Poucos atores conseguiram construir uma
imagem tão marcante e inesquecível quanto Yul Brynner. Com sua cabeça raspada,
voz firme e presença magnética, ele tornou-se uma das figuras mais icônicas do
cinema mundial, conquistando o público em produções que atravessaram gerações.
Yul Brynner nasceu em 11 de julho de 1920, na
cidade de Vladivostok, na Rússia. De origem multicultural, possuía ascendência
russa, suíça, buriata e mongol, uma mistura que contribuiu para sua aparência
singular e para o fascínio que despertava em cena. Em determinado momento de
sua juventude, chegou a adotar o nome Taidje Khan, em referência às suas raízes
orientais.
Era filho de Boris Brynner, inventor e cônsul
suíço na Rússia, e de Marussia Blagovidova. Sua infância foi marcada por constantes
mudanças. Após o abandono da família por parte do pai, ainda na década de 1930,
Yul passou a viver com a mãe, alternando sua residência entre Pequim e Paris.
Essa convivência com diferentes culturas
ampliou sua visão de mundo e contribuiu para a formação de uma personalidade
cosmopolita. Durante sua juventude em Paris, estudou Filosofia na prestigiosa
Universidade da Sorbonne.
Antes de se tornar ator, teve uma vida
bastante aventureira: trabalhou como trapezista em circos, tocou violão em
casas noturnas e chegou a conviver com artistas e intelectuais da boemia
parisiense. Essas experiências ajudaram a moldar o carisma que mais tarde o
tornaria uma estrela internacional.
Em 1941, mudou-se para os Estados Unidos,
onde decidiu estudar interpretação. Seu talento logo chamou atenção e, em 1949,
estreou no cinema com o filme Port of New York. Entretanto, o verdadeiro
reconhecimento viria poucos anos depois.
Em 1951, foi escolhido para interpretar o Rei
de Sião no musical da Broadway O Rei e Eu (The King and I). Para o papel, decidiu que mudaria sua imagem para sempre: raspou completamente a cabeça.
O visual, incomum para a época,
transformou-se em sua marca registrada e acabou influenciando a cultura
popular, ajudando a popularizar a estética da cabeça raspada em uma era em que
a calvície masculina era frequentemente motivo de constrangimento.
O sucesso do espetáculo foi extraordinário.
Brynner interpretou o personagem por mais de três décadas, retornando inúmeras
vezes aos palcos em montagens e turnês. Estima-se que tenha encarnado o Rei de
Sião cerca de 4.625 vezes, um recorde impressionante na história do teatro
musical.
Quando a Twentieth Century Fox decidiu levar O
Rei e Eu para o cinema, em 1956, a escolha de Brynner para o papel principal
foi inevitável. Sua atuação foi tão aclamada que lhe rendeu o Oscar de Melhor
Ator.
Curiosamente, ele já havia conquistado o
prêmio Tony pela mesma interpretação nos palcos, tornando-se uma das raras
personalidades do entretenimento a receber os dois maiores prêmios do teatro e
do cinema pelo mesmo personagem.
Ao longo da carreira, participou de diversos
clássicos que consolidaram seu prestígio internacional. Entre eles destacam-se
o épico bíblico Os Dez Mandamentos (1956), o faroeste Sete Homens e um Destino
(1960), o drama histórico Anastácia, a Princesa Esquecida (1956), Os Irmãos
Karamazov (1958), Taras Bulba (1962) e O Farol do Fim do Mundo (1971).
Durante as filmagens de Sete Homens e um
Destino, viveu uma relação conturbada com seu colega de elenco, Steve McQueen.
O jovem ator desejava mais destaque e frequentemente tentava chamar a atenção
das câmeras durante as cenas.
A rivalidade entre os dois tornou-se uma das
histórias mais comentadas dos bastidores de Hollywood e acabou contribuindo
para a fama do filme.
Na vida pessoal, Yul Brynner foi casado
quatro vezes e teve quatro filhos. Apesar da fama internacional, era conhecido
por sua inteligência, cultura refinada e domínio de vários idiomas, incluindo
russo, francês e inglês.
Curiosidades sobre Yul Brynner
Nasceu na Rússia, mas construiu sua carreira
artística entre a Europa e os Estados Unidos.
Falava francês fluentemente e costumava
afirmar que utilizava esse idioma para discutir arte e literatura.
Antes de se tornar ator, trabalhou como trapezista
de circo.
Interpretou o Rei de Sião mais de quatro mil
vezes ao longo da vida.
Está entre o seleto grupo de artistas que
ganharam tanto o Tony quanto o Oscar pelo mesmo papel.
Sua cabeça raspada tornou-se uma das imagens
mais reconhecidas da história do cinema.
Casou-se com Doris Kleiner durante as
filmagens de Sete Homens e um Destino.
Era fotógrafo amador e tinha grande interesse
por viagens e culturas estrangeiras.
Falava diversas línguas e era considerado um
homem extremamente culto.
Uma Última Mensagem ao Mundo
No início de 1985, Brynner enfrentava um
câncer de pulmão em estágio avançado, consequência de décadas como fumante.
Mesmo debilitado, aceitou gravar um emocionante comercial de utilidade pública
para alertar as pessoas sobre os perigos do cigarro.
A mensagem era simples e poderosa:
“Agora que eu me fui, digo a vocês: não fumem.”
O comercial foi exibido após sua morte e teve
enorme repercussão mundial. Milhões de pessoas ficaram sensibilizadas ao ver
uma das principais estrelas de Hollywood utilizando seus últimos momentos para
tentar salvar vidas. O gesto tornou-se um dos mais marcantes exemplos de
conscientização já realizados por uma celebridade.
Yul Brynner faleceu em Nova York, em 10 de
outubro de 1985, aos 65 anos. Coincidentemente, no mesmo dia, também faleceu o
lendário cineasta e ator Orson Welles. Embora tenham seguido trajetórias muito
diferentes, ambos deixaram um legado imenso para a história do cinema.
Décadas após sua partida, Yul Brynner
continua sendo lembrado não apenas por seus personagens memoráveis, mas também
por sua personalidade única, sua elegância natural e sua capacidade de
transformar cada papel em uma presença inesquecível na tela.
























