Talvez uma das
principais ilusões humanas seja acreditar que conhecemos alguém apenas porque essa
pessoa caminha ao nosso lado. A proximidade, por si só, não revela lealdade.
Às vezes, o
inimigo que conhecemos é menos perigoso do que aquele que se apresenta como
amigo, porque o primeiro nos permite manter a guarda, enquanto o segundo
encontra as portas abertas.
Quando vemos
alguém que se diz nosso amigo compartilhando interesses, espaços ou alianças
com aqueles que declaradamente nos são contrários, não devemos necessariamente
concluir que existe uma traição.
Mas devemos
observar. Porque os vínculos humanos, muitas vezes, são construídos menos sobre
sentimentos do que sobre interesses. O verdadeiro caráter de uma pessoa
raramente aparece quando tudo está bem. Ele se revela quando surge a
necessidade de escolher.
É justamente nos
momentos de conflito que descobrimos quem permanece por convicção, quem
permanece por afeto e quem permanece apenas enquanto nossa presença lhe é
conveniente.
Talvez seja por
isso que a sabedoria não esteja em desconfiar de todos, mas em aprender a observar sem
ilusões.
Nem todo sorriso
é amizade. Nem todo silêncio é neutralidade. Nem toda proximidade é lealdade.
E, às vezes,
aquele que chamamos de amigo não é necessariamente um inimigo declarado – é
apenas alguém que ainda não teve motivos suficientes para revelar de que lado
realmente está.
Porque, no teatro das
relações humanas, as palavras podem representar papéis; são as escolhas que
revelam os personagens.









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