desperdiçar tanto tempo com aquilo que não
merece nossa paz.
Não vale a pena passar anos alimentando
ressentimentos, disputando orgulho, tentando agradar a todos ou adiando
abraços, encontros, sonhos e palavras que poderiam ter sido ditas hoje.
A vida não nos cobra apenas o que fazemos. Ela
também nos cobra, silenciosamente, tudo aquilo que deixamos de fazer.
Por isso, enquanto houver tempo, ame mais, perdoe quando
puder, abrace sem economizar, diga o que sente, esteja perto de quem importa e
não tenha vergonha de demonstrar carinho.
Porque, no final, talvez a maior riqueza de uma
pessoa não seja aquilo que ela conseguiu acumular, mas aquilo que conseguiu
viver. A vida não é uma conta bancária na qual podemos fazer
depósitos de tempo.
Cada dia que passa é uma retirada. E ninguém sabe
exatamente qual será o saldo quando chegar à última página. Por isso, viva. Não
espere ter tudo para começar a aproveitar a vida. Não espere o momento
perfeito, porque ele talvez nunca chegue.
O único tempo que realmente
temos é este: o agora. E talvez seja justamente por isso que o presente
tenha esse nome. Porque é o único presente que a vida continua nos oferecendo –
até o dia em que não houver mais tempo para recebê-lo.









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