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quinta-feira, setembro 03, 2026

Há despedidas que ninguém vê.


 

Há mortos que eu nunca esquecerei, e vivos que, para mim, já morreram há muito tempo.

Porque nem toda morte acontece quando o coração para de bater. Algumas acontecem lentamente, em nós. Morre a confiança. Morrem os sonhos. Morrem as expectativas. Morre a vontade de insistir.

E, um dia, percebemos que alguém continua vivo no mundo, mas já não vive em nosso coração. Talvez essa seja uma das despedidas mais difíceis: aquela que não precisa de lágrimas, abraços ou últimas palavras.

Acontece em silêncio, quando finalmente deixamos de esperar. Deixamos de esperar a mensagem. O pedido de desculpas. A mudança que nunca veio. O amor que nunca foi recíproco.

E seguimos.

Não porque não sentimos mais, mas porque aprendemos que sentir não é motivo suficiente para permanecer onde já não existe paz. Despedir-se também é um ato de coragem.

É aceitar que algumas pessoas pertencem ao nosso passado, mesmo que continuem vivas no presente. É guardar as lembranças sem tentar reconstruir a história.

É perdoar sem necessariamente reabrir a porta. É sentir saudade sem confundir saudade com vontade de voltar.

Há pessoas que partiram deste mundo, mas continuam eternas em nossa memória. E há outras que continuam respirando, mas deixaram de existir em nós.

No fim, talvez amadurecer seja aprender que nem toda despedida é uma perda. Algumas são libertação.

E existem despedidas que, após nos arrancarem tantas lágrimas, finalmente nos devolvem aquilo que havíamos perdido no caminho: a nós mesmos.

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