sexta-feira, 1 de julho de 2016

Fecha-se o cerco ao PMDB do Rio de Janeiro


Com a prisão, ontem, do ex-bicheiro Carlinhos Cachoeira, e a decretação da prisão do empresário Fernando Cavendish, presidente da empreiteira Delta Construções, fecha-se o cerco ao PMDB do Rio de Janeiro e ao ex-governador por dois mandatos Sérgio Cabral.
Cavendish está em Ibiza, na Espanha, na companhia de deputados federais. Se não der logo sinais de que voltará ao Brasil para se entregar, será considerado foragido. E seu nome entrará na lista dos procurados pela Interpol, polícia internacional.
A prisão de Cachoeira, e a do ex-diretor da Delta Cláudio Abreu se deram no âmbito da Operação Saqueador, deflagrada pelo Ministério Público Federal e a Polícia Federal. Foram presos também os empresários Adir Assad e Marcelo Abbud.
Todos são suspeitos de envolvimento com lavagem de dinheiro. Só a Delta, segundo procuradores da República, lavou cerca de R$ 370 milhões por meio de 18 empresas de fachada. Constataram-se fraudes em licitação, superfaturamento e desvios de verba públicas.
No governo de Cabral, a Delta foi a empreiteira que mais fechou contratos com o Estado. Cabral e Cavendisk eram amigos e costumavam viajar juntos ao exterior. A Delta recebeu dinheiro público para executar obras que não saíram do papel.
Foi o caso, por exemplo, da transposição do Rio Turvo, no Sul do Estado do Rio. Para essa obra foram destinados R$ 80 milhões. A transposição jamais aconteceu. Foi o caso também da construção do Parque Aquático Maria Lenk, no município do Rio.
O parque serviria para competições dos Jogos Pan Americanos realizados na cidade em 2007. Custou R$ 60 milhões. A despoluição da Lagoa de Araruama, na Região dos Lagos do Rio, custou ao governo R$ 5,6 milhões. E não foi feita.
Cabral deverá se enrascar ainda mais com a delação dos executivos da construtora Odebrecht. Nas tratativas para negociar a delação, a empresa afirmou que ele cobrou propina em obras como o metrô e a reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014.
Cavendisk se queixa entre amigos de ter sido abandonado por Cabral quando seu nome passou a ser citado nas investigações da Polícia Federal. A amizade entre os dois acabou. E a Delta desde então entrou em decadência.
Ricardo Noblat
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