quinta-feira, 21 de julho de 2016

Governo teme que cassação de Eduardo Cunha possa atrapalhar a aprovação do impeachment de Dilma


O presidente interino Michel Temer amadurece uma resposta à pergunta que começou a circular desde o início desta semana entre alguns dos seus principais assessores: a eventual cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) prevista para meados de agosto próximo não poderá pôr em risco a aprovação quase certa do impeachment de Dilma na primeira semana de setembro?
A pergunta decorre de um temor que nenhum auxiliar de Temer tem coragem de admitir de público: o de que Cunha, uma vez cassado, faça revelações que possam causar estragos diretos ou indiretos à imagem do governo. Para que o impeachment seja aprovado pelo Senado serão necessários 54 de um total de 81 votos. O governo calcula que, hoje, conta com 60 votos seguros para cassar Dilma.
Mas, não se deve descartar o imprevisto. E antecipar-se ao que é possível. Cunha não esconde que se sente abandonado por Temer desde que seu candidato a presidente da Câmara, Rogério Rosso (PSD-DF), foi derrotado por Rodrigo Maia (DEM-RJ). Temer estava disposto a apoiar Rosso ou a ver sua eleição com simpatia. Mas na última hora acabou apoiando Maia para derrotar a candidatura de Marcelo Castro (PMDB-PI) apoiada pelo PT.
As chances de Cunha de escapar de ser cassado ou de conservar seu mandato de presidente da Câmara até fevereiro de 2017 seriam bem maiores se Rosso tivesse sido eleito. No passado recente, Maia já teve compromissos com Cunha. Agora não tem mais. Ele mesmo já adiantou que a sessão da Câmara para decidir o futuro de Cunha deverá acontecer na segundo semana de agosto.
Uma pessoa acuada é capaz de tudo. A política ensina que se deve sempre oferecer uma saída para quem não enxerga nenhuma. Até aqui, o governo tudo tem feito, mesmo à custa de desgastes, para que nada atrapalhe a aprovação do impeachment. Se o calendário não mudar, o julgamento de Dilma no Senado começará no dia 29 de agosto e terminará no domingo 4 de setembro. Se a cassação de Cunha ficar para depois, tanto melhor.
O PT quer antecipar o julgamento de Dilma para que ele coincida com os Jogos Olímpicos e chame menos atenção. Se ficar para setembro, pior para o PT e para seus candidato às eleições de outubro.
Ricardo Noblat
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