quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O significado da surra histórica que Renan deu no supremo. Por Paulo Nogueira


E Renan surrou o Supremo.
Desobedeceu a uma ordem do ministro Marco Aurélio e foi para o confronto.
Nocauteou.
Marco Aurélio foi batido por 7 a 3 no plenário do STF.
Inventaram uma saída. Um réu como Renan não pode estar na linha de sucessão da presidência. Este era o argumento de Marco Aurélio para afastar Renan. (De resto, uma razão velha, dado o número de anos em que Renan é réu.)
A gambiarra criada foi estabelecer que um réu não pode virar presidente da República. Mas comandar o Senado ou a Câmara pode.
Renan triunfou assim.
O episódio mostra muitas coisas. Por exemplo, o absurdo que é a política nacional. Lugar de réu é no tribunal - e não na presidência do Senado, ou da Câmara, ou do que for. (Mas nós suportamos tudo, incluído aí um consagrado gangster comandando um processo de impeachment.)
O caso demonstra, também, o contraste formidável entre a força dos Renans do Congresso e a fraqueza pomposa dos eminentes ministros do STF. Eles falam difícil, num português para poucos, mas não mandam nada.
Foi-se a ilusão de que no Supremo se juntavam senhores justos prontos a impedir que a lei fosse subvertida por gente de pouco ou nenhum escrúpulo.
Não apenas justos - mas inexpugnáveis, fechados a barganhas de bastidores.

Acordamos para a doída realidade de que não temos apenas o pior Congresso do mundo. Temos também um Supremo medonho - tão inoperante e tão acoelhado que não conseguiu ser páreo para Renan.

Por Paulo Nogueira
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