sábado, 26 de novembro de 2016

Sobre a Bíblia Sagrada


Alguém precisava dizer a verdade sobre a Bíblia. Os padres não ousariam, pois seriam expulsos de seus púlpitos. Os professores nas faculdades não ousariam, pois perderiam seus salários. Os políticos não ousariam, pois seriam derrotados. Os editores não ousariam, pois perderiam seus leitores. Os comerciantes não ousariam, pois perderiam seus clientes. Os homens de prestígio não ousariam, temendo perder seus admiradores. Nem mesmo os balconistas ousariam, pois poderiam ser despedidos. Então resolvi fazer isso eu mesmo.
Há milhões de pessoas que crêem que a Bíblia é a palavra inspirada por Deus - milhões que pensam que este livro é um báculo e um guia, um conselheiro e um consolador; que preenche o presente com paz e o futuro com esperança - milhões que creem que é a fonte da lei, da justiça e da clemência, e que o mundo deve sua liberdade, riqueza e civilidade aos seus sábios e benignos ensinamentos - milhões que acreditam que este livro é a revelação da sabedoria e do amor de Deus ao cérebro e coração do homem - milhões que consideram este livro como uma tocha que sobrepuja a escuridão da morte e derrama seu brilho em outro mundo - um mundo sem lágrimas.
Entretanto, esquecem-se de sua ignorância e selvageria, de seu ódio à liberdade, de sua perseguição religiosa; lembram-se do céu, mas esquecem-se do calabouço da dor eterna. Esquecem-se de que aprisiona a mente e corrompe o coração. Esquecem-se de que é um inimigo da liberdade intelectual. A liberdade é minha religião. Liberdade das mãos e da mente - no pensar e no trabalhar. Liberdade é uma palavra odiada pelos reis e amaldiçoada pelos papas. É uma palavra que despedaça tronos e altares - que deixa a coroa sem súditos e as mãos estendidas da superstição sem esmolas. Liberdade é a consequência, o fruto da justiça - o perfume da clemência. Liberdade é a semente e o solo, o ar e a luz, o orvalho e a chuva do progresso, o amor e a alegria.

Robert G Ingersoll
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