Os netos!
Os netos são novos filhos? Não.
São algo diferente, e talvez ainda mais difícil de explicar. Um neto é um sonho
que, de repente, ganha rosto, sorriso, voz e pequenos braços para nos abraçar.
É como se a vida nos
oferecesse uma nova oportunidade de experimentar o amor com mais calma, mais
maturidade e uma ternura que o tempo foi ensinando.
Os filhos foram o projeto da
vida. Os netos são a confirmação de que esse projeto valeu a pena. Quando
seguramos um neto nos braços, parece que o tempo diminui o passo.
Voltamos a enxergar o mundo
com os olhos da infância: admiramos um sorriso, celebramos os primeiros passos,
nos emocionamos com cada palavra pronunciada e guardamos na memória gestos que,
para outros, poderiam parecer pequenos, mas que para nós se tornam
inesquecíveis.
Os netos nos dão beijos que
parecem tocar lugares do coração que ninguém havia alcançado. Neles, a vida se
alarga até os limites de um amor que nem sabíamos que ainda cabia em
nós.
É um amor sem pressa, sem a
ansiedade de educar o mundo inteiro. Com os netos, muitas vezes, aprendemos
simplesmente a estar presentes: brincar, ouvir, contar histórias, fazer
cócegas, dividir um doce e sorrir das mesmas coisas quantas vezes forem
necessárias.
Talvez porque já tenhamos
aprendido que a infância passa depressa. Os filhos nos ensinaram a
responsabilidade, o cuidado, a renúncia e a coragem. Os netos nos ensinam
novamente a delicadeza, a paciência e a capacidade de celebrar as pequenas
coisas.
Os filhos são raízes. Os netos
são flores que nascem dessas raízes. E existe algo profundamente bonito nessa
continuidade. Quando olhamos para um neto, não enxergamos apenas uma criança.
Enxergamos um pedaço da nossa própria história caminhando para o futuro.
Há nos seus olhos um pouco dos
nossos filhos, dos nossos sonhos e até daqueles que vieram antes de nós. Os
netos também nos devolvem uma juventude que já não existe no corpo, mas que
permanece viva na alma.
Eles nos fazem correr quando
as pernas já não querem correr, brincar quando a vida nos ensinou a ser sérios
e sorrir sem precisar de motivo. Ao lado deles, descobrimos que envelhecer não
significa deixar de viver intensamente. Significa aprender a valorizar aquilo que
realmente importa.
Os netos são, muitas vezes, o
alimento espiritual da velhice. Não porque preencham algum vazio, mas porque
acrescentam novos significados à existência. Eles nos lembram que a vida
continua, que o amor não envelhece e que sempre existe uma nova razão para
esperar o amanhã.
Um dia, eles vão crescer e seguir
seus próprios caminhos. Terão suas escolhas, seus sonhos, suas dificuldades e
suas próprias histórias para contar. Mas, enquanto forem pequenos, aproveite.
Segure-os no colo. Brinque.
Conte histórias. Tire fotografias. Diga que os ama. Escute suas perguntas.
Perdoe suas travessuras. Esteja presente. Porque o tempo não devolve a
infância.
Os filhos nos deram a
experiência de amar alguém mais do que a nós mesmos. Os netos nos ensinam que
esse amor pode renascer ainda mais sereno, profundo e generoso.
E talvez seja esse um dos
maiores presentes que a vida oferece: após uma longa caminhada, poder
olhar para uma criança e perceber que o amor encontrou uma nova forma de
continuar.









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