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quinta-feira, julho 16, 2026

A Beleza do Mundo!

 

A beleza que resiste ao caos.

Há momentos em que o mundo parece pesado demais. As guerras, a violência, a intolerância, a desigualdade e a indiferença fazem parecer que o caos venceu e que a esperança se tornou apenas uma palavra esquecida. Diante de tantas notícias desalentadoras, é natural perguntar o que ainda nos permite contemplar a existência sem sucumbir ao desalento.

O escritor britânico W. Somerset Maugham expressou esse sentimento de maneira memorável ao afirmar que a única coisa capaz de nos fazer olhar para o mundo sem asco é a beleza que, de tempos em tempos, o ser humano consegue fazer brotar do próprio caos.

Essa beleza manifesta-se de muitas formas. Está nas telas que eternizam emoções, nas melodias que traduzem sentimentos que as palavras não conseguem explicar, nos livros que atravessam gerações preservando memórias, ideias e sonhos.

Ela também está na arquitetura, na poesia, na ciência, nas descobertas que ampliam nosso entendimento do universo e, sobretudo, nos gestos cotidianos de solidariedade, compaixão e generosidade que raramente ocupam as manchetes dos jornais.

Entretanto, entre todas as obras criadas pelo ser humano, nenhuma é mais grandiosa do que a própria maneira de viver. Uma vida conduzida com dignidade, honestidade, empatia e respeito transforma-se na mais elevada expressão da arte.

Não depende de fama, riqueza ou reconhecimento público. Ela se revela nas pequenas escolhas diárias: no cuidado com a família, na palavra de conforto oferecida a quem sofre, na coragem de permanecer íntegro quando seria mais fácil ceder ao egoísmo. A verdadeira beleza não elimina o sofrimento nem apaga as injustiças do mundo. Ela existe justamente porque nasce em contraste com elas.

Uma flor que rompe o asfalto, uma criança que sorri em meio às dificuldades, um professor que transforma destinos, um médico que salva vidas, um artista que desperta emoções ou uma pessoa comum que escolhe fazer o bem sem esperar recompensa são exemplos de que a humanidade ainda conserva sua capacidade de criar luz onde parece existir apenas escuridão.

Talvez seja por isso que a arte e a bondade permaneçam indispensáveis. Elas não mudam imediatamente o rumo da história, mas impedem que percamos completamente a confiança na condição humana.

Recordam-nos que, apesar da brutalidade que tantas vezes domina os acontecimentos, ainda existe espaço para a sensibilidade, para a criação e para a esperança.

A beleza não é apenas aquilo que admiramos; é também aquilo que construímos por meio de nossas atitudes. Cada gesto de respeito, cada ato de generosidade, cada palavra de incentivo e cada demonstração de amor acrescentam algo de valioso ao mundo. São pequenas obras que, reunidas, desafiam o caos e dão sentido à existência.

Como escreveu W. Somerset Maugham:

“Tenho a impressão de que a única coisa que nos permite olhar este mundo em que vivemos sem asco é a beleza que, de vez em quando, os homens fazem brotar do caos. Os quadros que pintam, as músicas que compõem, os livros que escrevem e a vida que levam. De todas estas coisas, a mais rica em beleza é a vida, quando é bela. É a obra de arte suprema.”

Mais do que uma reflexão sobre a arte, essa frase é um convite para que cada um de nós transforme a própria existência em uma obra digna de ser lembrada. Afinal, entre todas as criações humanas, nenhuma possui maior poder de inspirar do que uma vida vivida com beleza, caráter e humanidade.

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