Há mortos que eu
nunca esquecerei, e vivos que, para mim, já morreram há muito tempo.
Porque nem toda
morte acontece quando o coração para de bater. Algumas acontecem lentamente,
em nós. Morre a confiança. Morrem os sonhos. Morrem as expectativas. Morre
a vontade de insistir.
E, um dia,
percebemos que alguém continua vivo no mundo, mas já não vive em nosso coração.
Talvez essa seja uma das despedidas mais difíceis: aquela que não precisa de
lágrimas, abraços ou últimas palavras.
Acontece em
silêncio, quando finalmente deixamos de esperar. Deixamos de esperar a
mensagem. O pedido de desculpas. A mudança que nunca veio. O amor que nunca foi
recíproco.
E seguimos.
Não porque não
sentimos mais, mas porque aprendemos que sentir não é motivo suficiente para
permanecer onde já não existe paz. Despedir-se também é um ato de coragem.
É aceitar que
algumas pessoas pertencem ao nosso passado, mesmo que continuem vivas no
presente. É guardar as lembranças sem tentar reconstruir a história.
É perdoar sem
necessariamente reabrir a porta. É sentir saudade sem confundir saudade com
vontade de voltar.
Há pessoas que
partiram deste mundo, mas continuam eternas em nossa memória. E há outras que
continuam respirando, mas deixaram de existir em nós.
No fim, talvez amadurecer
seja aprender que nem toda despedida é uma perda. Algumas são libertação.
E existem
despedidas que, após nos arrancarem tantas lágrimas, finalmente nos
devolvem aquilo que havíamos perdido no caminho: a nós mesmos.









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