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sábado, julho 18, 2026

Encontro


Há pessoas que passam a vida falando daquilo que encontraram pelo caminho: conquistas, amizades, amores, aprendizados e memórias que o tempo não conseguiu apagar. Outras preferem narrar as ausências, aquilo que buscaram incansavelmente e nunca alcançaram, como se a falta também pudesse contar uma história.

Existem ainda aquelas que dedicam suas palavras ao impossível, ao que jamais poderá ser tocado, mas que continua habitando os sonhos, a imaginação e a esperança.

Entretanto, há encontros que desafiam qualquer definição. Eles não são planejados, não obedecem a calendários nem se deixam prender pela lógica. Acontecem de maneira inesperada, como uma emboscada delicada do destino.

Surgem entre as mãos, leves e silenciosos, semelhantes a uma andorinha solitária que jamais pertenceu a qualquer bando. São encontros raros, únicos, impossíveis de serem repetidos da mesma forma.

Esses instantes carregam um gesto secreto, quase invisível aos olhos apressados. Podem despertar a compaixão esquecida, restaurar afetos adormecidos e lembrar que a verdadeira grandeza dos encontros não está apenas na presença física, mas na transformação que provocam em quem os vive.

Um único olhar sincero, uma palavra dita no momento certo ou um abraço inesperado podem modificar destinos inteiros. Todo encontro autêntico nasce da mesma necessidade com que a água encontra quem tem sede.

Ele responde a um vazio silencioso que muitas vezes nem sabíamos existir. Quando acontece, não é apenas um acontecimento: é um renascimento. Há encontros que devolvem a esperança, reconciliam pessoas consigo mesmas e fazem florescer aquilo que parecia definitivamente perdido.

O restante são apenas aproximações superficiais, ilusões que passam diante de nós sem deixar raízes. São miragens que encantam por um instante, mas desaparecem assim que a realidade se aproxima.

Não possuem força suficiente para transformar a paisagem da alma, assim como uma miragem jamais consegue saciar a sede de quem atravessa o deserto. Talvez seja justamente por isso que os encontros verdadeiros sejam tão raros e tão preciosos.

Eles não se medem pelo tempo que duram, mas pela profundidade das marcas que deixam. Alguns acontecem em poucos minutos e permanecem vivos por toda uma existência; outros convivem conosco durante anos sem jamais se tornarem realmente um encontro.

Como escreveu o poeta argentino Roberto Juarroz em A Árvore Derrubada pelos Frutos, os encontros mais significativos são aqueles que escapam às explicações. Eles simplesmente acontecem, transformam-nos em silêncio e seguem vivendo em nós muito após terem terminado.

São eles que, discretamente, dão sentido ao caminho e nos fazem compreender que, às vezes, o maior acontecimento da vida não é encontrar alguém, mas permitir que esse encontro nos transforme.

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