Não culpe ninguém pelo que acontece a você. Estou
onde estou pelos caminhos e descaminhos que escolhi. Pelas decisões que tomei,
conscientes ou não, que me levaram às estradas por onde andei e ainda ando.
Estradas que, de uma forma ou de outra, acabaram me trazendo exatamente para o
lugar onde estou hoje.
Ao longo dessas
caminhadas, caí em buracos, tropecei em pedras, atravessei valas profundas e,
muitas vezes, pensei que não conseguiria continuar. Houve momentos em que o
cansaço era maior que a vontade de seguir, e houve também momentos em que
seguir era a única opção que restava.
Tomei atalhos
desconhecidos, confiei em direções incertas, acreditei em mapas que não levavam
a lugar algum. Em alguns desses atalhos, cheguei a lugares onde não queria
estar, onde não planejei chegar.
Lugares de silêncio, de perdas, de
arrependimentos e de aprendizados difíceis. Mas, olhando hoje, percebo que até
esses lugares tiveram sua importância, porque foram eles que me ensinaram o que
nenhum caminho fácil ensina.
A vida não é uma
estrada reta. É cheia de curvas, retornos, desvios e encruzilhadas. Em algumas
delas, escolhemos o caminho errado; em outras, escolhemos apenas o caminho
possível. Nem sempre decidimos com sabedoria, mas sempre decidimos com o
coração e com o entendimento que tínhamos naquele momento.
Será que eu
faria tudo de novo? Com certeza faria. Se pudesse voltar no tempo, voltaria ao
começo da mesma estrada que me trouxe até aqui. Percorreria os mesmos caminhos,
enfrentaria os mesmos obstáculos, talvez cometesse os mesmos erros — não por
teimosia, mas porque foram essas escolhas, certas e erradas, que me fizeram ser
quem sou hoje.
Cada queda me
ensinou a levantar. Cada perda me ensinou a dar valor. Cada erro me ensinou a
pensar melhor antes de seguir. E cada despedida me ensinou que nada na vida nos
pertence para sempre.
Recentemente,
uma amiga me disse algo muito simples, mas muito verdadeiro:
“A gente está onde se coloca.” Na hora,
aquilo ficou ecoando dentro de mim. E é verdade. Somos, em grande parte,
resultado das escolhas que fazemos, das portas que abrimos, das que fechamos e,
principalmente, das que tivemos receio de atravessar.
Por isso, não
culpo o destino, não culpo as pessoas, não culpo o tempo.
A vida não me trouxe até aqui sozinha — fui eu que caminhei.
E, apesar de
tudo, olhando para trás, não vejo apenas erros ou arrependimentos. Vejo uma
história. Vejo uma estrada longa, difícil às vezes, bonita em outros momentos,
mas que é minha.
Foi nela que aprendi, que perdi, que
encontrei pessoas, que me perdi de mim mesmo algumas vezes e que, gradualmente,
fui me encontrando de novo. No fim das contas, a vida é isso: um caminho que a
gente só entende depois que passa.
E talvez a grande verdade seja esta: não
importa tanto onde estamos agora, mas como continuamos caminhando a partir
daqui.

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