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segunda-feira, julho 13, 2026

O Bom Samaritano é Ateu



A antiga parábola do Bom Samaritano continua sendo uma das histórias mais marcantes sobre compaixão. Nela, um homem é assaltado e abandonado quase sem vida na estrada entre Jerusalém e Jericó. Enquanto líderes religiosos passam por ele sem oferecer ajuda, um samaritano – pertencente a um povo desprezado pelos judeus da época – interrompe sua viagem, cuida do ferido e garante que ele receba tratamento.

A força dessa narrativa está justamente em mostrar que a bondade não depende da identidade religiosa de uma pessoa, mas de suas ações. Se, algum dia – e que isso jamais aconteça – alguém for vítima de um assalto naquela mesma estrada simbólica entre Jerusalém e Jericó, talvez seja mais importante encontrar alguém disposto a ajudar do que saber qual é sua crença.

O socorro pode vir de um religioso profundamente comprometido com sua fé, de um ateu convicto ou de alguém sem qualquer vínculo religioso. O que realmente faz diferença é a capacidade de reconhecer o sofrimento alheio e agir.

Ao longo da história, tanto pessoas religiosas quanto não religiosas protagonizaram exemplos extraordinários de solidariedade, assim como também houve casos de indiferença em ambos os grupos.

A religião, por si só, não transforma automaticamente alguém em uma pessoa mais generosa, assim como a ausência de crença não impede o desenvolvimento da empatia.

Pesquisas nas áreas de Psicologia e Ciências Sociais sugerem que fatores como educação, ambiente familiar, cultura e experiências de vida exercem influência significativa sobre os comportamentos altruístas.

Alguns estudos apontam que indivíduos menos religiosos podem demonstrar maior espontaneidade ao ajudar desconhecidos, especialmente quando não esperam reconhecimento ou recompensa.

Outros trabalhos, porém, mostram que pessoas religiosas tendem a participar mais de ações voluntárias e de caridade, sobretudo quando essas iniciativas estão ligadas às suas comunidades de fé. Em outras palavras, os resultados variam conforme o contexto e o tipo de ajuda analisado.

Essa diversidade de conclusões revela uma verdade simples: a compaixão é muito mais complexa do que uma questão de crença. Ela nasce da capacidade humana de enxergar o outro como alguém digno de cuidado, independentemente de sua origem, religião, posição social ou visão de mundo.

Talvez a maior lição da parábola do Bom Samaritano seja justamente essa. O verdadeiro valor de uma pessoa não está no rótulo que carrega, mas na disposição de estender a mão quando alguém precisa.

Em um mundo frequentemente dividido por ideologias, religiões e diferenças culturais, a empatia continua sendo a linguagem mais universal que existe.

2 Comentários:

Abigail Pereira Aranha disse...

"O bom samaritano é ateu". El País, 07 de novembro de 2015. https://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/05/ciencia/1446717405_450204.html

Abigail Pereira Aranha disse...

Oi. O Bom Samaritano era ateu mesmo, mas aquela época era muito difícil pra manifestar e ele não comentava sobre isso com ninguém. Se ele fosse religioso e levasse o conflito samaritano-judeu a sério, ele não teria socorrido o judeu. Agora que eu me dei conta.
Obrigada por ter compartilhado este artigo. Um abraço hétero.