terça-feira, 29 de novembro de 2016

Mais um tropeço de Temer


Que diabo de mensagem o presidente Michel Temer quis passar quando afirmou para uma plateia de empresários e investidores reunidos, ontem à noite, em Brasília no seminário “Brasil Futuro”:
— De vez em quando há certa instabilidade institucional. Como não temos instituições muito sólidas, qualquer fatozinho abala as instituições. Então, o investidor fica assustado.
Como “não temos instituições muito sólidas” se recentemente elas atravessaram incólume o segundo processo de impeachment de um presidente da Repúbica em menos de 25 anos?
Temer presidente é a melhor prova da solidez das instituições. E disso ele mesmo começou a fazer alarde a partir do momento em que substituiu como interino a ex-presidente Dilma Rousseff.
Quem contestou a ascensão definitiva de Temer ao poder ouviu dele que se cumpriu apenas o que manda a Constituição. E estava certo. O mais foi choro dos excluídos do poder por desacertos.
É compreensível, mesmo para um orador experiente como Temer, que cometa algum disparate ao discursar de improviso. Foi de improviso que ele falou aos empresários.
Mas quem o ouviu ou leu mais tarde o que disse sobre a falta de instituições muito sólidas no país não tem a obrigação de corrigi-lo, muito menos de desculpá-lo.
Temer está abalado com o estrago feito em sua imagem pessoal pelo desastroso episódio do apartamento do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Tem mais é que ficar abalado. A culpa foi só sua.
Com uma popularidade baixa, Temer sabe que não pode se dar ao luxo de perder os poucos pontos que tem. É possível que tenha perdido alguns ao advogar em benefício de Geddel.
Sua sorte é que ao país só restam duas alternativas: aturá-lo até 2018, torcendo para que se saia bem no cargo, ou trocá-lo por um presidente eleito pelo Congresso.

Por Ricardo Noblat - Blog do Noblat
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